Ensaio ao Mazda6e Long Range Takumi Plus: a berlina elétrica da Mazda que aposta na autonomia real e na simplicidade

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O Mazda6e Long Range Takumi Plus tenta ser um carro grande, confortável e com autonomia real suficientemente convincente para fazer frente a uma utilização quotidiana e a viagens familiares longas. E consegue.

A Mazda chegou ao segmento dos elétricos de matriz europeia com o Mazda6e numa fase em que a marca continua a defender uma identidade própria, mesmo quando o mercado pressiona no sentido da uniformização tecnológica e estética. Em Portugal, o modelo entrou em pré-venda em 2025, com um preço de entrada comunicado de 40.050€ para o Mazda6e 5HB EV 258 cv Takumi, enquanto a gama Long Range se posiciona num patamar superior e já com um nível de equipamento consideravelmente elevado.

A unidade ensaiada foi o Mazda6e 5HB EV 245 cv Long Range 1AT RWD em Takumi Plus, na cor Soul Red Crystal, com interiores em pele castanha, forro de tejadilho preto, acabamento em camurça, jantes de 19 polegadas e um conjunto de acessórios que reforçam a vertente prática e familiar do carro.

Começando pelo seu exterior, o Mazda6e é um carro que se identifica rapidamente como sendo da marca, e essa é uma das suas maiores virtudes. As proporções são longas, baixas e muito mais próximas de uma berlina clássica do que da estética dos SUV, o que lhe dá uma presença distinta na estrada. Já o design da sua frente é agressivo, enquanto que a sua traseira é curta, criando assim um perfil que mistura alguma elegância com um certo sentido de desportividade.

Na versão ensaiada, a cor Soul Red Crystal acentua bem as linhas e ajuda a sublinhar a qualidade das superfícies e dos acabamentos exteriores, que continuam a ser um dos argumentos fortes da Mazda quando se trata de apresentação.

Na traseira há um vidro amplo e uma tampa de grande abertura, solução que melhora a leitura aerodinâmica e facilita a utilização da bagageira, que a Mazda anuncia com 466 litros, aos quais se junta ainda um pequeno compartimento de carga dianteiro. O aleron traseiro ativo, que pode subir automaticamente ou por comando manual, é de facto útil em autoestrada, especialmente quando se procura maior estabilidade a velocidades mais elevadas.

Quanto ao interior do Mazda 6e, nota-se claramente que existe uma aposta no que a Mazda sempre fez bem com a linguagem dos elétricos mais recentes: apresentação cuidada, materiais agradáveis ao toque e uma organização menos dependente de botões físicos. Nesta unidade ensaiada, o habitáculo apresenta um ambiente muito marcado pelo contraste entre o exterior vermelho e o interior em creme, castanho e preto, com revestimentos que percorrem portas e tablier e com uma consola central em material de aspeto mais macio, próxima daquilo que a marca quer transmitir como sensação premium.

A ergonomia é relativamente simples, dado que grande parte das funções passaram para o ecrã central. Na prática não há tanta dispersão de comandos, mas também obriga a algum tempo de habituação, visto que funcionalidades que antes se resumiam a um botão no painel de bordo passaram a estar incluídas num dos diversos menus do ecrã multimedia. Para além de um painel de instrumentos compacto, temos nesta versão um head-up display com apresentação minimalista, embora configurável, de varias informações essenciais no vidro, sem que isso prejudique a experiência de condução do Mazda 6e. Já os bancos seguem uma lógica entre o premium e o desportivo, com bom apoio, grande atenção ao conforto e uma afinação pensada para viagens longas sem cansaço excessivo.

Atrás, o Mazda6e continua a mostrar que quer ser um carro familiar a sério. Há espaço suficiente para levar passageiros em boas condições, sendo que o acesso às funções traseiras inclui controlo da climatização, regulação de certas definições do banco do passageiro e abertura das cortinas do teto panorâmico a partir dos lugares de trás, algo que reforça a sensação de luz a bordo.

A nível tecnológico, posso dizer que a Mazda optou por uma abordagem relativamente mais contida, evitando assim transformar este verdadeiro carro numa experiência totalmente baseada em software. Por outras palavras, o sistema central concentra climatização, funções do veículo, conforto e outras opções, incluindo ainda funcionalidades pouco comuns, como reprodução de áudio pelas colunas exteriores quando o carro está estacionado, ou até a gestão do som entre colunas normais e colunas integradas nos encostos de cabeça. Também há modos específicos de utilização, como relaxamento ou campismo, e ferramentas de navegação que apresentam a bateria estimada à chegada e o planeamento de carregamentos em viagem.

Há, no entanto, algumas limitações que convém sublinhar e que poderão ser resolvidas no futuro até com uma simples atualização de software. É o caso do assistente de voz da Mazda. Funciona apenas em inglês, apesar de o carro produzir avisos em português com um sotaque algo artificial, o que torna a experiência menos homogénea do que seria desejável num modelo vendido em Portugal. Outro dos pontos que necessita também que ser revisto é a velocidade de resposta do sistema de infoentretenimento, sobretudo quando se compara a fluidez atual com a que a marca poderá atingir por via de futuras atualizações.

Mas como seria de esperar, é em estrada que o Mazda6e mais se destaca, uma vez que a marca conseguiu combinar conforto, estabilidade e autonomia real de forma bastante convincente. A versão Long Range recorre a um motor traseiro de 245 cv e a uma bateria de 80 kWh, com autonomia anunciada até 552 km WLTP e carregamento DC de 10 a 80% em cerca de 47 minutos, valores que o colocam entre as propostas mais equilibradas da sua classe. Em carregamento AC, a potência máxima ronda os 11 kW, o que significa tempos razoáveis para utilização doméstica ou em posto público adequado.

Nos meus percursos, o carro revelou consumos coerentes com o segmento e com o tipo de utilização feita. Em cidade, os valores ficaram na ordem dos 12 a 13 kWh/100 km; em percurso extraurbano, entre 15 e 16 kWh/100 km; e em autoestrada, entre 18 e 19 kWh/100 km. Num trajeto longo de cerca de 408 km, o Mazda6e saiu com 100% de bateria e chegou ao destino ainda com cerca de 23% e perto de 103 km de autonomia restante.

Noutro momento do ensaio, com um arranque com cerca de 531 km de autonomia indicados e 100% de carga, os primeiros quilómetros trouxeram uma média de 17,8 kWh/100 km, valor perfeitamente dentro do que seria expectável para uma berlina deste porte e peso.

Quanto à dinâmica, o carro é sobretudo confortável, com suspensão suficientemente bem afinada para absorver irregularidades e sem transformar lombas ou piso degradado em algo incómodo para os ocupantes. Também surpreende pela forma como segue trajetórias em apoio e pela estabilidade em autoestrada, sobretudo quando o spoiler traseiro ativo entra em ação. Contudo, o raio de viragem não é particularmente generoso, o que limita um pouco a facilidade de manobra em cidade, mas isso não anula a impressão global de um carro muito bem resolvido para aquilo a que se propõe.

No fim de tudo, fica a sensação de que o Mazda6e Long Range Takumi Plus tenta ser um carro grande, confortável e com autonomia suficientemente convincente para fazer frente a uma utilização quotidiana e a viagens familiares longas sem grande desgaste para quem vai ao volante. E de facto, sai-se muito bem num contexto de utilização real.

Na versão ensaiada, podem encontrar este Mazda6e Long Range Takumi Plus a partir de 44.500€, valores com IVA, mas sem despesas administrativas adicionais.

Hugo Faria
Hugo Faria
Licenciado em Informática de Gestão e com Mestrado em Sistemas de Informação de Gestão na Coimbra Business School, fui um dos que contribuiu, do ponto de vista tecnológico, para o nascimento do Echo Boomer. Tenho uma paixão que se divide pela tecnologia, pela música e pelos automóveis, tópicos esses que são explorados por mim em cada artigo que escrevo e publico por aqui.
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