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Ensaio BMW X7 M50d – O bom gigante

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Desde outubro do ano passado que não pegava num automóvel da fabricante alemã, pelo que foi uma agradável surpresa quando fui contactado pela marca para testar o novo BMW X7 M50d.

Este é daqueles modelos que, goste-se ou não, é impossível passar despercebido. As suas dimensões são pouco comuns no nosso mercado, e a avantajada grelha torna-o ainda mais imponente.

A versão ensaiada vinha pintada num lindíssimo Cinza Metalizado com efeito brilhante e, nos seus interiores, com um misto de Pele “Merino” branco/azul Night/preto BMW Individual. As jantes que equipam a versão ensaiada M50d são as JLL 755 M 22″ de raios em V calçadas à frente com 275/40R22 e na traseira com 315/35R22.

Este é o maior SUV da marca da Baviera (5160 mm de comprimento), mas não se trata apenas de tentar colocar o maior número de pessoas dentro de um veículo. Ao fim ao cabo, para isso, a própria marca tem o série 2 Grand Tourer, que, para o efeito, seria mais que suficiente.

BMW X7 M50d

Este BMW X7 M50d é sobre luxo, sobre a forma como esses sete ocupantes são transportados. E para que esse transporte seja feito, não só com luxo para os ocupantes, mas também com algum prazer para eles, bem como para o condutor, a BMW empenhou-se em espalhar magia pelo chassis, de forma a que um veículo com estas dimensões e peso possa ter um comportamento em estrada, e fora dela (pessoalmente duvido que muitos compradores deste X7 venham a usar), que é surpreendente.

Basta dizer que esta versão ensaiada, de 2450kg, M50d de seis cilindros a diesel, iguala o tempo em Nordschleife de um E90 M3 com motor V8.

O motor de três litros e seis cilindros utiliza nada menos que quatro turbocompressores, compostos por dois conjuntos de unidades operadas sequencialmente e acionadas pelos gases de escape de três cilindros cada, e produz alguns números impressionantes, considerando a dimensão e peso deste BMW X7 M50d.

Falamos de 400 cavalos de potência, com um binário máximo de 760Nm, aceleração dos 0 aos 100km/h em 5,4 segundos e velocidade máxima limitada eletronicamente aos 250 km/h.

A transmissão é a já habitual ZF de oito velocidades e, como quase a maioria das transmissões automáticas da BMW, é finamente calibrada, selecionando proporções apropriadas para máxima utilização da faixa de potência relativamente estreita do diesel.

Bom, e já que falámos não só de tempos em pista, como do próprio motor, vamos falar sobre a condução do mesmo.

BMW X7 M50d

A primeira coisa que se nota é a elevada posição de condução. Dá-nos a sensação que tudo ao nosso redor é bem mais pequeno do que realmente é, e isso nota-se à medida que somos transportados, quase como se caminhássemos sobre as nuvens, mesmo em pisos mais irregulares.

Já o conforto que os bancos e a suspensão deste X7 proporcionam é algo de extraordinário. Mas como se costuma dizer, não há bela sem senão, e, no modo de condução Comfort, o mais suave, pode-se sentir em curva, por vezes, alguma flutuação do chassis. Porém, se colocado em modo Sport, tudo isso desaparece e sem que alguém dentro do veículo se sinta enjoado, até porque dificilmente são atirados de um lado para o outro, pelo que a viagem será bastante silenciosa e flexível mesmo em estradas mais sinuosas.

Quanto ao silenciosa, eu diria que, neste aspeto, a BMW acertou na mouche. Se por um lado é silencioso, como se pretende de um veículo de luxo, por outro não deixa de permitir que, por vezes, se consiga ouvir o som maravilhoso deste motor que equipa o M50d a rosnar. Quando se pisa a fundo no motor, em vez de se sentir aquele “pontapé nas costas” e força G instantânea, a sensação é mais de como se fôssemos num barco com muita potência em que a mesma é notada, mas de uma forma diferente, sendo menos chocante e menos impactante nos ocupantes do veículo.

Mais uma vez, e tendo em conta a utilização que este X7 vai ter, creio que a BMW acertou em cheio na forma como distribuiu essa potência.

Creio que não preciso de dizer que o BMW X7 M50d é um objeto estranho na maior parte das ruas das cidades, sobretudo se fugirmos às maiores artérias. As suas dimensões não ajudam e é preciso algum espírito de aventura para entrar em locais mais apertados e até em alguns estacionamentos. Porém, neste capítulo, não só o assistente ao estacionamento, que procura por um lugar e estaciona por nós, mas também o assistente de marcha atrás, que basicamente o que faz é memorizar num percurso de 50 metros tudo o que fizemos, permite tirar-nos de uma situação apertada de forma quase automática.

BMW X7 M50d

Olhando agora um pouco mais para o interior deste BMW X7 M50d, posso dizer que, se conduzi-lo fornece uma sensação de luxo, ser conduzido ainda mais.

A visibilidade para o exterior é fantástica, com janelas profundas. Todos os ocupantes recebem aberturas de ventilação e a/c ajustável, luzes de leitura, suportes para copos e tomadas. Todos os assentos são superconfortáveis e, na frente, os suportes para copos têm até função de aquecimento ou arrefecimento das bebidas.

Os bancos frontais são aquecidos e ventilados e têm capacidade de massagem, útil para o para-arranca e longas viagens, embora o conforto dos mesmos pudesse dispensar esta funcionalidade. A verdade é que, existindo esta opção, acredito que possa ser útil, e lá está, acresce mais algum requinte a algo que se pretende demonstrar como luxuoso. A versão ensaiada trazia também o Pack Ambient Air, que permite que seja libertada uma agradável fragrância para o interior do veículo.

Se todas as três linhas de bancos estiverem ativas, a bagageira terá 326 litros de tamanho supermini. Na configuração de duas fileiras, como certamente a maioria das pessoas irá usar este carro, são gigantescos 750 litros.

Já o sistema de entretenimento é a nova versão da BMW. A versão 7.0 engloba um ecrã de grandes dimensões sensível ao toque, tendo um excelente design de interface e permite interação por gestos, e, na consola central, temos a já normal roda controladora adequada do iDrive. Na minha opinião, continua a ser o melhor dispositivo de entrada.

O sistema de som é de muito boa qualidade, ou não fosse da Harman/Kardon, com Surround Sound que permite múltiplas afinações.

BMW X7 M50d

Resumindo, chamei ao BMW X7 M50d o Bom Gigante porque, apesar das suas dimensões, pode ser dócil e tratar de forma bastante terna e carinhosa os seus ocupantes. Ao mesmo tempo, e nesta versão M50d, tem potência de sobra para não se tornar aborrecido de conduzir.

Sabendo que este modelo foi projetado sobretudo para os mercados chinês e americano, acredito que, em Portugal, quem procure um símbolo de luxo, um veículo que permita transportar mais que os normais quatro ou cinco ocupantes em estrada e fora dela, poderá optar por este modelo.

Para quem faz sobretudo percursos citadinos, duvido que seja a melhor escolha. Admito, porém, que foi sem dúvida alguma dos veículos mais luxuosos já testados aqui no Echo Boomer, senão mesmo o mais luxuoso.

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