Dreame Tasti Air Fryer Review: Utilidade e versatilidade nos lares com falta de espaço

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Lembram-se das antigas cloches de cozinha, com cubas em vidro? É assim que se apresenta a Dreame Tasti Air Fryer, uma proposta que abdica das habituais gavetas opacas das fritadeiras de ar quente mais vulgarizadas para recuperar o encanto das cloches de cozinha com recipiente de vidro. A ideia não é nada má, com essa nota de revivalismo da cozinha dos anos 90.

Pus as mãos na massa para testar a Dreame Tasti Air Fryer, da nossa bem conhecida marca que, cada vez mais, afasta-se do segmento de ser “apenas” uma empresa tecnológica dedicada a aspiradores verticais e robôs compactos. Entre coxas de frango sumarentas, que temperei com sal, pimenta, maionese, ketchup, cebolinho e alho-francês, e umas inesperadas batatas teimosas encruadas no modo de “assado”, percebi que, tratando-se de um aparelho tão compacto, é preciso dominar bem a técnica para se obter exatamente o que se pretende.

Foi precisamente com esse espírito de descoberta que desempacotei a Dreame Tasti Air Fryer sobre a minha bancada de trabalho: uma caixa quadrangular bem pequena. A primeira nota a registar, com o equipamento já fora da caixa, com aquela bonita tampa verde-pastel, é de ordem puramente visual e espacial. Esta proposta da Dreame apresenta-se com uma elegância compacta, evocando uma modernidade subtil.

Ao retirar os plásticos, a primeira evidência salta logo à vista: é o tipo de aparelho talhado para quem habita num T0 ou num T1, onde cada centímetro quadrado de bancada é precioso. Com este design minimalista, a Dreame Tasti Air Fryer oferece uma solução muito honesta para cozinhar refeições bem estruturadas para uma ou duas pessoas sem sobrecarregar a cozinha.

Consigo, a máquina traz duas cubas de vidro temperado intercambiáveis com o mesmo diâmetro, variando apenas na profundidade – uma com capacidade para 2,5L, a outra para 4,5L – perfeitamente secundadas por pegas ergonómicas integradas que se mantêm completamente impermeáveis ao calor. Na prática, isto significa que podemos alternar entre porções individuais e refeições ligeiramente maiores sem mudar de aparelho.

Junte-se a isto um tapete redondo de silicone preto, um daqueles acessórios que à primeira vista parece de menor relevância, mas que se torna imediatamente indispensável assim que se torna preciso pousar a cúpula motorizada quando a retiramos a meio de um processo e temos de pousar em cima da bancada. Completam o pacote uma grelha de atço inoxidável, que eleva os alimentos do fundo da cuba para melhorar a circulação de ar e a crocância, e uma tampa acessória para manter os pratos quentes fora da base de cozimento.

Depois de bem lavadas as cubas e de testada a cúpula motorizada (que sempre liberta alguns odores próprios de um produto com componentes plásticas), preparei-me para a primeira utilização.

Esta fritadeira a ar quente tem um écrã tátil fácil de decifrar, bastante básico até, mas há uns truques práticos que é preciso adquirir para domar o pequeno aparelho e garantir que a comida fica no ponto exato em que a queremos. Depois, é só usar e tirar partido de combinações de alimentos e programas, até porque a Dreame Tasti Air Fryer disponibiliza um guia de receitas online.

Convém dizer que conta com cinco modos de funcionamento. A função Air Fry trabalha a 185 °C para fritar com ar quente, garantindo uma textura estaladiça sem usar óleo. Para assar carnes e vegetais de forma homogénea, o modo Roast atua a 175 °C, enquanto o Broil, a 180 °C, funciona como um grill rápido que doura ou tosta a superfície dos alimentos em poucos minutos. Já o Reheat, a 160 °C, foi desenhado para reaquecer a comida, devolvendo-lhe a temperatura ideal e o sabor sem a secar, e o Keep Warm, a 60 °C, serve de estufa para manter os pratos quentes enquanto terminas os acompanhamentos.

Importa notar que, apesar de cada programa ter uma temperatura pré-definida, o utilizador pode ajustar manualmente a temperatura entre 60 °C e 200 °C e o tempo entre 1 e 60 minutos. Esta margem de manobra é preciosa quando as receitas caseiras exigem mais agressividade térmica ou tempos mais longos do que o padrão de fábrica.

Uma coisa é certa: a Dreame Tasti Air Fryer revela-se ótima a manter a textura e suculência dos alimentos, bem como a deixar a carne bem sumarenta. Assim, para a primeira odisseia culinária preparei a peça principal: uns belos pedaços de frango temperados e prontamente colocados na cuba maior.

Para fugir à monotonia dos temperos industriais, decidi aplicar um cunho estritamente pessoal: como disse há pouco, envolvi a carne numa emulsão de maionese e ketchup enriquecida com especiarias da despensa, cebolinho e alho-francês cortados finamente.

Para garantir que o calor penetrava sem barreiras na carne, retirei a pele às peças de frango e apliquei dois cortes transversais em cada uma. Fui mais meticulosa em particular com as cochas do frango, com dois golpes profundos de cada lado, algo que considero fundamental para que uma peça desta densidade cozinhe de forma perfeitamente uniforme.

O processo iniciou-se no modo Air Fry, programado de fábrica a 185°C para garantir a tal crocância sem óleo. A meio do percurso, graças àquela luz quente que ilumina o interior e nos permite vigiar tudo sem levantar a tampa, virei as coxas, repeti o Air Fry e finalizei com o modo Roast a 175°C, desenhado especificamente para cozinhar carnes e vegetais de forma homogénea.

O resultado foi surpreendentemente bom: um frango dourado, tenro, com os sucos preservados pelo vidro e envolvido por um aroma que rapidamente se espalhou à volta. Tratei logo de usar a tampa, de forma a manter a carne pronta e resguardada nessa cloche mais alta. Esta tampa é própria e é fornecida pela marca para reter o calor.

Portanto, atenção: a ideia de ter duas cubas de tamanhos diferentes serve para dar versatilidade – usam a mais alta para peças maiores como o frango e a mais baixa para acompanhamentos -, o que vai permitir este tipo de dinâmica: enquanto uma coisa cozinha, a outra aguarda na cuba que ficou de fora, tapada com a tampa acessória para não arrefecer. Ou seja, como o motor e a fonte de calor estão integrados exclusivamente na cúpula, a máquina só consegue cozinhar num recipiente de cada vez.

Entretanto, foi o momento de preparar o acompanhamento, agora na cuba mais pequena. Aproveitando o molho rico e os sucos deixados pelo frango, dispus batatas cortadas às rodelas muito finas, tomates, ervilhas, salsa picada e orégãos, reforçando a dose de cebolinho fresco. Usei o copo medidor incluído para verter precisamente 22,5 miligramas de água no fundo do recipiente de vidro, introduzindo a hidratação necessária antes de fechar a tampa e selecionar o modo Roast a 175°C.

E foi aqui que a narrativa começou a ganhar outros contornos. Passados os minutos regulamentares do programa de assado, as batatas teimavam em manter-se encruadas, desafiando a lógica da receita e demonstrando que os vegetais mais densos exigem uma abordagem mais agressiva perante a humidade libertada pelo tomate e pela água adicionada.

Solução? Uma questão de tática. Tinha os comensais à espera e, então, decidi ativar a função Broil a 180°C, descrita como “grill the food surface quickly”. Trata-se de um disparo rápido de calor superior com a duração de apenas 5 minutos, e a verdade é que opera verdadeiros milagres à superfície. Em menos de nada, a humidade excessiva dissipou-se e o topo das batatas e das ervilhas ganhou uma belíssima crosta tostadinha, mesmo no ponto.

No final, empratadas as coxas de frango ao lado do arroz branco e do colorido das batatas com ervilhas e tomates chamuscados, a recompensa visual e gustativa foi absoluta, validando a versatilidade desta pequena cloche renascida em plena era tecnológica.

Claro está que nenhuma ferramenta é perfeita, e a Dreame Tasti Air Fryer exige uma breve curva de aprendizagem no que toca à sua ergonomia.

A cúpula superior, onde moram o motor de circulação de ar quente e o painel tátil, não possui uma pega rígida tradicional. Em vez disso, ostenta uma pequena tira flexível, bem como um molde superior formatado para aplicarmos nele a força de uma mão, com o polegar em oponência. Não achei a melhor solução, mas também não é má. Dista muito das tampas das cloches tradicionais, cujo manípulo superior destacável é o que permite, precisamente, acionar e desligar a cozedura.

Não aconselho que peguem na cúpula por esse elástico. Embora seja forte o suficiente para sustentar o peso do bloco do motor, a sua flexibilidade faz com que a tampa tenda a girar ligeiramente quando a seguramos em suspenso. Como o formato da cuba é um quadrado de cantos ovalados, o encaixe nem sempre acerta à primeira tentativa.

Portanto, há que pegar-lhe com a mão, pelo molde superior, que foi talhado para isso mesmo, mas não deixo de lembrar que um pano de cozinha limpo deve estar sempre à mão caso seja necessário ajustar a estrutura à cuba ainda quente.

No fundo, a Dreame Tasti Air Fryer assume-se como um instrumento precioso para quem não nasceu com o dom da culinária, mostrando que qualquer opção de cozinhar em casa, desde que utilizando os ingredientes certos e sem exagerar em molhos, é a melhor alternativa ao takeaway. Ainda por cima o seu preço é bem catita: apenas 119€.

À medida que vamos partilhando espaço com o aparelho e nos vamos habituando a ele, aprendemos a ajustar as doses de água, a escolher entre os vários programas, e aói percebemos que o verdadeiro segredo de um bom prato está na capacidade de nos adaptarmos, com um toque de engenho, a cada ingrediente e situação culinária. Depois, o guia de receitas e a experiência fazem o resto. Bom apetite!

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Este dispositivo foi cedido para análise pela Dreame

Graça Pacheco
Graça Pacheco
Licenciada em literaturas clássicas e com um doutoramento em estudos literários, sou colaboradora e fã do Echo Boomer. Escrever, para mim, é um ofício desafiante mas também um hobby. Também adoro gastronomia, gosto de explorar novas tecnologias e sobretudo, adoro cinema e TV.
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