Operadora pediu à ANACOM alterações na atribuição de espetro e avisa que a permanência no mercado português poderá ficar em causa.
A Digi admitiu esta sexta-feira, dia 23 de outubro, que poderá abandonar o mercado português caso não sejam criadas condições que permitam reforçar a concorrência no setor das telecomunicações. O aviso foi deixado pelo diretor executivo do grupo, Valentin Popoviciu, durante uma conferência de imprensa realizada em Lisboa.
A operadora, que entrou em Portugal em 2024, considera que a decisão da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) de renovar as licenças de espetro da MEO, NOS e Vodafone não é suficiente para garantir uma concorrência equilibrada. A empresa defende que os direitos de utilização de frequências que terminam em 2027 devem ser atribuídos através de leilões, com limites por operador e blocos reservados a empresas com menor quantidade de espetro.
Segundo a Digi, o acesso a mais espetro é essencial para aumentar a sua quota de mercado e competir de forma mais eficaz com os operadores já estabelecidos. A empresa afirma que os consumidores têm respondido positivamente à sua entrada no mercado, mas sublinha que necessita de recursos adequados para continuar a crescer.
A operadora, que emprega cerca de 1.900 pessoas em Portugal e já investiu 700 milhões de euros no país, propõe ainda que a ANACOM atribua o bloco de frequências de 700 MHz que permanece sem utilização desde 2021 ao operador com menos espetro abaixo de 1 GHz. Entre as medidas sugeridas estão também mecanismos de partilha de espetro e acesso a roaming nacional.
Entretanto, o economista Abel Mateus, autor de um estudo que sustenta a posição da Digi, defende que um leilão com limites para os operadores históricos e frequências reservadas para novos concorrentes promoveria uma concorrência mais eficaz e beneficiaria os consumidores.
