Devendra Banhart no Hard Club – Intimismo e irreverência no regresso ao Porto

Devendra Banhart regressou no passado sábado, dia 15 de fevereiro, ao Porto, sete anos após ter atuado na Casa da Música para o primeiro de três concertos esgotados (viria a atuar em dose dupla em Lisboa no domingo e segunda-feira). Desta vez, foi o Hard Club a receber o artista norte-americano com raízes venezuelanas para a apresentação do seu décimo álbum de longa duração, Ma, editado em 2019.

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Já se sabia há muito que a sala 1 do Hard Club iria estar lotada para receber Devendra, pelo que foi com alguma pontualidade que as pessoas foram-se instalando bem junto do palco. Vetiver (Andy Cabic) também ele pontual, entrou em palco às 21 horas, como previsto, juntamente com Jeremy Harris, e aos quais se viriam a juntar a meio do concerto Noah Georgeson no baixo e Josh Adams na bateria, todos eles membros da banda de Devendra Banhart. Foi uma bela forma de iniciar a noite com a voz de Cabic e a sua guitarra acústica a criarem o mood perfeito de harmonia e leveza que se esperava muito à custa do seu indie folk.

A ansiedade ia crescendo e, às 22 horas precisas, as luzes baixam. Foi num clima de imensa intimidade que o músico norte-americano entrou em palco acompanhado pela sua banda para, sem demoras, se sentar numa cadeira e dar início a toda uma experiência vasta em sonoridades multiculturais, capaz de despertar e libertar emoções e sentimentos a cada presente na sala.

Devendra é todo ele expressão. Devendra é todo ele carisma. Mesmo sentado e munido da sua guitarra, vai soltando os braços. Os seus gestos são leves, assim como a sua voz. “Is This Nice”, do mais recente álbum Ma, é o primeiro tema a fazer as delícias dos presentes. De salientar a grande afluência de público estrangeiro para este concerto, o que nem surpreende muito, ou não fosse o Porto uma cidade tão “turisticamente” evoluída.

Foto: Telmo Pinto

Publicado por Echo Boomer em Terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A boa disposição do cantautor é contagiante. Interage de uma forma absolutamente despreocupada com as pessoas que o rodeiam, sejam elas da própria banda ou do público. Entre músicas, aproveita para contar histórias, e foi após ter falado do Museu de Serralves, onde teve o conhecimento da vinda de Yoko Ono ao mesmo, que convidou o diretor do museu, Phillipe Vergne, a entrar em palco para a leitura de “Cloud Piece”, um poema da artista japonesa.

Continuando pela música, “Kantori Ongaku”, “Love Song”, “Taking a Page” e “Carolina” foram temas do mais recente trabalho que fizeram parte da setlist. De destacar temas como “Mi Negrita”, do álbum Mala (2013), “Fancy Boy” (Ape In Marble Pink, 2016), “Daniel” (Mala), “Baby” (What Will We Be, 2009) ou até mesmo o irreverente tema “Seahorse”, do álbum Smokey Rolls Down Thunder Canyon (2007).

Foi mais de uma hora e meia de concerto que não podia terminar sem o habitual encore, num clima de festa, alegria e esperança proporcionado por “Carmensita”. Em inglês, espanhol, português e até mesmo em japonês, Devendra Banhart voltou a conquistar o público portuense num espetáculo ora intimista, ora irreverente.

Fotos de: Telmo Pinto

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