Fraudes associadas à venda de cromos do Mundial 2026 estão a crescer, segundo o Portal da Queixa, com imensos consumidores afetados.
O número de queixas relacionadas com alegadas burlas na venda de cadernetas e cromos do Mundial de 2026 tem vindo a aumentar de forma significativa nas últimas semanas, de acordo com informação divulgada pelo Portal da Queixa. Depois de um primeiro alerta emitido em maio sobre o aparecimento deste tipo de esquemas, a plataforma indica agora que a situação se agravou, acompanhada por um crescimento expressivo das reclamações submetidas por consumidores.
Os dados mais recentes apontam já para mais de 200 participações de utilizadores que afirmam ter sido lesados, o que evidencia uma tendência de subida neste tipo de fraude. Segundo os relatos analisados, os esquemas assentam sobretudo na criação de páginas online e anúncios fraudulentos, frequentemente disseminados através de redes sociais, que simulam lojas legítimas. Em vários casos, essas páginas recorrem à utilização indevida de marcas reconhecidas, numa tentativa de conferir credibilidade às ofertas apresentadas.
De acordo com a mesma fonte, uma parte dos consumidores afetados tem dirigido reclamações não só à Panini, marca associada à comercialização oficial de cromos, como também a entidades bancárias, procurando reaver os montantes pagos. Muitos dos lesados têm também denunciado as situações diretamente nas plataformas digitais onde os anúncios são promovidos, nomeadamente no Facebook e no Instagram.
Os testemunhos recolhidos apresentam características semelhantes. Em regra, os consumidores são atraídos por campanhas que aparentam ser legítimas, muitas vezes acompanhadas por mensagens que sugerem disponibilidade limitada ou urgência na compra. Esse contexto leva à realização de pagamentos – frequentemente através de meios digitais – sem que, posteriormente, haja confirmação da encomenda ou entrega dos produtos adquiridos.
Perante este cenário, o Portal da Queixa sublinha a importância da adoção de medidas preventivas no contexto das compras online. Entre as recomendações destacam-se a verificação da credibilidade dos sites, a validação dos métodos de pagamento utilizados e a consulta de plataformas de reputação antes de concluir qualquer transação. A entidade refere ainda a existência da ferramenta Não Sejas Pato, que permite aos consumidores avaliar a fiabilidade de lojas online com base em indicadores disponíveis.
A análise dos dados permite também identificar padrões no perfil dos consumidores afetados. Em termos geográficos, as queixas concentram-se maioritariamente nos distritos de Lisboa, que representa 21,77% dos casos, seguido do Porto, com 19,56%, e de Setúbal, com 15,50%. Distritos como Aveiro, Braga e Leiria surgem igualmente com valores relevantes, todos acima dos 6%.
Relativamente à distribuição por género, verifica-se uma ligeira predominância de mulheres entre os lesados, que representam 53,51% das reclamações, enquanto os homens correspondem a 46,49%. No que diz respeito às faixas etárias, o grupo mais afetado situa-se entre os 45 e os 54 anos, com 34,69% dos casos, seguido pelos consumidores entre os 35 e os 44 anos, que representam 29,15%, e pelo grupo dos 25 aos 34 anos, com 15,87%. Estes dados indicam que o fenómeno atinge sobretudo população adulta em idade ativa.
