Crítica – Venom

Nota: Echo Boomer 2 Estrelas


Quando anunciaram que seria feito um filme daquele que é o antagonista supremo/arqui-inimigo mais conhecido do Homem-Aranha, especialmente depois da sua aparição em Spider-Man 3 (2007), muitos ficaram radiantes por tal facto. Porém, estando a personagem Venom na casa Sony, muitos começaram a olhar com alguma insegurança ao resultado final, dado o historial de péssimos filmes de super-heróis que a empresa apresentou até à data. A tarefa era difícil e o pior confirma-se: Venom até podia ter potencial, mas foi totalmente desperdiçado, sendo um filme demasiado confuso e sem nexo.

Realizado por Ruben Fleischer (Gangster Squad , 30 Minutes or Less e Zombieland), este não é um filme que segue à letra a história original da personagem, nem esperávamos que assim fosse. Depois de uma parte inicial que deixa logo antever que vão existir várias partes atabalhoadas, somos apresentados a Eddie Brock (Tom Hardy), um jornalista com o seu próprio espaço fixo na televisão para a qual trabalha e que investiga e apresenta casos complicados ao seu público, para que os responsáveis pelos crimes sejam julgados. Ainda que nem sempre faça o que é mais ético, jornalisticamente falando, Eddie é um jornalista de sucesso, com uma carreira estável e uma namorada, Anne Weying (Michelle Williams), com a qual estava prestes a casar.

Porém, é quando decide entrevistar Carlton Drake (Riz Ahmed), responsável da Fundação Vida, uma empresa que sacrifica vida de humanos e animais para o desenvolvimento dos seus estudos, que a vida de Eddie dá uma volta de 180 graus. Sozinho, numa casa velha, sem emprego e dinheiro, é nesta má fase que o ex-jornalista acaba por acolher a simbiote Venom, um alienígena que se aloja no seu corpo e dá origem ao anti-herói que todos conhecemos.

Primeiro problema: até que isto aconteça o filme é bastante aborrecido e genérico. Podem contar esperar cerca de 40 minutos até que se inicie a melhor fase do filme. Ainda assim, esta melhor fase não faz com que o filme deixe muito a desejar.

À falta de melhor termo, falta personalidade a este filme. Falta uma história cativante, mais profunda, que nos explique a origem de Venom e não tanto o foco na vida de Eddie Broke. Aliás, numa era em que os filmes de super-heróis são tão populares, exigia-se mais dos argumentistas em delinearem uma narrativa mais consistente. Como este Venom não faz parte do Universo Cinemático da Marvel, e tendo em conta que Tom Hardy deve fazer pelo menos mais dois filmes da personagem, havia aqui uma oportunidade de ouro de iniciarem uma história a solo digna de registo. Infelizmente, isso só acontece pelos piores motivos.

Já a realização, a cargo de Ruben Fleischer, é uma confusão. Apenas nos saltam à vista duas coisas, e não é pelos melhores motivos: lutas CGI mal executadas e preparadas, sendo, às vezes, realmente difícil perceber o que está a acontecer, e várias perseguições. Além do argumento chato, são estas cenas que nos ficam na retina. Não temos dúvidas que Fleischer podia ter material para elaborar um filme bem melhor, mas quando se faz um filme a pensar na categorização norte-americana PG-13, isto é, para agradar aos mais novos, o resultado final não podia ser lá grande coisa.

Aliás, é precisamente com esta classificação PG-13, quando devia ser Rated-R, que Venom perde imensos pontos. Falta sangue, falta violência à séria, falta impacto no espectador. Nós não queremos o puro entretenimento para miúdos.

Os atores, e nós conhecemo-los bem de trabalhos anteriores, também não estão aqui no seu melhor. Tom Hardy, que acaba por ter uma relação quase amorosa com a simbiote, acaba por ficar a anos-luz de outros papéis e só nos lembramos de uma ou outra cena digna de destaque. Se enquanto jornalista é chato, é quando está transformado em Venom que acaba por conseguir os melhores momentos do filme. O vilão, Riz Ahmed, e apesar da qualidade do ator, é paupérrimo. O habitual jovem super rico com tiradas infelizes, falas banais e que nos faz lembrar um Elon Musk desta vida. Ainda de destacar é Michelle Williams, no papel de Anne Weying, interesse amoroso de Eddie, mas pela negativa: tem um papel tão secundário que dá pena. A atriz merecia mais, muito mais. Aliás, todos eles mereciam mais, mas quando um texto é fraco, nem mesmo os melhores atores do mundo conseguem fazer magia.

Há ainda outro problema relacionado com as personagens: é que rapidamente mudam de personalidade consoantes os seus interesses. Há também alguma comédia à mistura, mas totalmente escusada, diga-se.

Já a personagem Venom é mesmo o melhor do filme, aliás, a relação de Eddie com o parasita. Apesar de não ter muito tempo de antena, é quando surge o monstro em cena que acontecem os melhores momentos desta longa. O seu design não vai agradar a toda a gente, mas os fãs vão acabar por ficar contentes quando a personagem surgir no grande ecrã

Venom é um filme pobre e não empolga nada o espectador. Com várias falhas a nível de narrativa, de personagens e na própria realização, faz-nos crer que apenas foi feito para cumprir com as exigências comerciais da Sony. Talvez se estivesse na casa Marvel o resultado final fosse melhor…


 

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