Crítica – “As Estrelas Não Morrem em Liverpool”

As Estrelas Não Morrem em Liverpool é um filme baseado na autobiografia de Peter Turner publicada no Reino Unido, em 1986, que nos conta como foram os últimos anos de vida de uma excêntrica atriz de Hollywood, Gloria Grahame, interpretado pela não menos conhecida e experiente Annette Bening.

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Neste filme somos transportados para os anos 70 e para uma história de amor intemporal através de uma banda sonora incrível que nos ajuda nesta viagem no tempo, uma narrativa sem complexos e de flashbacks das próprias personagens que nos facilitam a compreensão de todos os acontecimentos, até porque um grande senão deste filme é quase já ninguém saber quem foi esta atriz. A certa altura, uma das personagens do filme chega mesmo a dizer que “Gloria was a big name in black and white film”.

Gloria mostra-nos que o amor não escolhe idades quando conquista o coração de um jovem ator de Liverpool, Peter Turner, interpretado por Jamie Bell. Peter e Gloria têm uma diferença de 28 anos a separá-los, mas isso não se torna um problema, antes pelo contrário. Gloria já tinha tido um affair com um enteado, Anthony Ray, de 23 anos, com quem chega a casar depois de se divorciar do pai do mesmo.

As Estrelas Não Morrem em Liverpool

Por isso, podemos concluir que era difícil ficar-se indiferente a esta mulher cheia de vida. Peter, que luta por uma carreira como ator de teatro em Liverpool, é arrastado para este enredo e transforma a sua vida por ela. Ela mostra-lhe como se pode perder tudo de um momento para o outro e, mesmo assim, continuar como se ainda fosse tudo a preto e branco. No entanto, é esta estrela dos tempos do cinema a preto e branco que traz cor à vida de Peter.

A química entre os dois atores é excecional e deita por terra qualquer preconceito que ainda possa existir no que diz respeito à diferença de idades. Gloria, que tem a sua vida glamourosa e hollywoodesca a desvanecer, vê em Peter uma espécie de elixir de juventude; já este encontra na ex-estrela a mulher mais bonita do mundo, cuidando dela, amando-a e admirando-a até ao fim.

Após sentir-se mal de saúde, que recorrentemente apelidava de “problema de gases”,  uma desculpa para não preocupar Peter, Gloria pede ao seu amado para levá-la para casa dos pais dele, em Liverpool, onde acaba por passar os seus últimos dias. O jovem ator lá descobre a verdadeira doença do seu amor e, com a ajuda dos pais, outrora fãs dos filmes a preto e branco que ela protagonizou, cuida dela. Esta, ao prometer-lhe que vai ficar bem, acaba por involuntariamente quebrar essa promessa: doente, cansada e sem esperança, mas sem nunca perder a elegância, a boa disposição, o glamour e a irreverência. Deixa para traz Hollywood, um Óscar pelo filme The Bad and the Beautiful, alguns casamentos falhados e filhos já crescidos, mas foi, porém, na casa dos pais de Peter, que decidiu ter os seus últimos momentos de vida.

Gloria Grahame morreu a 5 de outubro de 1981 em Nova Iorque, para onde foi levada pelo filho nesse mesmo dia. Peter Turner, hoje com 65 anos, continua a recordar Gloria como o seu grande amor.

Este filme conta ainda com a participação do próprio Peter Turner, Julie Walters, Vanessa Redgrave e Stephen Graham.

Não se consegue ficar indiferente a esta história, às interpretações dos atores e à maneira como somos levados numa viagem encantadora até ao último momento: “Peter, how do I look?” – “you look beautiful, Gloria, forever…”

As Estrelas Não Morrem em Liverpool estreia a 8 de fevereiro nos cinemas nacionais.

Texto de: Mafalda Fidalgo

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