Come From Away: musical chega ao Capitólio com história real de solidariedade após o 11 de setembro

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Versão portuguesa de Come From Away chega ao Teatro Capitólio com 12 atores e orquestra ao vivo.

O musical Come From Away estreia em Portugal a 10 de setembro no Teatro Capitólio, em Lisboa, numa versão totalmente em português e com música ao vivo, permanecendo em cartaz até 4 de outubro. A obra, criada por Irene Sankoff e David Hein, parte de um episódio real ocorrido na semana seguinte aos atentados de 11 de setembro de 2001, quando o fechamento do espaço aéreo dos Estados Unidos obrigou 38 aviões a aterrar em Gander, uma pequena cidade da província canadiana da Terra Nova. Em poucos dias, a comunidade local acolheu cerca de 7.000 passageiros e tripulantes, num gesto de solidariedade que se tornou o centro narrativo do espetáculo.

Apesar de ter como pano de fundo um dos momentos mais marcantes da história recente, o musical não se concentra na tragédia em si. “Não é um musical sobre o 11 de Setembro. É um musical sobre pessoas”, resume Nuno de Sá, diretor musical da produção portuguesa. A obra afasta-se do acontecimento trágico para focar na resposta humana que se seguiu: a forma como uma comunidade pequena e improvável decidiu ajudar milhares de estranhos, sem hesitação ou questionamentos.

Essa abordagem é sublinhada pela equipa criativa como um elemento central da peça. O objetivo não é recriar os factos de forma documental, mas antes captar a autenticidade das emoções vividas por quem esteve em Gander naquela semana – o humor inesperado, o medo partilhado, a música como ponte entre culturas e a esperança que persistiu mesmo em circunstâncias extremas.

A versão apresentada no Capitólio conta com um elenco de 12 atores, que interpretam dezenas de personagens ao longo da narrativa. Em palco, são acompanhados por uma orquestra de oito músicos, integrada na Lisbon Film Orchestra, companhia cofundada em 2007 pelo maestro Nuno de Sá. A opção por uma encenação sem grandes cenários ou efeitos especiais reforça a dependência da obra em relação à música e à interpretação, algo que a Lisbon Film Orchestra assume como parte da sua identidade artística.

A tradução do texto original para português foi também realizada por Nuno de Sá, com o cuidado de preservar não apenas o significado, mas também o ritmo e a “cantabilidade” das letras, elementos essenciais num musical que depende fortemente da fluidez entre diálogo e canção.

A encenação é da responsabilidade de Pedro Pernas, que vê no teatro uma capacidade única de reunir pessoas num mesmo espaço, transformando temporariamente o Capitólio numa pequena comunidade, tal como aconteceu em Gander. A coreografia e movimentação cénica são de Laura Póvoa, e a cenografia e figurinos foram desenhados por Ana Paula Rocha, com assistência de figurinos de Madalena Cáceres.

O elenco reúne André Lourenço, Catarina Jubilot Leão, Helena Montez, João Marques, Madalena Pepolino, Mari Ribeiro, Marta Lys, Paulo Duarte Ribeiro, Paulo Oom, Pedro Paz, Ricardo Monteiro e Teresa Macedo.

Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais.

Foto: Estelle Valente

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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