A Talgo considera que os comboios de alta velocidade para Portugal devem poder adaptar-se à bitola ibérica e à bitola europeia.
A Talgo quer convencer a CP – Comboios de Portugal de que os futuros comboios de alta velocidade do país podem ser concebidos para circular tanto na bitola ibérica, como na bitola internacional europeia. A proposta, avançada pelo presidente executivo da empresa espanhola, Ricardo Chocarro, não é exigida pelo concurso em curso, mas será apresentada como uma vantagem adicional para o futuro da rede ferroviária portuguesa.
Chocarro explicou que a Talgo já produz comboios capazes de se adaptar a bitolas diferentes e que essa tecnologia é utilizada em Espanha, onde as composições circulam entre vias de largura distinta sem necessidade de paragem ou de desembarque dos passageiros. E é precisamente essa capacidade que a empresa pondera propor a Portugal.
O concurso português destina-se a ligar Lisboa ao Porto em bitola ibérica, uma característica que o responsável descreveu como uma especificidade da licitação. A Talgo considera, porém, que a possibilidade de adaptação a duas bitolas poderia tornar-se relevante caso Portugal decida, mais tarde, adotar a bitola europeia ou pretenda operar os comboios noutros mercados.
Outro ponto destacado prende-se com o estado da infraestrutura. Como as novas vias de alta velocidade estão ainda em construção, as composições terão de circular nessas linhas e, provavelmente, também em troços atualmente usados por serviços regionais. Para esse cenário, a Talgo refere dispor de uma tecnologia multivia.
Recorde-se que a Talgo e a Alstom foram as duas empresas selecionadas no mês passado para apresentar propostas no concurso da CP para o fornecimento de automotoras de alta velocidade. O procedimento tem um valor base de 504 milhões de euros e prevê a aquisição de 12 composições, além de peças de parque, ferramentas especiais e uma opção para mais oito automotoras.
