Coleção de Arte Contemporânea do Estado ganha espaço próprio em Cascais ao fim de 50 anos

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A Coleção de Arte Contemporânea do Estado passa a ter sede própria em Alcabideche, reunindo parte de um acervo com mais de 2.300 obras e melhores condições de conservação.

A Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) passou a dispor, pela primeira vez desde a sua criação em 1976, de um espaço próprio. O novo equipamento, designado CACE – Centro, entrou em funcionamento a 1 de julho, em Alcabideche, no concelho de Cascais, e concentra parte significativa de um acervo que ultrapassa as 2.300 obras.

Ao longo de décadas, o conjunto de obras esteve distribuído por diferentes locais, o que implicava constrangimentos logísticos e operacionais. A concentração agora iniciada permite, segundo o Governo, melhorar as condições de conservação, segurança, inventariação e estudo das peças.

O novo centro foi concebido para responder a exigências técnicas de conservação preventiva, integrando reservas visitáveis, áreas de trabalho especializado, espaços de exposição e um serviço educativo orientado para a mediação cultural. A infraestrutura pretende igualmente facilitar a gestão do acervo e assegurar a sua circulação por museus e outros espaços expositivos em todo o país.

O CACE – Centro não substitui os museus de arte contemporânea existentes, funcionando antes como estrutura de apoio à circulação e difusão da coleção. A programação prevê a realização de exposições, atividades educativas e iniciativas que promovam o contacto com o acervo, mantendo a articulação com outras instituições culturais.

No mesmo dia, foi assinado um protocolo de cooperação entre a Museus e Monumentos de Portugal (MMP), entidade responsável pela gestão dos museus nacionais, e a Câmara Municipal de Cascais. O acordo visa reforçar a colaboração institucional no âmbito da atividade cultural e da gestão do património.

A exposição inaugural, intitulada Dual Sim, reúne 23 obras integradas na coleção, provenientes dos programas de aquisição iniciados em 2019. A mostra, com curadoria de Filipa da Rocha Nunes e Sofia Montanha, propõe uma leitura do novo espaço enquanto estrutura aberta ao público, mas também preparada para a circulação nacional das obras.

De acordo com a direção da CACE, o objetivo passa por dar a conhecer os processos associados à gestão de uma coleção pública, incluindo as práticas de conservação e salvaguarda do património artístico. O espaço é igualmente apresentado como um ponto de encontro entre públicos, artistas e investigadores.

Atualmente, cerca de 1.300 obras encontram-se instaladas no novo centro, mantendo-se as restantes distribuídas por depósitos e instituições parceiras, incluindo autarquias, embaixadas e outros organismos públicos. O acesso ao espaço é feito mediante marcação prévia e destina-se a visitantes individuais, estudantes, investigadores e profissionais do setor. A entrada é gratuita.

O edifício que acolhe o CACE – Centro pertenceu anteriormente à Fundação Ellipse, associada ao Banco Privado Português, tendo sido adquirido pelo Estado no âmbito do processo de insolvência da instituição financeira. O imóvel foi posteriormente alvo de obras de adaptação para responder às exigências técnicas do novo uso.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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