Capitão Fausto com a Orquestra das Beiras no Campo Pequeno (Reportagem)

Um jogo de luzes fantástico acompanha a banda, vestida a rigor com um guarda-roupa de cores fortes: “Qual é que é a guerra que acaba amanhã?”, perguntam os Capitão Fausto, e o mote é quanto basta para a plateia do Campo Pequeno reagir ao tema que tão bem conhece, entoando também o tema “Lentamente”.

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Em palco estão Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra, Manuel Palha, Salvador Seabra e Francisco Ferreira, mas, no sábado passado, os Capitão Fausto não estiveram sozinhos. Os anfitriões da noite tiveram a seu lado a Orquestra Filarmónica das Beiras, assinando ambos um concerto (que foi filmado) recheado de bons momentos para destacar.

Depois de “Faço as Vontades”, seguem-se os devidos cumprimentos: “Meu grande pessoal como é que estamos? Parece surreal, mas não é! Só faz falta quem cá está!”

É altura de puxar pelo público, que começa a ganhar mais energia, cantando em conjunto “Pontas soltas, isso é comigo!”, enquanto capricha nas palmas ao ritmo da batida. “Continuemos”, sugere Tomás. E assim foi, com “Sempre Bem”, “De Semana em Semana”, “Os Dias Contados” e “Maneiras Más”, num alinhamento que navegou desde o álbum Gazela até ao mais recente A Invenção do Dia Claro.

Ao longo do concerto, a banda e a orquestra – liderada pelo maestro Martim Sousa Tavares – encarregar-se-ão de presentear as bancadas com solos magníficos, com destaque para o baterista Salvador Seabra, com uma prestação inesquecível na bateria.

“Certeza” antecede a muito aguardada balada “Amor, a Nossa Vida”, tocada ao piano apenas com um foco de luz na direção de Tomás Wallenstein. O público sabe a letra de cor, quase como se a tivesse estudado, e canta do início ao fim, numa entrega que o vocalista agradece, formando um coração com as mãos.

capitao fausto campo pequeno

Porque o repertório dos Capitão Fausto é extenso, seguem-se “Outro Lado”, “Lameira”, “Amanhã Tou Melhor” e “Morro na Praia”. Pode o concerto estar mais perto do fim, mas a energia do público é cada vez maior: os fãs saltam, cantam a plenos pulmões e há quem faça vénias, rendido aos artistas no palco.

“Tenho uma lágrima no canto do olho”, confessa o vocalista antes de começar “Santa Ana”, uma das favoritas e que teve direito ao tão espetacular solo de bateria. A seguir é tempo para  “Boa Memória” e “Tem de Ser”, com a apresentação dos músicos da banda e da orquestra pelo meio. Quando chega a vez de “Teresa”, o público canta tão alto que Tomás chega mesmo a sentar-se para ouvir cantar o Campo Pequeno em uníssono: “Põe o maço na mesa, a mão na Teresa e os pés no chão”.

Depois de “Célebre Batalha de Formariz” e “Verdade”, ninguém parece querer ir embora, mas “tudo o que é bom tem de chegar a um fim, senão arrisca-se a ser demais…”, refere Tomás, dizendo ao público um “Vocês são fabulosos!” e rematando com um pergaminho de agradecimentos (literalmente) que o cantor lê até ao fim, citando o nome de todos os envolvidos “neste projeto que demorou meses a preparar e começou por ser um sonho”.

Fechados os agradecimentos, ouvem-se os acordes de “Alvalade Chama por Mim”, com um arranjo brilhante e a sonoridade preciosa da orquestra – lindo, é dizer pouco.

Sem surpresa, os Capitão Fausto despedem-se com “Final”, deixando uma frase bem conhecida por todos na sala “Eu sempre disse a mesma coisa: se eu não ficar contigo é tudo em vão.”  Será que alguém conseguiu evitar um arrepio?

Texto de: Inês Peralta; Fotos de: Arlindo Camacho

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