Fundada em plena pandemia, a Broolls alia a produção manual em Portugal à expansão internacional, indo desde óculos de sol a vestuário de luxo discreto.
Em pleno período de confinamento social, no ano de 2020, os irmãos Ribeiro decidiram desafiar a conjuntura global e fundar a Broolls, uma marca portuguesa de óculos de sol que nasceu da fusão conceitual entre as palavras brotherhood e cool. O projeto surgiu da identificação de uma lacuna clara no mercado nacional, uma vez que não existia nenhuma marca portuguesa de óculos de sol com reconhecimento internacional. Movidos pela ambição de preencher esse espaço, estruturaram um modelo de negócio assente na produção inteiramente manual e localizada em Portugal, onde cada par de óculos demora cerca de 15 dias a ser concluído, desde o processo inicial até ao acabamento final.
A qualidade dos materiais surge como o pilar central da insígnia, que recorre a acetato italiano e a lentes Zeiss com uma espessura precisa de 1,8 milímetros. O próprio logótipo da Broolls reflete a identidade do projeto, jogando com uma ambiguidade visual que tanto pode ser interpretada como um piscar de olhos, numa alusão direta ao produto que comercializam, como uma abstração gráfica resultante da junção de dois olhos e de duas letras L.
A aceitação do produto no mercado externo impulsionou uma rápida expansão e a Broolls conta já com 35 pontos de venda distribuídos por Portugal, Espanha, França e Geórgia, operando nestes locais através de parcerias com retalhistas estratégicos. Perante a elevada procura e o feedback positivo dos clientes relativamente à qualidade dos óculos, a marca cedeu aos pedidos do público e alargou o seu catálogo para além do segmento ótico.
A diversificação começou com a introdução de bonés, também eles confecionados manualmente em Portugal, e de malas de pano do tipo tote bags. Ambos os produtos partilham um elemento estético comum, que passa pela inclusão de detalhes em pele natural selvagem, um pormenor que conferiu ainda mais notoriedade e atratividade à marca. O percurso de crescimento prosseguiu no setor do vestuário com o lançamento de polos, sweatshirts e hoodies, culminando, em abril passado, com o lançamento de t-shirts que se tornaram um fenómeno imediato de vendas. Esta peça de vestuário específica foi introduzida para assinalar a inauguração de um novo espaço físico e esgotou rapidamente, registando mais de duas mil unidades vendidas desde o momento do seu lançamento.
O sucesso destas peças de vestuário assenta na premissa de utilizar a melhor malha disponível no mercado e assegurar um toque de suavidade invulgar, complementado por uma robustez que se traduz na gramagem de 220 gramas, um valor significativamente superior ao padrão habitual do mercado, que se situa frequentemente a partir das 160 gramas. Esta aposta em malhas de nível superior visa garantir que o vestuário mantém a sua integridade e qualidade mesmo após múltiplas lavagens. Toda a coleção insere-se numa filosofia global de lifestyle chic, caracterizada por uma postura discreta onde impera a máxima qualidade sem a necessidade de exibições ruidosas, motivo pelo qual as peças não apresentam frases, desenhos ou o nome Broolls inscrito de forma evidente, ostentando apenas o logótipo de forma subtil.
A nível de infraestrutura própria, a Broolls abriu o seu primeiro espaço de testes em Espinho, a terra natal dos fundadores, e prepara-se para abrir uma nova loja na zona da Grande Lisboa dentro de seis meses. Os planos de expansão da empresa preveem a consolidação de uma rede de retalho com pelo menos três lojas próprias num horizonte de dois anos, mantendo um controlo total sobre o conceito do espaço. Embora a marca lide com uma procura internacional expressiva, que já incluiu propostas de encomendas na ordem das milhares de unidades para o mercado norte-americano, a administração opta por uma estratégia de crescimento ponderada e sem ansiedade, contornando para já desafios logísticos dessa dimensão para assegurar a sustentabilidade do negócio.
No portefólio da marca constam ainda meias com temas tipicamente portugueses, como a sardinha, o manjerico, o vinho, o elétrico, a andorinha e a nata, que integraram uma campanha de marketing anterior direcionada para o mercado de recordações. No que diz respeito à nomenclatura dos modelos de óculos, a Broolls iniciou o seu percurso com referências espaciais e astrológicas, batizando peças com nomes como Moon, Lynx, Cosmos, Orion ou Pegasus, mas evoluiu recentemente para designações mais personalizadas e ligadas aos fundadores, destacando-se o modelo Preza, que homenageia o apelido de um dos sócios e constitui o maior sucesso de vendas da casa; o modelo Daisy, batizado em honra da filha de um dos fundadores; o modelo Salty, que remete para as origens litorâneas dos parceiros; além dos modelos Courage e Destiny, que simbolizam a coragem e o destino de erguer uma marca de raiz inteiramente autêntica e portuguesa.
