Best Youth na Timeout Market Lisboa: Como o synth-pop nos conquistou

O Timeout Market Lisboa recebeu os Best Youth na passada sexta-feira para uma noite onde o synth-pop reinou. O mote foi a apresentação do novo álbum Cherry Domino, o segundo longa-duração da banda, lançado digitalmente em junho passado. De notar que entre o álbum de estreia Highway Moon e este distam três anos – entre os lançamentos houve ainda uma reedição desse primeiro álbum  no ano passado, com direito a mais duas novas canções -, mas aqui o que interessa é a qualidade.

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E é na qualidade que Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas dos Best Youth primam. Se no álbum de estreia foram alvo de críticas extremamente positivas, a tendência deverá permanecer com este Cherry Domino. A juntar à festa foi também a apresentação de quem os acompanha ao vivo, uma verdadeira nata musical portuense, a saber: Fernando Sousa (X-Wife), Miguel Ferreira (Clã) e Tito Romão (Salto).

A aposta mostrou-se ganha logo à primeira canção: entraram de mansinho com “Feelings”, deste novo álbum, uma mostra bastante clara de que a sonoridade dos Best Youth não mudou, apenas evoluiu, para melhor. Isso mesmo nos confirmou “New Boy New Girl”, canção que se seguiu, onde a presente melancolia nas palavras de Catarina Salinas era envolvida numa canção que podia ser uma lullaby dos anos 80.

A exploração por Cherry Domino continua pela sublime “Nightfalls”, exercício pop onde a voz de Catarina Salinas assenta lindamente no meio do sintetizadores e das drum-machines. O ingrediente que sobressai é, claramente, a facilidade com que as canções do novo álbum nos metem a dançar.

Aproveitando o mote, é-nos apresentado de seguida “I’m Still Your Girl”, single de 2013, a primeira incursão no espólio que os Best Youth criaram antes de Cherry Domino seguida de “Nice Face”, fruto da colaboração com os We Trust no grupo There Must Be a Place, canção sobejamente conhecida e ouvida do público português. Por esta altura do concerto, os Best Youth já nos tinham conquistado sem qualquer sombra de dúvida: a voz sussurrante e sexy de Catarina Salinas conjugava-se na perfeição com as composições de Ed Rocha Gonçalves e a prestação do grupo era cativante.

A setlist foi muito bem escolhida e, conscientemente ou não, o concerto foi crescendo em intensidade perante os temas apresentados. Seguiu-se “Part of the Noise”, uma colaboração brilhante com Moullinex no novo álbum e uma forma nos levar de volta ao synthpop (e de nos pôr a dançar com facilidade, já agora!), a fabulástica “Red Diamond” e “Black Eyes” – ambas do Highway Moon – e chegamos a “Hang Out”: tempo para uma breve menção, por parte da banda, ao primeiro single da carreira, que teve várias versões até àquela que nos foi aqui apresentada. Seguiram-se “Sunbird” e “Renaissance”- inclusões na versão reeditada de Highway Moon – bem-dispostas e exemplos de um pop descomprometido, mas extremamente bem conseguido, para fechar, por ora, o baú das memórias, pois o mote (ainda) era o álbum Cherry Domino.

A entrada de “Highlights” releva bem a evolução dos Best Youth na construção de canções pop. As referências e lembranças à tão-presente década 80 não será motivo para minorizar a obra dos Best Youth, antes pelo contrário, é motivo de orgulho tal como nos mostra “Coincidence”, a balada que trouxe, por breves momentos, a calmaria ao público do Timeout Market.

Mas o tempo escasseava; “Desintegrate” – tema que fecha o novo álbum – com uma tonalidade subliminarmente jazzy, mas altamente eficaz, e onde a voz de Catarina Salinas subtilmente nos guia num refrão viciante fechou a sequência de novidades.

Para o final ficaram os trunfos, as que faltavam ouvir – as que queríamos ouvir! – primeiro o single que antecedeu Cherry Blossom: o magnífico “Midnight Rain”, prova brilhante do synth pop dos Best Youth, desde os sintetizadores reminiscentes aos New Order aos acordes da guitarra límpida de Ed Rocha Gonçalves, que podiam lembrar os The Sundays. A fechar, a mais-do-que-aclamada “Mirrorball”; peça-chave do primeiro álbum e, sem dúvida, a mais aguardada. Não houve dúvidas: a noite tinha sido ganha. Pelos Best Youth e por nós. E queríamos mais.

Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salina, muito envergonhadamente, disseram-nos que não tinham preparado encore, mas ainda ofereceram “When All Lights Are Down”, o final de um concerto que não serviu apenas para apresentar o novo álbum dos Best Youth, mas para os (re)confirmar como um dos projetos de música pop made in Portugal mais interessantes desta década.

Será seguro aconselhar os Best Youth a preparar encores doravante. Diz que é preciso.


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