Being As An Ocean – Quem quer ser do core?

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O passado dia 30 de novembro foi palco para o aguardado regresso dos Being As An Ocean a terras lusas. A noite no Estúdio Time Out em Lisboa arrancou com os Dream State que, apesar de tocarem só para meia sala, nunca deixaram transparecer qualquer incómodo com a situação. Os agradecimentos ao público e os hand hearts foram uma constante e os sorrisos rasgados de todos em palco mostravam que, mesmo se o público fosse pouco, a resposta do mesmo estava a agradar.

Foi um concerto de post-hardcore? Nem por isso. Os Dream State gostam dos seus refrães bem orelhudos e há tons de Linkin Park por todo o lado no som dos galeses. Um bom arranque, mas nada de especialmente estrondoso.

Já os franceses Novelists apostaram definitivamente pelo estrondo, com mais ênfase na demolição auditiva. Atenção, os refrães memoráveis andavam por lá e as juras de amor ao público também. Mas a proposta aqui era bem musculada e nem a intrusão de alguns momentos mais introspetivos, com direito a um pedido do vocalista Matteo Gelsomino para que telemóveis de luz ligada fossem colocados no ar (e com um delicioso icónoclasta a levantar um isqueiro), cortaram com a direção mais pesada que a noite ia tomando. Isto é… metalcore? Ainda vai sendo, mas tal como os seu predecessores em palco, há uma visível vontade de mostrar a uma audiência maior aquilo que querem (e conseguem) fazer.

E eis-nos chegados ao prato principal da noite. Os Being As An Ocean (BAAO) ainda não chegaram à década de existência, mas tudo na sua apresentação e conduta ao vivo atrai uma experiência e um à vontade que os seus juniores só podem, no máximo, tentar copiar e esperar por resultados semelhantes. Posto de uma forma mais crua, a partir deste momento todos os breakdowns foram mais profundos, todas as melodias mais vibrantes e, em todos os momentos, o público estava absolutamente a comer da mão dos americanos.

Créditos: Carlos Mendes

Publicado por Echo Boomer em Quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Se as malhas do mais recente Proxy: An A.N.I.M.O. Story, com todos os seus desvios para a música eletrónica, não convenceram os fãs mais antigos, o oposto foi claramente visivel na agitação patente na fila da frente desde do momento em que o primeiro acorde soou. Se o objetivo era revitalizar o som da banda e abrir as portas toda uma nova vaga de fãs, então essa etapa está ganha. E se a fila da frente (e a de trás, dos lados e praticamente de uma ponta a outra da sala) queria saber se o fogo ainda arde nas entranhas de Joel Quartuccio, então o mesmo dispôs-se a dar explicações cara-a-cara. Literalmente.

Ignorando o palco, o vocalista deabulou pelo público durante praticamente metade do concerto, certificando-se que os seus acólitos estavam a prestar atenção. Eventualmente houve mais um pedido de telemóveis no ar (e mais uns icónoclastas que sacaram do isqueiro…) e até um pedido para ajoelhar ao que o público assentiu de imediato. O comando sobre a atenção de quem os via foi quase total durante todo o serão.

Isto ainda é… qualquer coisa-core? Só por momentos, quando a banda exuma algo do seu passado (como a execução demolidora de “The Hardest Part Is Forgetting Those You Swore You Would Never Forget” no encore).

No presente, os Being As An Ocean mostram que, se as raízes ainda estão na visceridade do hardcore, a cabeça já se encontra a milhas de distância, no balanço entre algo mais experimental e a adulação das massas. E se este concerto provou alguma coisa é que, mesmo se não agradar a todos, a sua visão não será negada.

Texto de: João Ribeira; Fotos de: Carlos Mendes

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