Bairrada@LX – Fomos provar vinhos (dos bons) ao Mercado da Ribeira

por Bruno Rocha Ferreira

A Bairrada tem-se assumido como uma das mais interessantes regiões do panorama vinícola Portugal. Foi assim bem-vinda a 3ª edição do Bairrada@LX, no piso de cima do mercado da Ribeira, em Lisboa, onde se concentraram várias propostas dum terroir que importa acarinhar e proteger, pelas suas excelentes características e reduzido número de produtores. Destaque ainda para o facto de se poder realizar as encomendas após entrega à organização de um prático programa.

Assim, damos nota de algumas das nossas melhores provas, organizadas por produtor:

Adega de Cantanhede: Casa multi-medalhada e especialista em espumantes em terra rica dos mesmos, não se poderia deixar de colocar em destaque o Marquês de Marialva, nas modalidades 2017 Bical e Arinto Reserva 2014, com 24 meses de cave e cor cítrica, com bolha fina e bom final de boca, bem como o Baga Cuvée do mesmo ano, também com citrino mas complexo, com algumas notas de fruta seca.

Nelson Neves: Oportunidade aqui para mudar de agulhas e provar um rosé inteiramente Merlot de 2017, de perfil delicado e com gosto floral e a frutos silvestres. Boa relação qualidade/preço e indicado para um final de tarde.

Vadio: Nos tintos deste jovem projecto, e não obstante a qualidade evidente do Vadio 2015 e Grande Vadio 2014, lugar de honra para o Rexarte de 2017, totalmente à base de uvas de uma parcela única de encosta, num terreno bem arenoso. Um Baga de grande classe num lote muito limitado de 800 garrafas. Em brancos, o blend Cercial e Bical do Vadio 2017 apresenta-se intenso e com boa acidez.

Quinta de Baixo (Niepoort): Carrega-se aqui um rótulo com o nome daquele que muitos consideram o melhor viticultor de sempre da Bairrada, criador do célebre Especial Tonel 5: Gonçalves de Faria. O branco 2015 (com a curiosidade deste Engenheiro nunca ter colocado em vida os seus brancos para venda), à base de Bical e Maria Gomes, apresenta-se austero, mas com notas de citrino, nunca perdendo a sua mineralidade. Em modo tinto, o 2015 100% Baga mostra-se delicado e fino, com giz, louro e fruta fresca.

Também desta quinta importa falar do Drink Me, um vinho Nat Cool. Este movimento, inspirado por Dirk Niepoort, tem premissas extremamente simples: menos álcool, nemos sulfitos, mais acidez, menos preço. Tratam-se de vinhos engarrafados em garrafas de um litro, em que para ter o selo Nat Cool basta enviar a Dirk Niepoort um exemplar e, caso ele aprove, seis garrafas por ano. Neste caso, um vinho muito leve e ideal para partilha em conversa.

Quinta das Bágeiras: Entre as diversas ofertas desta simpática quinta, nos brancos lugar de destaque para a boa relação qualidade/preço do 2017 Reserva, com 70% Bical e 30% Maria Gomes (perfume a maçã verde fantástico), bem como para o Avô Fausto 2017 (só Maria Gomes) e Garrafeira 2015 (idem, mas em barrica velha não filtrada). Nos tintos, um muito redondo e com bons taninos Avô Fausto 2016, 100% Baga.

Sidónio de Sousa: Um clássico da Bairrada, que apresentou em Lisboa, para além dos seus muito competentes Merlot 2015 e Baga 2015 (este último com mais força nos taninos, o fantástico Garrafeira 2009). Um Baga cheio de intensidade, couro, chá verde, com muita extracção e muito estágio. Grande.

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