Esperava-se mais azeitona e qualidade superior, mas a seca e despesas incomportáveis estão a empurrar vários agricultores para o limite.
As condições meteorológicas registadas em Trás-os-Montes revelaram-se inicialmente favoráveis para a produção de azeitona, apontando para um crescimento na ordem dos 20% a 30% em relação ao ano transato e permitindo perspetivar uma campanha positiva tanto em termos de quantidade como de qualidade.
No entanto, as temperaturas elevadas que se fizeram sentir durante o mês de outubro estão a comprometer seriamente o setor, uma vez que a grande maioria dos olivais do distrito de Bragança são de sequeiro. As árvores encontram-se em profundo stresse hídrico, gerando a necessidade urgente de precipitação para travar a degradação dos frutos, sob o risco iminente de parte substancial da azeitona não chegar a ser colhida.
O contraste entre modelos produtivos evidencia-se de forma direta no terreno: olivais da variedade Cobrançosa em regime de sequeiro apresentam frutos reduzidos, enquanto parcelas contíguas que beneficiam de regadio mantêm azeitonas de calibre superior e em boas condições. O acesso à água afigura-se determinante, mas a transição para sistemas regados exige investimentos de grande escala, nomeadamente na abertura de furos, na instalação de tubagens e na montagem de bombas alimentadas por painéis fotovoltaicos para viabilizar uma rega de precisão sem desperdício de água. Estes montantes revelam-se proibitivos para grande parte dos pequenos agricultores da região, que já enfrentam um quadro económico de crise.
A situação financeira das explorações agrava-se com a disparidade entre custos e receitas. Ao mesmo tempo que as previsões apontam para uma descida no preço do azeite, as despesas associadas à colheita aumentaram exponencialmente. O aluguer de maquinaria pesada subiu cerca de 40 a 50€ por hora, o que, somado à necessidade de reboques, atira os encargos diários para valores a rondar os 1.500€ para um agricultor. Perante a escalada nos combustíveis, no aluguer de máquinas e na mão de obra, os custos tornam-se incomportáveis, forçando os produtores a ponderar abandonar a azeitona por colher diretamente no campo.
Frente ao aumento dos fatores de produção e à estagnação ou desvalorização do produto final, a sustentabilidade da olivicultura transmontana assenta na procura de valor através da qualidade e diferenciação.
