Análise – Ninebot KickScooter D18E

Será esta uma boa opção para os vossos trajetos diários? Bom… depende das expectativas. E das condições.

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Antes da pandemia, Portugal, mais especificamente a zona de Lisboa, vivenciou uma febre de trotinetes elétricas partilhadas. Chegámos a ter, na cidade, mais de 10 operadores diferentes, o que mostrou que havia demasiada oferta para a procura.

Com o passar do tempo, várias empresas deixaram de ter trotinetes no nosso país, pelo que acabámos por ficar “limitados” às propostas de um mão cheia de marcas, o que era mais que suficiente. Depois veio a pandemia, deixou tudo em standby, mas recentemente este nicho de mercado voltou a mexer novamente.

Porém, desde há vários anos que muitos portugueses viram nestas trotinetes uma inteligente opção de deslocação para o trabalho, desde que esse trajeto seja fazível, é claro. Com uma panóplia de marcas que apostam nestes veículos, oferta é coisa que não falta, e muitos utilizadores começaram a não pegar no carro e a evitar os transportes públicos para se deslocarem por si próprios nas suas trotinetes.

No mercado, a Segway-Ninebot é uma das mais conhecidas, apresentando novos produtos regularmente. No passado mês de março, a marca apresentou a nova série KickScooter D, constituída por três modelos – D18E, D28E e D38E -, veículos pensados para quem vive em grandes cidades e que podem beneficiar da possibilidade de mudar de meio de transporte, permitindo chegar com segurança ao destino. No fundo, trata-se de uma forma eficiente de evitar engarrafamentos de trânsito.

Ora, a marca enviou-me gentilmente o modelo de entrada de gama, o D18E, e embora tenha ficado inicialmente entusiasmado, rapidamente comecei a ficar desiludido. Já explico.

Antes disso, vamos às características técnicas deste modelo: motor de 250W, peso de 14,8kg, autonomia de até 18km, velocidade máxima de 25 km/h, pneus de ar de 10″ com tubo interior, luz dianteira integrada de 2,1W, até 10% do ângulo de inclinação, campainha de pressionar incluída, bateria de 183 Wh (5100mAh), ecrã LED a cores, três modos de condução e, ainda, refletores E-MARK na dianteira, laterais e traseira. Para este modelo, recomenda-se que, quem a conduza, não pese mais de 100kg.

Ao tirá-la da caixa, rapidamente notamos o seu peso de 14,8kg, bastante considerável, o que não a torna propriamente transportável em modo dobrável – recomenda-se mesmo que a conduzam e, quando chegam ao destino, a dobrem e a guardem algures.

Apresenta um design impetuoso, com apoios dos pés em vermelho-vivo, pelo que este não será um ponto negativo, ainda que muitos prefiram uma cor mais sóbria. Este modelo, tal como os restantes da série D, apresenta uma estrutura de tubo duplo com uma forma triangular, criando uma estrutura forte e estável. De facto, a nível de estabilidade e fiabilidade, não deixará a desejar.

Para essa estabilidade, também temos de salientar os pneus de 10″ com câmara de ar, que proporcionam uma condução confortável e suave. O forro de polímero e o fio resistente ao desgaste dos pneus conferem estabilidade e a maior durabilidade. Nas rodas, também encontramos os dois travões independentes controlados pela alavanca: na roda dianteira, temos um sistema eletrónico de travagem anti-bloqueio (E-ABS), e, na roda traseira, um travão de tambor. Combinados, estes travões oferecem maior estabilidade e segurança em durante as deslocações.

Se tudo isto parece bem no papel, na prática não é bem assim. Como dizia, depois de retirar a trotinete da caixa, que vinha dobrada, rapidamente a deixei pronta. Atenção que, antes de uma primeira utilização, irão necessitar de aparafusar quatro parafusos, de modo a prender o guiador da Ninebot D18E, que vem “desmontado”, por assim dizer. É muito simples e não precisam sequer da ajuda de alguém para concluir este passo.

Já pronta, basta pressionar no botão Power do guiador durante três segundos. Ouvem um bip. Está ligada e pronta a funcionar. Contudo, e antes de a conseguirem efetivamente utilizar, terão de a registar na app para smartphone Segway-Ninebot, de modo a que a trotinete fique ligada ao vosso perfil – irá aparecer a informação de que são orgulhosos donos do modelo em questão. A trotinete tem Bluetooth e está sempre ligado, o que significa que bastará ligar o Bluetooth do vossos smartphone, encontrar o veículo e fazer o respetivo emparelhamento. A partir daí é ir seguindo os passos. Garanto-vos que é bastante simples.

Ainda antes de começarem a conduzir, a app irá alertar-vos para uma série de parâmetros, dizendo-vos para usarem capacete e proteções no cotovelo e joelhos, assim como para verificarem o estado dos pneus. Estão então prontos para viajar.

A partir daqui, irão principalmente concentrar-se no ecrã LED, que vos dá informações da velocidade, modo de condução e autonomia, bem como no botão do lado esquerdo para travar e no do lado direito para acelerar. E claro, não nos podemos esquecer da campainha, super útil para avisar peões que estejam nas ciclovias.

É tudo bastante responsivo e imediato neste modelo. Quem já utilizou as trotinetes que mencionei no início do texto irá sentir-se em casa, por outro lado, quem está a experimentar pela primeira vez pode ter algum receio, mas dada a tal estabilidade que também já referi, rapidamente irá ganhar confiança e perder o medo.

Naturalmente, esta é uma trotinete pensada somente para uso citadino… e é logo aqui que reside um dos problemas. Muitas cidades portugueses têm subidas íngremes e descidas acentuadas, fazendo com que, nessas zonas, o uso de uma trotinete seja impossível.

Aqui em Setúbal, cidade onde moro, acontece o mesmo. Tentei fazer o trajeto da minha casa até ao local de trabalho da minha esposa, mas rapidamente apercebi-me de várias dificuldades: a falta de ciclovias, pisos irregulares e um consumo de bateria absurdo.

Setúbal é uma cidade que já começa a ter vários passeios, onde se incluem ciclovias, mas ainda há muito trabalho pela frente. Dito isto, o uso de trotinetes na cidade somente se recomenda na zona do Alegro Setúbal, junto às docas e numa ou outra zona. Isto caso prezem a vossa segurança e não se habilitem a conduzir a trotinete na estrada propriamente dita, o que é um perigo, embora muita gente o faça.

No que toca aos pisos irregulares, nas viagens que fiz passei por imensas pedras da calçada. Embora umas zonas sejam relativamente estáveis, noutras as pedras sentem-se demasiado, sendo impossível estar em cima da trotinete. E depois, esta é uma cidade com muitas subidas, o que faz com que o fraco motor de 250W da D18E, e o seu ângulo de inclinação de até 10%, deixem francamente a desejar. Confesso que não me aventurei nessas subidas porque já previa o seu desfecho. Fiz o teste nas imediações do Alegro Setúbal e, como umas partes da ciclovia são inclinadas, rapidamente a trotinete perdeu força e não conseguia acelerar, o que fez com que tivesse de recorrer ao meu pé para dar balanço.

Em relação à autonomia… uma desilusão. Já sabemos que as marcas tendem a anunciar determinados resultados de autonomia recorrendo a testes específicos e em ambientes controlados, sendo praticamente impossíveis de replicar. No caso da Ninebot D18E, a trotinete consegue, de facto, chegar aos 18 km de autonomia… mas para isso não a podem ter ligada ao smartphone via Bluetooth e terão de mudar para o modo de velocidade ECO, que reduz a velocidade máxima para 15 km/h (recorde-se que a trotinete atinge 25 km/h). Logo, conseguem compreender o meu espanto quando, ao “trotinetar” no modo normal, cada barra de energia – existem cinco ao todo – ia desaparecendo a cada dois quilómetros percorridos… ou nem tanto. Por outras palavras? No modo normal, ao invés dos até 18km anunciados de autonomia, podem contar com cerca de até 10km… E estou a ser simpático.

ninebot kickscooter d18e

Esta fraca autonomia traz logo outro problema: mesmo que alguém consiga utilizar a trotinete num trajeto casa-trabalho-casa, bastará esquecer-se de colocar a trotinete a carregar no trabalho para não a conseguir utilizar. Sim, ou a usam sempre em modo de economia e sem o Bluetooth, ou, caso a queiram utilizar diariamente, muito provavelmente terão de a colocar à carga todos os dias – demora cerca de 3,5 horas a carregar totalmente.

Outro aspeto que me deixa profundamente aborrecido é a extrema dificuldade em dobrar a Ninebot D18E. Se desdobrar é algo que se faz com bastante facilidade, dobrar é uma tarefa quase hercúlea. Embora as instruções que a marca forneça façam parecer que é bastante simples – rodar o gancho de segurança no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio e abrir a alavanca de libertação rápida, para depois alinhar o gancho de segurança e a fivela para os prender -, a verdade é que, na prática, é extremamente complicado de o fazer, e não devia de ser assim. Dobrar e desdobrar devia ser algo facílimo e que exigisse pouco esforço, mas, no caso da dobragem, não é mesmo o caso. De facto, a última vez que utilizei a trotinete nem a consegui dobrar. Até pode ser da minha falta de jeito, mas não pude deixar de ficar mal impressionado.

No fim do dia, é preciso um cenário muito específico para avançar para a compra da Ninebot D18E. Se vivem perto do trabalho e têm uma ciclovia disponível, talvez possa ser uma boa compra pelos seus 359€ (e pode até ser adquirida com algum desconto aqui). Se não for o caso, o melhor mesmo é continuarem com os transportes públicos.

Este dispositivo foi cedido para análise pela Segway-Ninebot.

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