Análise – Sword Art Online: Fatal Bullet – Só para fãs

Existem várias adaptações de animes para videojogos, com tentativas mais ou menos falhadas. E existem muitos bons casos. Depois temos Sword Art Online, um anime que nos leva a um mundo em que os personagens estão dentro de um jogo de Realidade Virtual.

Há poucos animes mais indicados para virarem videojogo que Sword Art Online. Porém, esta nova tentativa de Sword Art Online é bastante diferente do habitual. Se esperavam um jogo com as armas medievais do costume, aqui temos armas futuristas, reminiscentes de espingardas, caçadeiras e metralhadoras. Juntar espadas e balas no mesmo título podia ser uma jogada arriscada. E foi.

Sword Art Online Fatal Bullet é um jogo baseado em Gun Gale Online, um VRMMORPG – Virtual Reality Massively Online Role-Playing Game, que, no anime, trata-se do terceiro jogo fictício apresentado. Ou seja, estamos perante um videojogo baseado num videojogo de uma série anime. Parece confuso, mas não é.

Este nova incursão em Sword Art apresenta-nos um jogo que segue os eventos do anterior título da série, Hollow Realization. Aqui, ao invés de jogarmos com a personagem Kazuto Kirigaya, também conhecido como Kirito, temos a oportunidade de criar uma personagem com algumas opções de personalização, mas nada de muito complexo. Feito isto, iniciamo-nos no mundo de Gun Gale Online, o tal jogo virtual em que este videojogo é baseado.

O arranque dos acontecimentos surge logo quando Kureha, uma amiga de infância, nos convence a ir ao mundo daquele VRMMORPG à procura de um item especial. Ora, isto acontece precisamente numa altura em que chega uma nova atualização ao jogo virtual, que vem trazer melhorias e novas conteúdos àquele mundo.

Sorte de principiante ou não, a verdade é que somos nós que acabamos por encontrar esse item especial, que se trata de uma inteligência artificial conhecida como ArFA-sys, uma NPC que, ao contrário das restantes, é avançada o suficiente para conseguir evoluir e ter uma personalidade própria.

Ao sermos os donos desta IA, podemos personalizá-la, tal como fizemos com o nosso personagem, pelo que a ideia que se pretende passar é que esta IA está a aprender a subsistir com o jogador.

E é ArFA-sys que dá o mote para o desenrolar do jogo. Com um item tão raro, acabamos por chamar à atenção de todo o tipo de jogadores, que podem querer ser nossos aliados porque são bonzinhos, e que nos mostram a cidade ou apresentam a outros personagens, ou porque querem ser simplesmente os novos mestres da nossa IA.

Após esta longa introdução de apresentação ao mundo de Gun Gale Online, eis que podemos finalmente começar as nossas missões. Temos como objetivo evoluir a nossa ArFa-sys com novas habilidades e, para isso, necessitamos de concluir várias quests, sendo que, ao mesmo tempo que isto acontece, a nossa IA irá aprender o caminho para um local misterioso que será o foco da história.

Tratando-se de um RPG, temos o típico estilo de jogo em que temos de explorar várias zonas dos vários mapa para evoluir na história, sendo possível utilizar fast travel para onde quisermos em qualquer momento.

Mas este não é um RPG qualquer, é até bastante diferente dos outros jogos Sword Art Online.

Porquê? Ora, estamos perante um híbrido entre um JRPG e um TPS. Na teoria até pode soar a algo com potencial, mas a prática deixa a desejar.

Logo no início desta análise referi que deixámos as espadas de lado. Aqui armamo-nos em soldados de guerra com vários tipos de armas de fogo, sendo que cada uma tem as suas vantagens e desvantagens. E este é um dos problemas do jogo. Apesar da variedade de armas, torna-se algo confuso perceber que tipo de armas podem existir uma vez que são vários os níveis de raridade destas, sendo que existem itens e mecânicas que permitem melhorar as armas. Um sistema que poderia ser simples, mas não é. Falando em melhorias de itens, uma falha clamorosa do jogo é o facto de só nos deixar equipar novas habilidades ou itens num computador ou no lobby.

Já quanto estamos prestes a iniciar confrontos com os inimigos, damos conta de algo que nos deixará imensamente frustrados: não existe assistência de mira para as nossas armas. Isto até poderia ser desafiante quanto baste, mas é incrivelmente chato tentar acertar nos inimigos enquanto estes andam de um lado para o outro. Por outro lado, há outro modo de disparo, com uma mira semi-automática, mas que não foca no nosso alvo, fazendo com que estejamos a disparar às cegas e seja uma sorte acertar no nosso alvo. Lá acabamos por conseguir, mas o problema desta opção é uqe os danos infligidos são bastante diminuídos, pelo que preparem-se para passar algumas horas – se o quiserem, claro – a tentar fazer mira aos inimigos de forma exímia.

De resto o processo funciona como um típico JRPG, dar várias instruções à equipa para derrotar o inimigo ou curar algum elemento.

A inteligência artificial do jogo também é um bocado fraca. Vai passar pouco tempo até que repitam vezes e vezes o mesmo processo: disparar, desviar, fazer mira, disparar. Sempre isto, o que se pode tornar bastante maçador uma vez que, a dada altura, a diferença de nível das vossas personagens em relação à inteligência artificial vai ser alarmante.

Para vos contextualizar, apenas “morremos” quando todos os membros da equipa “morrem”, e isto é bastante raro acontecer. Mas morrer pode até nem ser mau de todo, uma vez que, quando isto acontece, regressamos à cidade base, com a energia reposta e onde podemos efetuar vários upgrades. E Sword Art Online: Fatal Bullet usa um sistema bastante peculiar. Imaginem que vão para uma zona onde está um inimigo forte e vocês estão num nível bem abaixo. Ora, mesmo que morram, o jogo não vos penaliza e deixa-vos ficar com a experiência acumulada, o que faz com que, se quiserem, possam ir vezes sem conta ao mesmo local até subirem de nível. Isto não faz muito sentido…

Tudo neste jogo é algo confuso desde o sistema de combate aos seus inimigos e respetivas evoluções de nível de jogo. As próprias batalhas podiam ser frenéticas, uma vez que podem estar muitos inimigos no ecrã, mas nunca tive a sensação de estar perante sessões de disparo épicas. Parece que falou algum interesse em transformar o jogo em algo mais complexo e cativante.

Há, também, um detalhe muito importante: a munição das armas. Cada arma tem uma munição específica, que não é propriamente barata, pelo que convém não andar a disparar às cegas, uma vez, que como aqui não existem espadas, estamos dependentes das nossas armas. E na altura de enfrentar um boss, perder a munição significa perder a batalha.

A nível visual o jogo mantém-se fiel ao universo de Sword Art Online, em que os personagens, como é óbvio, apresentam-se em estilo anime, e estão bem representadas, mas o resto da direção artística é desprovida de inspiração. Falo a nível de cenários e inimigos, em que parecem cópias uns dos outros, o que se torna bastante enfadonho para quem queria encontrar cenários de encher o olho. Mesmo os bosses parecem os mesmos inimigos de há uns metros atrás, mas maiores e com mais um ou outro poder.

No departamento sonoro, apesar das (boas) vozes em japonês, também não há aqui nada de destaque, com todas as faixas a soarem bastante repetitivas entre si.

Além de tudo isto, o grande problema de Sword Art Online está no excessivo uso de diálogos. Ao bom estilo japonês, somos brindados com vários ecrãs onde a personagem surge de frente para nós com texto com os diálogos por baixo. Isto podia até nem ser chocante, mas choca principalmente porque os criadores do jogo usaram e abusaram deste aspeto, fazendo com que o jogador tenha repetidamente de estar a carregar num botão para saltar estas partes. O mais “engraçado” é que chegam a acontecer batalhas enquanto temos estes diálogos, mas nós nem conseguimos jogar, ou ver, basta carregar no botão e passar à frente dos diálogos. É um problema bastante chato e que tira muita piada ao jogo, e isto sem falar dos múltiplos ecrãs de loading, outro aspeto negativo.

Quando se fartarem do modo história, têm sempre três opções extra de jogo. Um deles coloca-nos na pele de Kirito e só é jogável após progredirmos no jogo, e outros dois são online: modo cooperativo, em que nos juntamos em grupos de oito personagens para derrotar um boss, e modo PVP, em que duas equipas de quatro jogadores disparam entre si, mas com o objetivo final de derrotarem um boss.

Sword Art Online: Fatal Bullet é um jogo que só vai agradar a quem é realmente fã da série. A jogabilidade repetitiva, a confusão de mecânicas de jogo, os cenários desinspirados e os longos e sofríveis diálogos só serão suportados por alguns jogos.

Sword Art Online: Fatal Bullet
Nota: 7/10

O jogo (versão PS4) foi cedido para análise pela Bandai Namco.

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