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Análise – Street Power Football (Nintendo Switch)

A missão de Street Power Football é clara: enaltecer o futebol de rua ao pegar na nostalgia dos jogos do género, como foi o caso de FIFA Street.

A malta que está a agora a chegar à casa dos 30 anos de idade foi privilegiada no que toca à oportunidade de crescer a assistir ao futebol bonito, recheado de magia. Entre 2000 e 2010, aliada à necessidade comercial de vender mais, várias marcas gigantes associaram-se ao desporto para criar campanhas publicitárias magníficas como a Nike (com o Joga Bonito TV), Adidas, Pepsi, Lays ou até a Gillette.

Como a oferta deste tipo de campanhas era enorme, a criatividade era a chave. Graças a isto, dezenas de jogadores mostraram-se à altura do desafio, quebrando barreiras e demonstrando qualidades técnicas invejáveis e fintas/truques nunca antes vistos, nas quais Ronaldinho Gaúcho era Deus. Isto conferiu uma perceção diferente ao futebol na altura, onde mais do que jogar por ambição e competitividade, jogava-se pela sensação de alegria e adrenalina de aplicar em campo o que víamos nos vídeos. Era mágico!

Isto também se repercutiu no futebol mundial, graças ao já referido Ronaldinho, que para situações desafiantes, encontrava soluções criativas e geniais.
Com este avalo, a EA Sports decidiu desenvolver FIFA Street, título que teve um enorme sucesso global. No entanto, com o Barcelona do Tiki-Taka e maior foco na táctica do que nas qualidades individuais dos jogadores (Rasgos de Génio), esse tipo de futebol caiu em desuso e a franquia de rua do FIFA desapareceu.

No ano passado, a EA Sports decidiu relançar esse modelo de jogo de rua em FIFA 20, mas falhou na magia e pormenores técnicos por ser muito parecido com a dinâmica de jogo normal. Este ano surge Street Power Football (SPF), da SFL Interactive, com a promessa de explorar ao extremo o desvanecido potencial do futebol de rua para as consolas, onde o que mais interessa é a dita criatividade e pormenores técnicos estonteantes.

A nível de conteúdo, este jogo é bastante completo, na medida em que, para além dos típicos jogos de 3×3 (ou 2×2 e 1×1), também tem modos específicos, como o Freestyle, Trickshot e Panna. À parte disso, é possível embarcar no Modo História, onde estão compilados desafios relativos aos quatro modos distintos, acompanhados da narração por parte de Séan Garnier (um dos mais premiados freestylers do mundo).

A grande vantagem de SPF em relação ao modo Volta de FIFA é, sem dúvida, a magia do futebol que envolve (também presente no FIFA Street), embora às vezes pareça ser demais na forma como os consumíveis e super-poderes funcionam. A personalização também é um ponto positivo, trazendo mais diversidade e autenticidade dentro de campo.

Apesar de SPF poder vir a ser um rival a altura para o Volta, há muita coisa que precisa de ser melhorada para tal acontecer. Dentro dos modos, principalmente nos jogos de 3×3, fica a sensação de que os comandos disponíveis estão mal aproveitados, na medida em que fazemos truques e usamos especiais sem saber bem o que vai sair dali (nos especiais/consumíveis é mesmo arbitrário). Não faz sentido quando a Switch (onde foi análisado), e restantes comandos de outras plataformas, tem dois analógicos e botões direcionais. Isto contribui muito para que a fadiga e aborrecimento de jogar este jogo surja ao fim de poucas horas em volta do mesmo.

Os gráficos deixam bastante a desejar, quer nos tutoriais, quer na introdução e acompanhamento feito por Garnier (com o uso de ecrã verde mais do que notável), quer no jogo em si – em todos os modos. Para além disso, os modelos infantis dos avatares do jogo (na mesma linha dos de FIFA Street 3, mas piores) e as cores berrantes usadas para ilustrar tudo in-game, restringem Street Power Football a um público bem mais jovem.

Os gráficos nem são o ponto mais negativo, visto que o protagonismo é roubado pela mecânica fraca na forma como os jogadores interagem entre si, com a bola e a bola com o ambiente circundante. Eu sei que não é fácil conseguir o perfecionismo neste tipo de jogos de desporto, visto que nem FIFA, PES, NFL e NBA conseguiram aperfeiçoar ao máximo a mecânica. No entanto, estamos em 2020 e a jogabilidade do SPF está ao nível do Actua Soccer 1998. É inaceitável.

Ainda assim, a maior desfeita deste jogo na Nintendo Switch é não ser possível jogar offline. É incompreensível desenvolver um jogo para uma consola portátil e restringir essa portabilidade, com a necessidade de estar ligado à Internet para conseguir jogar.

Posto estes quatros pontos chave, o balanço não é positivo. Fiquei entusiasmado com o jogo, confesso. A ideia era francamente boa, mas foi mal executada. Como jogo para miúdos, é capaz de entreter pelo layout e imagem infantil, mas, ainda assim, a nível de qualidade, há muitos títulos melhores por onde escolher.

Fica a expetativa que no próximo capítulo hajam melhorias notáveis, porque o mercado de futebol de rua para consolas está num estado de sub-desenvolvimento pelo FIFA e um rival para puxar pela EA Sports era ótimo.

Nota: Mau

Plataforma: PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch
Este jogo (versão para Nintendo Switch) foi cedido para análise pela Best Vision Pr.

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