Steam Deck – Uma nova geração de dispositivos portáteis para jogos

A Steam Deck é a nova aposta da Valve em hardware e um novo passo na entrada do mundo das consolas, com uma visão aberta, transparente e extremamente entusiasmante.

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Revelada durante o verão de 2021, a Steam Deck prepara-se para finalmente chegar ao mercado depois de um pequeno atraso. Inicialmente aguardada para dezembro do mesmo ano, a nova consola da Valve está disponível por 419€ para o modelo de 64GB eMMC, 549€ para o modelo de 256GB NVMe SSD e 679€ para o de 512GB NVMe SSD. Esta é mais uma aposta da Valve no mundo do hardware, com um dispositivo que promete marcar a história das máquinas de jogos portáteis.

Não é a primeira vez que a Valve se aventura no hardware. Por esta altura, a marca já é também sinónimo de VR, com os seus headsets para computador Valve Index, e no mercado dos periféricos através do Steam Controller. Mas, no passado, a casa responsável pela mais popular loja de jogos digitais do mundo tentou a sua sorte com as Steam Machines, pequenos computadores que supostamente iriam substituir as consolas de sala, como a Playstation 4 ou a Xbox One. Infelizmente, não passaram de relíquias, com parcerias feitas com outras marcas como a Alienware, Origin, Gigabyte ou Asus, com diferentes modelos e características, tal e qual como PCs já pré-construídos.

Com ou sem sucesso, todas estas apostas no mercado de hardware foram lições, testes e estudos, tendo resultado num dos dispositivos mais aguardados, ambiciosos e completos para videojogos da atualidade: a Steam Deck.

Durante as duas últimas semanas, tive a oportunidade de conhecer melhor a Steam Deck, no modelo de 256GB NVMe SSD, naquela que foi uma das experiências mais entusiasmantes que já tive deste género. Porque a Steam Deck é legitimamente especial e sinto que não tirei partido nem de uma fração do que ela tem para dar.

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Um jogo numa liga muito própria

O que é, afinal, a Steam Deck? Uma consola? Um computador? Numa primeira impressão, podemos dizer que é uma consola. Décadas de consolas portáteis, com linhas, design e funcionalidades semelhantes, levam-nos a definir a Steam Deck como uma consola. Até porque o propósito out of the box para qualquer utilizador é jogar videojogos.

Mas a Steam Deck acaba mesmo por ser algo mais próximo de um computador, pelo potencial de utilização livre e aberto com que a Valve a apresentou, como “Um PC de jogos portátil” ou “um dispositivo gaming”. De facto, a Steam Deck foi desenhada com base numa plataforma já existente, a pensar no legado e na posição da própria tecnológica na indústria dos videojogos, nomeadamente a Steam Store, com uma rica e completa biblioteca de jogos.

Criar uma nova máquina de jogos de sistema fechado, com tanto potencial em cima da mesa, seria um enorme tiro no pé nos dias de hoje, até porque esta não é a história de origem da Valve num novo segmento da indústria, mas sim a evolução da mesma. Assim, a Steam Deck é um dispositivo de jogos onde nós, utilizadores, podemos levar a nossa biblioteca de jogos da Steam Store para qualquer lado. E esta foi a melhor coisa em que a Valve poderia apostar.

Por um lado, tem toda a comunidade de jogadores de PC com jogos na Steam a espreitar pela janela e a ponderar se quer levar os seus jogos para fora da secretária. Por outro, convida todo um grupo de jogadores e entusiastas à procura de uma nova máquina de jogos que responda a necessidades que uma PlayStation, Xbox, Nintendo ou um computador portátil de jogos são incapazes de corresponder. 

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Se pudesse comparar a Steam Deck aos restantes equipamentos de videojogos disponíveis no mercado, diria que esta aposta pode estar numa liga muito própria. É certo que não é o equipamento mais original, com outras soluções semelhantes resultantes de crowdfunding, como os dispositivos da GPD, o OnexPlayer ou o AyaNeo. No entanto, a Steam Deck não surge apenas a um preço mais convidativo e acessível, como é também um dispositivo mais aprimorado. Além disso, a Steam Deck tem consigo uma Brand Recognition que a torna automaticamente mais popular e apetecível. E isto, claro, sem falar de características e funcionalidades.

Ao mesmo tempo, temos outros dispositivos móveis dedicados a jogos, como os smartphones, cada vez mais evoluídos (mas fechados à experiência Android e iOS) e, mais recentemente, tablets como o Asus ROG Flow Z13, que podem ter alguma tecnologia revolucionária, mas continuam a ser essencialmente computadores/tablets e com um form factor menos aliciante ou prático para as finalidades que encontramos na Steam Deck.

E quanto às consolas? Bem, temos obviamente a Nintendo Switch, que, honestamente, também se encontra na sua própria liga.

Primeiro contacto

A experiência de unboxing é relativamente simples. A Valve optou pela simplicidade, com uma caixa de cartão reciclável decorada interiormente com texto indicador de onde podemos usar a Steam Deck, onde destaco a coragem de ter “na casa de banho” ou algo menos comum como “num submarino”.

Dentro dela encontramos então outra pequena caixa com um livrinho de segurança, manutenção e garantia, e um carregador USB-C de 45W, que, no caso da minha unidade, vinha com ficha norte-americana (os utilizadores fora dos EUA receberão o adaptador correspondente à sua região). E claro, temos então a nossa Steam Deck dentro de uma mala de transporte dedicada, cujo interior conta com o molde da consola para não afetar botões ou os joysticks com pressão acidental.

Como podem imaginar, e como também já viram noutras imagens, a Steam Deck é um dispositivo grande, com quase 30cm de largura, 12cm de altura e sensivelmente 4cm de espessura na parte dos punhos e 2cm de espessura abaixo da área do ecrã. São números impressionantes e não é para menos: afinal de contas, a sua dimensão ocupa pouco mais de metade da área de um Surface Pro de 12 polegadas. O seu comprimento é também semelhante à altura da Xbox Series X quando colocada na vertical. E, mesmo assim, nas nossas mãos, mesmo com uma primeira impressão de “é grande”, tudo parece fazer sentido. E sim, é maior que a Nintendo Switch, quase com a mesma diferença que esta tem da sua versão mais pequena — a Nintendo Switch Lite.

Apesar destas dimensões, a Steam Deck é surpreendentemente mais leve nas nossas mãos do que seria de esperar, isto porque tem uma fantástica distribuição de peso concentrada nos dois extremos da consola, onde a agarramos.

Com materiais de alta qualidade, a Steam Deck apresenta um enorme cuidado de construção. Apesar de ser toda em plástico, nada parece frágil ou barato. É até bastante sólida e robusta, mas longe de, por exemplo, um smartphone moderno revestido a alumínio ou vidro inquebrável, e muito mais na linha do que temos nos comandos da Xbox Series X ou da PlayStation 5 (DualSense). Nunca tive oportunidade de experimentar o Steam Controller, mas acredito que também seja um bom ponto de comparação.

E por falar em Steam Controller, ou noutros comandos premium, não faltam botões ou inputs na Steam Deck. De perfil simétrico, com um joystick em cada lado mais ou menos à mesma altura, temos quatro botões de face; os YBAX como os comandos da Xbox; um botão de menu e outro de select em cada lado; o já habitual D-Pad; dois botões de sistema inferiores; e, semelhante ao Steam Controller, dois trackpads, um em cada lado, com o do lado esquerdo a funcionar também como d-pad e o direito como mousepad. 

Contamos também com um conjunto de gatilhos tradicionais esquerdo e direito, dois botões de ombro e, na parte traseira, quatro botões programáveis que, por defeito, replicam os botões frontais.

Tudo é programável e personalizável através do SteamOS e todos os comandos podem ser usados em conjunto entre si, com as capacidades táteis do ecrã e até com um giroscópio incorporado. Por exemplo, em jogos como DOOM (2016), um dos que testei, todos os inputs podem ser usados em simultâneo usando o trackpad direito, o joystick direito ou o giroscópio para apontar o cursor. Outro exemplo de uma ótima combinação foi a que encontrei em Age of Empires IV, onde podia usar tanto o ecrã tátil ou o trackpad para controlar e selecionar as personagens.

Este tipo de utilização e conjugação de controlos é facilmente acessível pelo menu do sistema onde, graças ao trabalho tanto da Valve, que apresenta diferentes perfis por defeito, como da comunidade, ao apresentar perfis para vários tipos de comandos, temos, mais uma vez, perfis baseados no Steam Controller.

Voltando ao design da Steam Deck, temos uma forma muito familiar de uma consola portátil, reminiscente até de uma SEGA GameGear. Obviamente que o ecrã é maior com sete simpáticas polegadas e uma moldura de sensivelmente meio centímetro à sua volta. Nos cantos inferiores, o corpo da Steam Deck arredonda e ganha uma ligeira inclinação, perfeita para abraçarmos o dispositivo com as palmas das nossas mãos de forma extremamente confortável.

Onde deve estar, nas nossas mãos

Pegar na Steam Deck não se transforma numa experiência imediatamente certa – há um breve momento de habituação para quem nunca pegou num equipamento destes. Por um lado, temos um dispositivo mais largo que uma Nintendo Switch; por outro, temos uma ergonomia e alcance aos botões semelhante a um comando convencional. Uma sensação que, provavelmente, os utilizadores de comandos HORI para a Nintendo Switch saberão ao que me estou a referir.

A habituação no conforto e na confiança ao agarrar no dispositivo leva uns minutos de jogo até registarmos os botões de ombro ou os botões traseiros, que requerem um pouco de força (para evitar toques acidentais) e de jeito nos dedos devido ao seu baixo perfil. Os botões de face têm um ótimo perfil e uma boa sensação de clique, apesar de estarem muito juntos, mas suficientemente bem distribuídos para se identificarem intuitivamente. Um fenómeno interessante no uso da Steam Deck, dada a sua natureza e vindo da Nintendo Switch, é que, inicialmente, foi bastante comum trocar acidentalmente o botão A e o botão B para o registo de ações. 

Simetricamente, temos o D-Pad, também muito bem localizado e com uma boa distância dos nossos polegares para os joysticks, que considero de altíssima qualidade, muito satisfatórios de se usar e que escondem sensores capacitivos para algumas ações.

Apesar dessa distância entre os botões e os joysticks, senti, em alguns casos, a necessidade de recorrer aos botões traseiros em jogos de ação e tiros, não levantando, por exemplo, o dedo direito do joystick, que normalmente está dedicado ao movimento da câmara.

Por falar em jogos de tiros, mais uma vez com o de DOOM, a Steam Deck é extremamente mais confortável de usar neste registo/género de jogos do que a Nintendo Switch. Se, na consola da Nintendo, sempre senti que não era uma plataforma ideal para jogar certos jogos com os seus Joy-Cons (por achar tudo muito pequeno e elementos demasiado próximos uns dos outros), a Steam Deck deu-me uma experiência bem mais natural, e até mais confortável, para longas sessões de jogo.

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Os dois trackpads são multiusos e são também uma delícia de se usar nas configurações certas. Devido ao registo háptico de ambos e à sua posição, dei por mim a recorrer ao esquerdo imensas vezes em vez do D-Pad tradicional, nomeadamente na gestão de inventários, menus e ações semelhantes. O mesmo se aplica ao direito, que pode substituir o joystick do mesmo lado, por exemplo, para mover câmara ou o típico cursor de rato. É especialmente interessante em jogos dependentes desse input, como Age of Empires IV, e na navegação de menus que usam aquele estranho método de cursor flutuante.

Talvez um dos aspetos menos positivos, e algo que já nas previews tinham apontado, é a sensação de clique nos dois botões de sistema abaixo dos trackpads, como o da Steam. São de perfil muito baixo, muito suaves e dão uma resposta de toque demasiado subtil. Ao utilizá-los, por vezes sentia que não os pressionava com força suficiente para abrir os menus, ou então que os pressionava com força em demasia. Mas, com hábito, lá ganhei sensibilidade ao registo dos mesmos.

Os botões de volume na parte superior do equipamento são também alvo de uma pequena crítica, apresentando-se como a parte mais “barata” de todo o equipamento. Ótimo registo ao toque, mas um pouco soltos e com qualidade de plástico rígido.

Um som invejável

Agora que descrevi mais ou menos o que é pegar na Steam Deck, a sua experiência de utilização passa essencialmente por três grandes pontos: o desempenho e compatibilidade de jogos; o potencial de utilização com os seus controlos; e o seu fantástico som.

E vou começar já pelo último ponto. As duas colunas da Steam Deck são excecionalmente boas. Vou mais longe: são excelentes. Não apenas pelo alto volume que alcançam sem distorcer o som, mas pela qualidade, como é óbvio, e pela sensação de imersão de que são capazes graças à sua excelente disposição face à posição do utilizador.

Com uma fantástica clareza e alcance, temos também uma excelente experiência de som espacial envolvente, que, em vários jogos, fez-me parar e mover a câmara em redor só para sentir a diferença de sons em diferentes posições. De notar ainda que o som debitado faz também um excelente trabalho a “anular” ou a sobrepor-se ao som produzido pela ventilação da Steam Deck, que se faz sentir em atividades mais pesadas. Estas colunas, no entanto, podem não oferecer o baixo de, digamos, colunas Bluetooth, mas fazem um excelente serviço para a sua utilização. 

No caso de quererem ouvir os vossos jogos em sessões mais “privadas”, a Valve não descartou a porta áudio de 3.5mm para ligar uns auscultadores ou headset de comunicação, ou ligação Bluetooth, a qual podemos usar não só para ligar auscultadores, mas também comandos, como o da Xbox ou PlayStation para controlar o sistema e alguns jogos. Realço, ainda, o facto de a Steam Deck contar com dois microfones para comunicação.

Numa última nota no que respeita à experiência de som e do quanto me impressionou, a Steam Deck consegue ter um desempenho invejável neste departamento, especialmente comparado com soluções em monitores convencionais ou de gaming. Por isso, se tiverem oportunidade de experimentar a Steam Deck, deem especial atenção a este ponto.

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Um ecrã ajustado às necessidades de jogo

Já sobre o ecrã, este é um LCD IPS, com resolução máxima de 1280 x 800 píxeis, e é extremamente brilhante, colorido e com um excelente contraste. O grande destaque do mesmo vai para a capacidade de podermos diminuir confortavelmente o brilho a níveis muito baixos, perfeito para podermos usar em ambientes escuros sem perder detalhe na imagem. Além disso, temos brilho dinâmico, um Modo Noite e parâmetros de afinação de temperatura de saturação e de sombras.

A tecnologia usada no ecrã da Steam Deck tem algumas vantagens, sendo uma delas o baixo risco, se não for mesmo nulo, de Burn-In, algo que preocupa muitos os jogadores quando confrontados com tecnologias melhores, como a de OLED. Por outro lado, devido à iluminação nas bordas, podemos assistir a um pouco de backlight bleeding, ou seja, uma fuga de luz que ilumina certas zonas nas bordas do ecrã de forma irregular. Deparei-me, durante uma das minhas sessões, com uma ligeira fuga de luz, que, com o repouso, acabou por desaparecer, mas que não deixou de ser distrativa durante aquela sessão, especialmente num jogo com imagem mais escura.

O modelo que testei, o de 256GB, não conta com a mesma camada anti-reflexo do modelo de 512GB, mas isso não revelou ser um problema ao usar a Steam Deck no interior de casa. Mesmo usando a Steam Deck em áreas mais propícias a reflexos, o brilho do ecrã faz um excelente trabalho a compensar esse efeito. Apenas quando inclinamos a Steam Deck, ou, por exemplo, para lhe tirar fotografias, é que se torna mais presente. Já o uso da Steam Deck na rua, num dia de sol ou numa área com muita luz, ver tudo o que se passa no ecrã, em vez da nossa cara, pode ser um verdadeiro desafio.

Uma experiência de jogo reveladora

De X em X tempo temos experiências que qualificamos como arrebatadoras, transformativas ou, no mundo dos videojogos, como “next-gen”. Estas podem ser catalisadas pelo salto na qualidade gráfica com visuais mais realistas e fluidos; com experiências de jogo mais imersivas, como o DualSense nos trouxe; por oportunidades de levar os jogos para todo o lado, como os serviços de streaming já nos ofereceram; ou como a própria Nintendo Switch, que reforçou o movimento de “port-begging”. Duas semanas depois com a Steam Deck, sinto que a aposta da Valve é, também, uma experiência digna de ficar registada como transformativa, picando cada um dos exemplos anteriormente partilhados.

Pode parecer uma hipérbole, o que é compreensível, dado que a Steam Deck não faz particularmente nada de novo que outras soluções não tenham feito já, mas os segredos que guarda para oferecer, e a experiência de jogo que entrega, juntamente com o potencial do que poderá fazer com mais atualizações da Valve e da comunidade, é insano.

Ao contrário das Xbox, PlayStation ou Nintendo, a Steam Deck é uma plataforma livre com suporte da biblioteca de jogos da Steam/PC, o que significa que os jogos disponíveis para este equipamento não são propriamente otimizados e afinados. É algo que fica à mercê do utilizador para encontrar a sua experiência de jogo ideal de acordo com o hardware que dispõe, dando prioridade a resoluções, framerates ou qualidade de efeitos e texturas, em linha das suas necessidades.

Dada a natureza da Steam Deck, este ponto é absolutamente fantástico, pois assim podemos controlar aspetos que ajudam a aumentar ou diminuir o tempo útil de bateria após um simples carregamento.

Com uma bateria de 40Whr, a Steam Deck, segundo a Valve, aguenta-se ativa entre 2 a 8 horas, algo que se reflete bastante bem no uso real e prático dado à minha unidade. Não consegui atingir o pico máximo por várias razões associadas à exigência de cada jogo, aos momentos de downloads e outras experiências e configurações. Em utilização realista, fiz uma média de duas horas e meia por carga e, num dos testes, não fiquei muito longe das quase 4 horas de utilização. Isto é, à partida, fantástico quando olhamos, por exemplo, para a autonomia de outras consolas no mercado, com a vantagem de podermos ir mais além, considerando que resolução, framerate, brilho, volume e ligações afetam em diferentes capacidades a energia gasta. Assim, um jogador que aposte mais em jogos indie, que consumam menos energia e esforço da Steam Deck, poderá jogar durante mais horas do que um jogador de um triple AAA mais exigente.

O limite de Frame Rate a 30 (ou 60 quando desligado) e o Scaling Filter, não permitem apenas afinar a experiência de jogo, como o tempo de vida útil da bateria.

Atenta a estas limitações e a sacrifícios lógicos, a Valve tornou tudo isto em oportunidades a nível de software. Começando com o botão de acesso ao sistema, no lado direito da consola, para além de notificações, contacto e definições rápidas, esconde-se uma aba de desempenho. Nela podemos ligar uma Overlay que nos dá informações úteis como o framerate, a utilização da bateria, previsão do tempo restante, o esforço do GPU e de todos os núcleos do processador, a quantidade de RAM e VRAM gastas, um gráfico do frame pacing, velocidade de input em ms, entre outros. Enfim, uma delícia para os mais entusiastas, mas extremamente útil e educacional para quem quer afinar a experiência.

Os segredos da Steam Deck não são estes, no entanto, mas sim algo que considero num sistema destes simplesmente como bruxaria. Olhemos então para algo tão simples duas opções adicionais: um limitador de FPS e um upscaler de resolução. A primeira opção é óbvia e bastante útil para manter a experiência estável e sólida para jogos que não tenham esta funcionalidade, enquanto é uma forma de pouparmos a bateria do equipamento durante uma sessão. Já o upscaler, ou Scaling Filter, permite que possamos por um jogo numa resolução abaixo da nativa do ecrã, obtendo resultados tão bons, e em alguns casos até melhores, no que toca à qualidade de imagem considerando as dimensões do ecrã da Steam Deck.

Por exemplo, um jogo super exigente como Control, pode ser colocado numa resolução de 540p e ter um output mais claro que os 720p (em ratio 16:9) ou 800p, aumentando o desempenho do jogo para perto dos 60FPS, com definições padrão do jogo em médio, ou mesmo 60FPS sólidos com definições mais baixas. Isto tudo, nativamente, num dispositivo portátil.

O Upscaler faz um ótimo trabalho a tornar a imagem extremamente satisfatória, com a aplicação de sharpening em jogos que não tenham funções nativas semelhantes.

Control foi o primeiro jogo que testei e é um dos melhores exemplos destas funcionalidades que demonstram o potencial prático da Steam Deck e as capacidades em jogos modernos, ao mesmo tempo que nos mostra que definições altas significam muito pouco em máquinas como esta.

Compatibilidade (quase) universal

“Correr um jogo no máximo” é algo que, atualmente, já não faz sentido num PC gaming convencional (tendo em conta que, em alguns títulos, são modos que existem apenas para efeitos de benchmark), e muito menos em equipamentos com ecrãs mais pequenos, neste caso num LCD IPS de 7 polegadas com taxa de atualização de 60Hz e uma resolução de 1280x800px. Por muito boa que seja a densidade de píxeis, a qualidade de imagem nativa ou upscalled, as definições de texturas, sombras, elementos à distância ou de outros efeitos visuais, estes podem não ser essenciais para esta experiência portátil quando comparamos, por exemplo, com a experiência tradicional de PC com monitores a partir de 27 polegadas ou de TVs de sala de grandes dimensões.

Aliado às limitações daquela que já é, por defeito, uma excelente peça de hardware, com um chip gráfico da AMD de oito unidades de computação à base da tecnologia RDNA 2 (da família da Xbox Series X|S e PlayStation 5) de frequências variáveis, que faz até inveja a muitos laptops, temos assim uma folga nas necessidades de obter um fantástico desempenho em jogos modernos.

A Steam Deck acaba por ser uma caixinha de surpresas que não responde apenas a “se é capaz de correr jogo X”, mas também a “como é que corre”. E os meus testes ultrapassaram todas as minhas expectativas.

A minha viagem pela Steam Deck foi feita maioritariamente por jogos AAA, numa seleção pessoal com base no que tinha na minha biblioteca da Steam, onde acabei por subscrever também o EA Play. Como já partilhei, Control corre tão bem na Steam Deck que voltei a dar-lhe mais uma volta. Aquando do seu lançamento original, o jogo revelou-se demasiado pesado para as consolas da altura, com a Xbox One e a PlayStation 4 a terem dificuldade em fazer justiça ao jogo com as suas capacidades. Mais uma vez, é certo que a Steam Deck é mais limitada que estas consolas, como também temos uma forma de jogar diferente. Ainda assim, atingir 30FPS sólidos, em definições médias, na resolução nativa de 800p, sem qualquer truque ou ajustar a experiência para os 60FPS sólidos nativamente neste hardware, é extremamente impressionante e digno de um momento “Next-Gen”. 

Senti o mesmo com Star Wars: Jedi Fallen Order, um dos jogos representados nos materiais promocionais da Valve, que corre e joga-se excecionalmente bem neste pequeno ecrã, numa experiência que até considero melhor que nas consolas da geração passada.

Muito se falou e comparou a Steam Deck à Nintendo Switch, mas a grande ironia foi receber o que é mais próximo de uma Xbox Portátil ou, literalmente, de uma PlayStation Portátil, com o recente output de exclusivos no PC. Assim, não pude ignorar o teste de jogos como God of War, Death Stranding ou Horizon Zero Dawn.

O SteamOS faz um ótimo trabalho em filtrar a nossa biblioteca, mas muitos jogos não testados podem funcionar extremamente bem.

O primeiro, God of War, joga-se tal e qual como se espera, a 30FPS sólidos com as definições originais da PlayStation 4. Mais uma vez, o sacrifício de definições altas e ultras para “original” não é visualmente percetível neste ecrã e permite que a Steam Deck voe com um dos jogos visualmente mais gratificantes da sua geração, mas sem “levantar voo” como na consola original.

Já Horizon Zero Dawn e Death Stranding, ambos com o mesmo motor de jogo e de natureza open world, foram dois dos títulos aos quais dediquei mais tempo a ajustar valores e a testar definições com as opções de sistema, de forma a equilibrar visuais com desempenho. O que acabou por ser interessante dado o estatuto de “Verified” de ambos os jogos, nos quais à partida não necessitariam de alterações para correrem de forma logo satisfatória. 

Entre Jogáveis e Verificados oficialmente, temos ainda os que são incógnitas ou que foram apenas validados como jogáveis, como é o caso do meu jogo favorito, Mass Effect: Legendary Edition (que não só corre bem como tira partido de todas as funcionalidades incríveis na Steam Deck), ou de Star Wars: Squadrons, DiRT 5, FIFA 22, Ghostrunner, Age of Empires IV ou Resident Evil 3, para nomear mais alguns.

No entanto, é necessário compreender que nem todos os jogos vão correr só porque existem na loja da Steam, apesar do esforço da Valve em atualizar o seu sistema e de aumentar todos os dias a lista de compatibilidades. Para grande infelicidade minha, por exemplo, Halo Infinite é um dos jogos que simplesmente não arranca (no momento de escrita deste texto), assim como o super popular Lost Ark, que sai da aplicação depois de um ecrã. E temos casos de pequenas anomalias que correm simplesmente mal, como foi o caso do meu teste com Need For Speed: Hot Pursuit Remastered, onde por muito que mudasse as definições de jogo, não conseguia um desempenho para lá dos 20-30FPSs estáveis, que descobri posteriormente estar relacionado com a forma como o jogo recorria intensamente a apenas a um dos núcleos do processador. Ou seja, fraca otimização por parte do jogo.

Entre Verificados, Jogáveis, Incógnitas e Não Jogáveis, a lista é longa (conta no momento de escrita deste artigo conta com mais de 800 títulos jogáveis) e cada utilizador terá que tentar a sua sorte com a biblioteca que tem, partindo do princípio que já se é um jogador de PC com jogos na Steam. Para ficarem a par de todas as atualizações e adições oficiais diárias à lista de jogos suportados, a Valve lançou esta semana uma ferramenta onde ao fazerem login, terão a indicação imediata dos jogos que são ou não compatíveis com a Steam Deck. Para além desta ferramenta recomendo também o site SteamDB e o ProtonDB.

Para lá da Steam

Como o nome do equipamento sugere, a Steam Deck é essencialmente dedicada à biblioteca da Steam Store, uma característica que pode ser limitadora, especialmente quando nos apercebemos que a “promessa” de que corre tudo não é tão realista como parece, apesar de ter todo o potencial para tal.

A própria Valve espera que os utilizadores usem a Steam Deck como vem preparada na caixa assim que se liga: uma máquina dedicada à Steam Store. E nesse aspeto, salvo raras exceções, faz justiça, mas pode fazer muito mais. 

Através do acesso ao modo Desktop, podemos interagir com o ambiente de trabalho do Linux (KDE), onde se abre uma Caixa de Pandora, quase sem limites e barreiras de utilização, com acesso até a alguns dos emuladores mais populares, como o RetroArch ou o Dolphin, e a browsers para Cloud Gaming, como o Google Chrome.

Devido a algumas limitações atuais de drivers e de software (no momento de escrita deste artigo), não me foi possível jogar, por exemplo, jogos do Xbox Cloud Gaming, Google Stadia ou do NVIDIA GeForce, e nem pude explorar a emulação de forma eficaz. No entanto, posso confirmar que corri alguns jogos emulados com um desempenho promissor e que o futuro é bastante risonho neste aspeto. Acredito que a comunidade vai também apostar em melhorar essas capacidades.

Também não é segredo nenhum que a Valve permite o dual boot com arranque de um sistema operativo secundário, como o Windows, que irá abrir a porta de compatibilidade com outros clientes de jogos, como a Epic Games Store, GOG ou Windows Store, onde podemos destacar o acesso à biblioteca do Xbox Game Pass para PC.

Contudo, convém referir que toda esta potência é “refém” de especulações e desejos, de compatibilidades de software e de drivers. Isto significa que tanto emulação, como o recurso a outras bibliotecas para lá da Steam Store, devem ser apenas um enorme afterthought na decisão de adquirir a Steam Deck, pois requer também um conhecimento um pouco mais avançado e muita curiosidade em experimentar com todas as dimensões do dispositivo.

Adapta o jogo ao teu estilo

O terceiro grande pilar da experiência da Steam Deck leva-nos de novo aos controlos. Jogos para PC contam, por norma, com mais formas de interagir com os jogos. Outros até com formas únicas e exclusivas à experiência teclado e rato, como é o caso do já mencionado de Age of Empires IV.

A Steam Deck, para além dos controlos convencionais de um comando para consola, tem os tais trackpads, os botões traseiros, joysticks com sensores capacitivos que reconhecem o toque e giroscópio, por isso, o potencial de uso e a adaptação granular a qualquer jogo é imensa. E a Valve deixa-nos afinar quase tudo.

Através de um menu de fácil acesso, podemos configurar o que cada botão faz e de que forma queremos usar a Steam Deck. Para além de diferentes parâmetros, temos por defeito vários perfis de jogo da Valve ajustados a cada título e ainda o acesso a uma biblioteca de perfis feitos pela comunidade com base em comandos da Xbox, da PlayStation e do Steam Controller. Esta última opção é importante, justamente pelo suporte dos trackpads.

As opções de personalização de controlos são imensas. E o trabalho da comunidade pode ser fulcral para encontrar a melhor maneira de jogar um determinado título.

Uma das funcionalidades mais interessantes e úteis que encontrei nesta multitude de oportunidades foi justamente o uso do giroscópio. Os jogadores da PlayStation e da Nintendo Switch saberão bem o tipo de implementação possível, com os exemplos de Horizon Zero Dawn e de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, onde o sensor de movimentos dos comandos permite que o jogador afine a sua pontaria em tempo real ao mover um pouco as mãos. Aqui, na Steam Deck, podemos aplicar, afinar e ajustar esta funcionalidade virtualmente a qualquer jogo, quer seja um shooter, como DOOM (2016), que, por defeito, pode ser controlado com todos os truques na manga; jogos na terceira pessoa, como é o caso de Mass Effect: Legendary Edition, que torna o uso de snipers mais intuitivo; ou jogos de corridas e simuladores, como é o caso de Star Wars: Squadrons, em que o giroscópio serve de auxílio na condução das naves. A imaginação é o limite.

Exemplo do Giroscópio e dos joysticks capacitivos em ação (Valve)

Uma questão de Gigas

Como referi no início, recebi o modelo de 256GB NVMe SSD e posso garantidamente dizer que os 256GB de armazenamento não foram problema, oferecendo uma capacidade de armazenamento perfeita para 3-4 jogos de grandes dimensões ou uma boa dezena de jogos indies, para levar nas nossas viagens. Estou a ser generalista, eu sei, pois depende obviamente de jogo para jogo. Nesta minha aventura, adicionei-lhe um cartão microSD da SanDisk, um Extreme de 512GB, 160MB/s de leitura e 90MB/s de escrita, que me permitiu assim também ter uma ideia da forma como o que podia preencher e perceber como um SD se comporta na prática. Em utilização real, sem comparações diretas, a utilização do SD revelou-se natural e orgânica, com tempos de espera relativamente semelhantes ao que seria de esperar da memória interna em todos os jogos testados. Usei, a título de exemplo, Horizon Zero Dawn e Death Stranding, que foram os dois títulos que mais tempo de carregamento apresentaram no início de cada sessão, e não importa onde estão, pois continuam a ser períodos longos de espera, com perto de um minuto cada um.

256GB pode ser o suficiente para levarem alguns dos maiores “heavy hitters” para qualquer lado.

Após o meu tempo com a Steam Deck, julgo que esta opção, o modelo de 256GB NVMe SSD, será a mais interessante para quem está realmente curioso e quer poupar alguns euros na sua aquisição. Não só podem perceber se o armazenamento corresponde às vossas necessidades, como há espaço para experimentação e até aumento da capacidade no futuro, via microSD. Temos ainda o modelo de entrada, com armazenamento eMMC de 64GB por 419€, que, apesar do seu preço mais apetecível, parece-me (pessoalmente) mais limitador, a menos que pensem depender única e exclusivamente de armazenamento externo.

Um futuro brilhante

Não vos vou mentir. Mesmo ao excluir o meu entusiasmo em testar esta aposta da Valve, estou completamente enamorado com a Steam Deck. Com o seu conceito, com a sua execução, mas, acima de tudo, com o futuro do equipamento, colocando a minha fé no suporte da Valve, no entusiasmo dos futuros donos e no potencial da comunidade em afinar e elevar a experiência de utilização. Raramente temos equipamentos destes lançados para o mercado com uma abertura tão grande e sincera por parte dos seus criadores. Aqui, temos uma porta aberta e um convite à exploração de possibilidades, como, por exemplo, tornar a Steam Deck na tão desejada Xbox Portátil que nunca tivemos. E se tal se concretizar, a minha satisfação é tão grande neste momento que estou mesmo a pensar em tornar a Steam Deck na minha máquina principal para jogos de PC para alguns dos meus títulos favoritos.

Sei que ficou muito por dizer. Sei também que muitos dos pontos que levantei mereciam uma atenção mais aprofundada e técnica. Em artigos dedicados, num vídeo, um podcast, etc. Porque a Steam Deck é mesmo “muito”. Uma máquina completa, com espaço para melhorias quer a nível de software ou em futuras iterações, mas que, por muitas mais palavras que partilhe, não faria justiça à complexidade desta fantástica máquina de jogos.

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Mini-FAQ

Para terminar, deixo aqui respostas a questões que me foram levantadas (repetindo alguns pontos anteriores) e a outras que fui encontrado pela Internet, tudo dentro dos meus conhecimentos com a minha experiência com a Steam Deck.

  • Como é jogar deitado ou com a Steam Deck ao colo?
    • Surpreendentemente confortável. A separação entre as mãos e o equilíbrio do peso da consola concentrado em cada lado alivia a utilização da mesma. Jogar deitado de lado também não é grande problema se tivermos apoio para uma das mãos. Já ao colo, sentado, um apoio para os cotovelos é recomendado, assim como algum cuidado para não tapar a entrada de ar traseira, caso usem a perna como base.
  • Posso usar a Steam Deck enquanto carrega?
    • Sim. É possível usar a Steam Deck enquanto carrega, seja para jogar ou para fazer download de jogos.
  • Como se compara à Nintendo Switch?
    • Apesar das suas semelhanças, são duas máquinas extremamente diferentes, com propósitos e um público também diferentes. Fisicamente, a Steam Deck é maior e, na minha opinião, tem uma ergonomia de utilização bastante melhor no que toca a uma portátil. O tempo de vida útil da bateria é também melhor e permite uma melhor afinação de definições, quando comparada com a minha Nintendo Switch OG. Elas são tão diferentes como, digamos, a PlayStation 5 é diferente da Xbox Series X|S. No entanto, também não vejo as duas consolas como rivais, vejo-as como opções distintas, para públicos muito diferentes. A biblioteca de jogos, o tipo de exclusivos e a utilização intuitiva, otimizada e mais “easy to pick up” da Nintendo Switch, torna-a no dispositivo perfeito para o utilizador mais casual ou fã das suas franquias. Já a Steam Deck é mais dirigida para os entusiastas, curiosos e, particularmente, já jogadores do PC. Olhando para a biblioteca da Steam e com o lançamento mais regular de jogos da PlayStation e Microsoft nessas plataformas, a Steam Deck poderá muito bem ser um complemento à Nintendo Switch para quem quer um pouco da experiência de PC Gaming, mas sem um PC capaz.
  • Como se comporta no Windows 10?
    • Por segurança, falta de conhecimento pessoal e pelo facto de me ter focado numa utilização mais realista e casual da Steam Deck, não experimentei o ambiente Windows na Steam Deck para esta cobertura.
  • Até que ponto a Steam Deck será a consola perfeita para o Xbox Game Pass?
    • Tudo aponta que será mesmo perfeita, apesar de não ter tido oportunidade de experimentar o Windows. No entanto, olhando para o desempenho de alguns títulos da Steam Store, quer a partir do SteamOS, quer do modo Desktop, tudo aponta que os jogos disponíveis no Xbox Game Pass para PC corram de forma satisfatória, tornando a Steam Deck, efetivamente, numa Xbox Portátil.
  • Dá para instalar um Sistema Operativo diferente?
    • Sim. Um deles pode ser o Windows, que pode ser instalado tanto na memória interna da Steam Deck como num cartão microSD. Como a instalação na Steam Deck mexe diretamente com as partições já pré-definidas, eliminando a instalação do Linux ao instalar o Windows, torna-se numa máquina exclusiva do sistema operativo da Microsoft. Segundo a Valve, a instalação do Windows também pode ser feita num cartão microSD e arrancada por essa via. 
  • Como se comporta em jogos de teclado e rato?
    • Graças ao incrível nível de afinação de inputs como os trackpads, em conjunto com os restantes comandos da Steam Deck, os jogos com controlos teclado e rato jogam-se surpreendentemente bem. Requer, contudo, alguma habituação e afinação através da criação e modificação de perfis. Mas graças às várias opções pré-definidas pela Valve para esse tipo de jogos e ao trabalho da comunidade, é possível encontrar soluções variadas prontas a serem usadas. Se o utilizador quiser, pode também ligar um teclado e rato tradicional por USB-C ou Bluetooth.
  • Como é o UI da Steam Deck?
    • Simples, intuitivo e muito limpo. A Steam Deck tira partido do SteamOS, um ambiente novo constituído por um ecrã de boas vindas que apresenta os jogos mais recentes, novidades e acesso aos amigos. Temos um menu de fácil acesso que abre uma aba que nos permite aceder às bibliotecas de jogos, uma loja muito semelhante à que temos no PC, lista de amigos, media, downloads e configurações. É um sistema muito fluido e fácil de navegar, algo que pode ser feito com todos os inputs: trackpads, d-pad, sitcks, touch. É muito user friendly e familiar para qualquer utilizador de consolas. De notar que, em breve, o SteamOS irá substituir o Big Picture UI.
  • Consegue correr jogos de outras plataformas?
    • Sim. Jogos presentes na Steam Store e associados a outras plataformas, como o EA Play, GOG ou Xbox, podem ser lançados. De momento não há forma relativamente simples de utilizar o GOG ou Epic Game Store pelo desktop mode. Mas, através do desktop mode, em ambiente Linux, é possível adicionar jogos fora da Steam através da aplicação tradicional que usamos no computador, para depois serem lançadas pelo SteamOS. Através desse modo e ativando a compatibilidade com o Proton, pude jogar, por exemplo, Bloodborne PSX através do seu executável.
  • Qual é a duração da bateria?
    • A Valve promete uma utilização entre 2 a 8 horas de utilização realista. Nas minhas experiências entre vários jogos, atingi uma média de duas horas e meia antes de levar a Steam Deck à carga e um máximo próximo das quatro horas, com definições baixas, limites e algumas funções desligadas. Depende dos jogos e das afinações de desempenho que procuramos.
  • É possível fazer streaming do PC para a Steam Deck?
    • Sim. É possível aceder à nossa biblioteca de jogos da Steam e lançar jogos instalados no PC via Streaming. Requer-se uma ligação local e de qualidade, assim como ajustes na resolução do jogo ou das definições do sistema para uma experiência de jogo ideal.
  • Posso ligar a um monitor ou TV?
    • É possível ligar a Steam Deck a um monitor ou PC através da ligação USB-C, com um cabo USB-C – HDMI. Não testei por não ter um cabo do género. Também será possível esta ligação através da Docking Station.
  • A Docking Station vem incluída?
    • Não. A Docking Station para a Steam Deck terá que ser adquirida em separado.
  • Como posso saber se os meus jogos são compatíveis com a Steam Deck?
    • Para quem vai adquirir uma Steam Deck e quer ter uma ideia de que jogos da sua biblioteca são compatíveis, pode explorar a ferramenta de compatibilidade oficial da Valve, o SteamDB ou o ProtonDB e verificar cada um deles. Para quem tiver a Steam Deck, os jogos testados pela Valve, produtores e comunidade, apresentarão o selo de Verificado, Jogável, Incompatível ou Não Testado.

A Steam Deck foi cedida para cobertura pela Valve.

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