Análise – Fossil Sport

A Fossil, como fabricante de relógios, é uma marca que já dispensa apresentações. Mesmo no mercado dos smartwatches em concreto, já dá cartadas desde 2015, na altura ainda com o Android Wear (sistema operativo da Google, que se tornaria no Wear OS atual) a servir a primeira geração (Gen 1) do modelo Q Founder.

Desde então, o mercado tem evoluído de modo a acomodar o interesse de utilizadores com objetivos muito diferentes, e o lançamento desde modelo, aptamente chamado Sport, permite responder, por parte da marca, precisamente a quem queira um relógio mais focado no desporto, com mais capacidades que uma mera pulseira desportiva e, de certo modo, fazer frente a marcas que são mais reconhecidas nessas intenções, como por exemplo a Fitbit e a Garmin.

Não é um acessório premium com funcionalidades topo de gama, mas combina performance e valor tanto para quem gosta de correr na estrada como para quem prefere treinar no ginásio. Para esta análise, e para dar algum enquadramento, experimentei o Fossil Sport emparelhado com um iPhone XS. Pela questão de misturar sistemas operativos, entre o iOS da Apple e o Wear OS da Google, não senti dificuldades nem limitações de maior.

Para aqueles que também não usam Android, fica a nota em como também é útil pelo menos descarregar a app Google Fit, pois todos os dados de atividade física, que são também visíveis no relógio, são lá agrupados – a app Wear OS acaba por ser apenas para gerir os dados do relógio em si.

Design

O Fossil Sport existe em dois tamanhos, o de 41 mm e o de 43 mm. A diferença não se repercute em performance (a bateria não altera) e serve apenas para acomodar pulsos de tamanhos diferentes. Poder-se-á dizer que o mais pequeno tem um aspeto ligeiramente mais feminino, mas, no pulso, pode passar algo despercebido.

Como referência, para quem também tem o pulso fino, o maior não é de desconsiderar: assenta como uma luva sem ter de ir à medida máxima e, a característica que mais se lhe pode gabar, é o facto de ser extremamente leve devido à caixa de alumínio, ao ponto de nos esquecermos que o estamos a utilizar.

Está disponível num leque variado de cores com pulseiras de silicone a condizer: as mais vivas no mais pequeno e as relativamente mais sóbrias no maior. Se mesmo assim for um sortido insuficiente, ou numa mudança de ocasião, é possível mudar facilmente de braceletes por praticamente quaisquer outras, desde que de encaixe de 18 mm ou de 22 mm, respetivamente.

A versão que experimentei, com a caixa cinzenta e a pulseira azul acinzentada, consegue não só transmitir alguma cor, mas manter-se suficientemente sóbria, ao ponto de não destoar entre os ares de ginásio para um ambiente mais formal. A bracelete tem também dois laços que permite acondicionar devidamente o excesso sem estorvar. Por ser de silicone, não atrapalha no que toca ao suor, e facilita até para levar para a piscina ou para o chuveiro, já que é resistente à água (5 ATM/50 metros).

A coroa serve como botão para aceder ao menu principal e como ação de selecção, além de permitir que se rode ao longo das várias opções. Embora também possível através do toque no próprio ecrã, a coroa torna-se particularmente útil quando o mesmo está molhado e, consequentemente, não tão responsivo ao toque. Os outros dois botões são configuráveis para os atalhos que lhes quisermos atribuir. Por defeito, o de baixo mostra logo a seleção dos tipos de exercício de modo a começarmos imediatamente um treino, o que é bastante prático.

Já o botão de cima leva-nos para as categorias na app Fossil, que são uma espécie de presets (pré-configurações) que se podem atribuir, o que já não é assim tão necessário. Sem problema, com poucos toques altera-se o atalho para um cronómetro, por exemplo.

Por fim, na parte de dentro do relógio, que ficará encostada à pele, encontra-se um monitor de ritmo cardíaco, base onde também se encaixa o carregador magnético.

Ecrã

O ecrã de pouco mais de uma polegada é OLED com uma resolução de 390×390 pixels. As cores são bastante vívidas e o facto do Fossil Sport possuir um sensor de luz ambiente permite que o brilho se adapte à luminosidade que lhe incide. Por ser inverno, não me foi possível avaliar a resposta naqueles dias estivais de luz intensa, em que se torna tão difícil olhar para o ecrã seja de um relógio como de um telemóvel, mas, entre ambientes mais claros ou mais escuros o mostrador, esteve sempre adequadamente visível.

Nas definições podemos também acionar o modo always-on (sempre ligado), em que pelo menos as horas estarão visíveis mesmo quando o relógio não está a ser utilizado. Pode ser útil se nem sempre der jeito rodar o pulso para o ligar, mas é à custa de um maior dispêndio de bateria.

Relativamente ao aspeto, podemos mudar a apresentação do mostrador, escolher outros relógios e aplicar complicações diferentes – alguns mostradores da Fossil revelam até informações e progressos do Google Fit.

Performance

O lançamento oficial do Fossil Sport deu-se entre a reta final de 2018 e o início de 2019. Mesmo assim, foi dos primeiros smartwatches a incorporar o mais recente chip da Qualcomm, o processador Snapdragon Wear 3100. À partida isso seria sinal de uma resposta mais rápida e de uma bateria mais duradoura, mas na realidade, mesmo após as atualizações mais recentes, e sem que existam grandes queixas quanto à velocidade do desempenho – à exceção duma certa lentidão ao ativar o Google Assistant –, não se nota um salto gritante relativamente ao seu antecessor, o Snapdragon Wear 2100.

Quanto à bateria, já lá vamos. De resto, podemos contar com 512MB de memória RAM, mais do que suficiente dentro deste padrão, e 4GB de espaço, que nos permitem acumular várias apps e até mesmo música, o que, aliado ao GPS já incorporado, pode soar tentador para quem goste de ir treinar com fones sem ter de levar o telemóvel.

O Fossil Sport dispõe também de NFC (Near Field Communications), por isso se já são fãs de pagamentos contactless, podem recorrer ao Google Pay.

Em termos de funcionalidades, podemos alcançar quatro funções diferentes ao arrastar o ecrã a partir do visor principal: para cima, vemos todas as notificações do telemóvel, que chegam rapidamente ao relógio, e são simples de verificar e apagar; para baixo, acedemos a um menu de opções rápidas, que permite: 1) entrar no modo de poupança de bateria, 2) encontrar o telemóvel, 3) ligar a lanterna, 4) calibrar o brilho, 5) desligar notificações, 6) entrar em modo avião; para a esquerda, entrar no Google Fit e obter informação sobre o progresso; e para a direita, o Google Assistant, para o qual podemos falar através do microfone incorporado, mas cujas respostas apenas podemos ler – e, se sobre pedidos mais complexos, seremos reencaminhados para o telemóvel –, pois não existe uma coluna incorporada.

Pessoalmente, utilizei todos estes atalhos com regularidade, e todo o interface é extremamente intuitivo e fluído; a exceção fica apenas para o Google Assistant, o qual só ficara oficialmente disponível para iOS já na reta final desta análise, mas que, ainda assim, não fez propriamente grande diferença, pois a app do relógio é algo muito mais simples do que o que é possível executar através da do telemóvel – repito, cenário de quem vem de um iPhone e cuja interligação talvez não seja tão apurada quanto à que assumidamente seria possível perante um Android.

Em experiência, ao perguntar pelo tempo (meteorologia), tive resposta no ecrã do Fossil Sport, mas ao perguntar, em várias tentativas, por filmes no cinema ou quais os cinemas mais próximos, ou recebia no relógio informação incompleta ora era reencaminhado para ver a pesquisa no telemóvel. Talvez seja útil para pequenos lembretes.

Fitness

O Fossil Sport é assumidamente direcionado para o desporto: a lista de atividades consideradas é tão longa que chega a reconhecer mais de meia dúzia de tipos diferentes de caminhada/corrida – não se preocupem, para facilitar o acesso aos que praticam habitualmente, podem escolher favoritos que ficam logo disponíveis em atalho.

O facto de ter sensores bastante precisos, desde o ritmo cardíaco, ao acelerómetro até ao GPS, permite a recolha de imensa informação pelo Google Fit que tanto nos pode auxiliar como até motivar para alcançar novos objetivos: em experiências essencialmente de ginásio (passadeira/bicicleta/remo), a distância, o ritmo de exercício, o ritmo cardíaco e até o número de calorias foram sempre aproximados aos contabilizados.

Esta informação também nos é fornecida diretamente no relógio durante a atividade, além de ser registada num histórico acessível tanto no relógio como no telemóvel: por exemplo, ao fazer um treino em circuito, consigo acompanhar no momento como está o meu ritmo cardíaco, dado esse que, assim que terminar, surgirá em gráfico para ter uma noção como foi a sua distribuição ao longo do treino.

Se quiser fazer um treino com pesos, e se selecionar o respetivo modo de exercício, há até reconhecimento da contagem do número de repetições, que também pode ser corrigida após cada série, de modo a melhor distinguir numa próxima. Somente na circunstância de experimentar ligar o GPS para rastrear a localização senti que demorou algum tempo até reconhecer efetivamente o sinal; mesmo assim, o percurso foi em tudo idêntico ao alcançado também pelo telemóvel.

No que toca ao desporto, fica apenas em falta o reconhecimento inato de natação, o que pode ser corrigido (ou adaptado) ao recorrer a aplicações de terceiros. Já mais referente à saúde, também não existe a capacidade integrada de monitorizar o sono, como até muitas pulseiras desportivas são capazes de fazer.

Ainda de mencionar que, no que toca a monitorizar atividades, o Google Fit tem duas métricas de carácter mais motivacional: os minutos ativos e os pontos cardio. Os primeiros representam o tempo despendido em qualquer atividade que implique movimento; os segundos premeiam atividades em que o ritmo cardíaco é mais acelerado. Ambos funcionam como objetivos que podem ser adaptados. Mais Sport que isto seria difícil.

Bateria

Chegamos, por fim, ao ponto que mais me custou neste relógio: a bateria. Para dar algum contexto relativamente à minha expetativa, vinha duma já longa experiência com um Fitbit Versa Lite, que sem notificações aguentava uns bons quatro ou cinco dias. Pois bem, decidi testar os limites do Fossil Sport e, ao ligar praticamente todas as funcionalidades – permitir todo o tipo de notificações, ativar o modo sempre ligado, praticar desporto nesse dia e interagir com o relógio um pouco além do normal –, não consegui que durasse sequer 24 horas.

Já no teste oposto, de ver quanto tempo conseguiria retirar dele ao ser muito mais poupado, consegui apenas pouco mais de dois dias: isto essencialmente com o relógio em modo avião, para não receber notificações nem sequer estar conetado ao telemóvel.

Mais do que isto só mesmo se o colocasse no modo de poupança de bateria, um modo que, embora dure imenso tempo, só permite que se vejam as horas num único mostrador básico e sem cor, e do qual para se sair de tal modo se tem de reiniciar o relógio. Uma vez que não faz qualquer registo de sono, rapidamente depreendi que a melhor solução seria carregá-lo todas as noites – é de mencionar, no entanto, que em uma hora recarrega praticamente na totalidade.

Preço

O Fossil Sport surgiu no mercado com um PVP de 279€. No entanto, à data do período de experiência, entre novembro e dezembro, foi possível encontrá-lo nas lojas El Corte Inglés a 179€. Entretanto, entre saldos e promoções, já foi possível vislumbrá-lo a 149€. Se já era um preço tentador para as capacidades do relógio, com todos os seus defeitos e também imensas virtudes, por cada alteração mais se torna uma aquisição imperdível.

Em suma, o Fossil Sport é um relógio que logo pelo nome sabe no que é bom a oferecer. Não é o melhor smartwatch do mercado, mas também não é isso que pretende ser. Se querem um companheiro para vos manter ativos e dedicados a uma vida mais saudável, não tem como enganar: nesse campo é provavelmente dos melhores rácios de qualidade/preço.

Nota: Bom

Fossil Sport

Este dispositivo foi cedido para análise pela Fossil.

O Fossil Sport pode não ser um smartwatch topo de gama, mas cumpre perfeitamente naquilo a que se propõe. É uma compra a considerar, principalmente para quem tem um orçamento limitado.

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