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Análise – Samsung Galaxy S9: A tímida evolução da linha Galaxy

Acontece o mesmo todos os anos cada vez que a Samsung anuncia um novo smartphone de topo: muitas especulações e dezenas de rumores que não se confirmam, com a indústria tecnológica a ser alimentada por estas fugas de informação durante meses a fio.

Neste ano, no passado mês de fevereiro, a Samsung revelou e lançou o seu mais potente Galaxy, o S9, smartphone que, sensivelmente um mês após o lançamento, o recebi para um test drive na sua versão mais “básica”.

Portanto, após já me ter passado pelos mãos as duas gerações anteriores da linha Galaxy S (o S7 e o S8+) e o muito bem gabado Note 8, as questões que se colocam agora são: o que mudou? Vale a pena o salto?

Um design aprimorado

Quando a marca alega que as novidades no S9 estão relacionadas com “câmara, entretenimento e conetividade”, há aspetos que são esquecidos. Neste caso, o design é muito semelhante ao do S8. Aliás, pegando no S9 uma primeira vez, não vamos encontrar, no imediato, diferenças em relação ao S8.

Mas há, contudo, diferenças notórias, sendo uma delas as bordas do ecrã, que ficaram ainda mais finas. Mas a maior, e mais positiva, diferença em termos de design, está na localização do sensor de impressões digitais na traseira. Em resposta a uma das maiores críticas no S8, onde o sensor biométrico se localizava imediatamente ao lado do sensor fotográfico, levando os utilizadores a colocarem o dedo no sensor errado, a Samsung optou por este ano corrigir esta falha ao colocá-lo logo abaixo.  Ou seja, o acesso está agora facilitado e conseguimos perfeitamente perceber onde estamos a colocar o dedo.

Um outro detalhe diferenciador que merece a nossa atenção é o altifalante inferior, que agora se apresenta embutido no corpo, resultando numa experiência áudio melhorada, algo que também pode ser agradecido aos engenheiros da AKG.

Mas de uma forma geral, a Samsung optou, pelo menos em aspeto, em criar um smartphone muito semelhante ao S8, pegando no que o design da geração anterior teve de melhor, ao mesmo tempo que respondeu e deu a volta a pequenos erros e imperfeições.

Tem a traseira em vidro Gorila Glass 5, que, apesar de bonita e resistente, é muito dada a dedadas, e as laterais em metal, dando ao terminal um aspeto robusto. Continua a ser um smartphone lindíssimo e que dá vontade de ter nas mãos.

Para o infinito e mais além

Também protegido pelo Gorilla Glass 5, o Infinity Display Quad HD+ Super AMOLED de 5,8” continua a ser o melhor no mercado atualmente, mesmo tendo em conta que existem equipamentos como o Huawei P20 Pro e outros concorrentes. Neste campo, a Samsung é imbatível.

O ecrã do S9 tem um brilho máximo de 1.130 nits, um valor 20% superior ao do S8, e cobre 113% da gama de cores DCI-P3, algo inédito num smartphone até hoje. Apesar deste tipo de novidades ser algo que começa a ser impercetível, na prática traduz-se em melhorias observáveis.

Em relação ao antecessor, temos um ecrã com um brilho mais vivo do que nunca, uma reprodução de cores fantástica, pretos perfeitos e um contraste excelente. Até o ângulo de visão é impecável. Este é o smartphone ideal para apresentar qualquer tipo de conteúdos, dado tudo ser mostrado com uma clareza sem precedentes. E a Samsung parece ter finalmente resolvido o problema de apresentar cores berrantes demais no seu ecrã.

Rápido e suave

A Samsung é uma marca que costuma pautar-se por ser a primeira a utilizar um novo processador topo de gama, que, inevitavelmente, todas as outras marcas acabam por usar. Neste caso, temos o atual topo de gama da Snapdragon, o 845, 25% mais rápido que o SD 835, que promete um desempenho extraordinário. Claro, um ótimo processador não faz maravilhas se o software estiver mal otimizado. Felizmente não é o caso do S9, que apresenta uma performance invejável.

Nas minhas duas semanas de uso do smartphone, não me lembro de um único momento em que o sistema estivesse engasgado ou terminasse uma aplicação por estarem tantas abertas em background, como já me aconteceu com outros smartphones. Afinal, é para isso que servem o processador de topo e os 4GB de RAM.

A única crítica a apontar está relacionada com o facto de aquecer mais que o desejável. Por exemplo, basta ter o GPS ligado e mais uma série de aplicações abertas para que o S9 comece a aquecer consideravelmente. Ainda assim, progressos têm sido feitos nesta área. E eu, que sou um (feliz) possuir do já velhinho S7, sei bem do que falo.

O olho mecânico

Chegámos ao ponto mais forte deste smartphone. A Samsung veio promovendo as novidades na câmara e, na verdade, temos aqui um smartphone capaz de excelentes fotos. Ainda assim, não apresenta um salto qualitativo muito grande em relação ao S8.

O novo topo de gama da Samsung conta com um sensor Super Speed Dual Pixel de 12MP. E sim, aqui é apenas um. A Samsung guardou o segundo olho para aumentar as capacidades da sua versão aumentada, o S9+.

Contudo, o S9 é o primeiro a ter uma lente com abertura variável, ou seja, que se adapta ao ambiente. Se for necessário captar uma foto em ambiente de pouca luz, o smartphone usa a abertura de f/1.5; se, por outro lado, o ambiente exterior tiver muita luminosidade, o S9 muda automaticamente para a abertura de f/2.4.

Esta é uma grande ajuda para quem quer simplesmente sacar o smartphone do bolso e tirar a foto, acabando por ser a Inteligência Artificial da Samsung a escolher as melhores definições para as fotografias, seja qualquer for o cenário. No entanto, os mais profissionais irão procurar tirar a foto perfeita de forma manual no modo “Pro”.

Em termos de resultados concretos, o smartphone não desilude, fazendo valer a tal abertura que melhora a qualidade da imagem em locais muito escuros, embora não faça milagres, ou, então, aumentar a nitidez onde há muita luz. De resto, a câmara consegue resultados excelentes, sendo a escolha ideal de smartphone para quem quer estar atualizado no que toca a uma das melhores câmaras do mercado.

A utilização do ecrã, agora melhorado a nível de cores, conjuga na perfeição com a utilização das capacidades fotográficas, resultando numa amostra bem mais fidedigna e realista. Já as fotografias em si, o detalhe e qualidade de imagem apresentam-se soberbos, o grão é quase inexistente, mesmo em fotos captadas de noite. E esqueçam fotos tremidas, pois a estabilização ótica de imagens ajuda imenso no resultado final.

Para vídeos, há uma novidade: a possibilidade de gravar em super slow motion (960 fps) ainda que a resolução de HD, durante seis segundos. O efeito é giro e dá para uns clipes engraçados, mas a qualidade final deixa a desejar, principalmente se o ambiente exterior não ajudar.

No que toca à gravação mais normal de vídeos em Full HD ou 4K, é, sem sombra de dúvidas, a melhor opção do mercado.

Por último, a câmara frontal de 8MP com foco automático e abertura de f/1.7, capaz de fotos com qualidade e para aquelas selfies ideais.

No entanto, tive sempre aquela sensação que o S9 não apresentou diferenças significativas na qualidade das fotos e vídeos em relação ao S8. Basicamente foi uma boa evolução do que encontrei no S8, mas não uma revolução.

Som e autonomia

Se há algo que merece destaque no S9 é a qualidade de  som que apresenta ao consumidor. Agora temos uma segunda coluna na parte superior do dispositivo, dando total imersão ao ver vídeos ou ouvir música em boa qualidade. Os dois altifalantes estéreo acabam por reproduzir um som mais detalhado, mais rico e mais cristalino, além de mais alto que no S8, ganhando aqui uns 3/4dB extra.

Temos também a tecnologia Dolby Atmos que podemos ativar no menu drop-down do Android, com a diferença a sentir-se imediatamente assim que a ligamos. Não há tanta pujança de som, mas o áudio ganha mais clareza e envolvência.

Mais uma vez, a ficha de som 3.5mm é muito bem-vinda, especialmente para usarmos os fabulosos auriculares AKG que vêm incluídos no pacote. Não vale a pena sequer pensarem em adquirir outro par de auriculares pois ficarão muito bem servidos com este. O que a Samsung já fazia bem no S8 aqui conseguiu melhorar, estando de parabéns.

Já a autonomia, infelizmente, continua um pouco a desejar. Este sempre foi um dos pontos fracos da Samsung e ainda não foi desta que conseguiu prevalecer em relação aos concorrentes. Uma bateria de apenas 3000mAh acaba por parecer inadmissível para o topo de gama da marca coreana. Portanto, podemos esperar, na melhor das hipóteses, um dia de uso com utilização moderado. Mais que isso é para esquecer.

Podem contar com cerca de quatro horas para jogos ou seis horas a ver filmes. Para uso moderado, se saírem de casa por volta das 9h e voltarem por volta das 19h, certamente que já terão de o levar à tomada. Claro, podem sempre ativar o modo de economia, que faz com que a performance piore, a resolução passe a FullHD e que se desative algumas ligações, mas duvido que seja isso que alguém queira fazer quando tem um topo de gama nas mãos ou precisa de estar em contacto de todas as formas.

Felizmente o carregamento rápido funciona bem, conseguindo dar cerca de 50% em pouco mais de 35 minutos. A partir daí torna-se mais lento até chegar aos 100%. O carregamento total ronda cerca de 1h15.

Bixby e AR Emoji

Começando pela Bixby, posso dizer que nem sou grande fã desta assistente da Samsung.  A existência de um botão dedicado pode parecer simpática, mas acaba por ser escusada. Com um botão físico dedicado, parece haver a tentativa de forçar esta funcionalidade nos utilizadores, especialmente quando se encontra tão próximo dos botões de volume, o que leva a carregar nos botões errados vezes e vezes sem conta. É, no mínimo, irritante.

Em cima disto, podemos adicionar o desempenho desta função. A verdade é que a Bixby não funciona assim tão bem. Apesar de vir com novas funções, de permitir personalizar respostas ou executar tarefas personalizadas com a voz, acaba por ser contra-produtivo entendermo-nos com esta assistente. Por ainda não existir um suporte na língua portuguesa, temos que recorrer ao inglês, que requer um dialeto muito peculiar sem qualquer tipo de sotaques à mistura. Além disso, é muito limitada em termos do que consegue assimilar no que toca a pedidos ou questões, pelo que ainda não é no S9 que convence.

Numa clara tentativa de fazer melhor que a Apple, mas sem se render ao notch – ufa! – a Samsung apostou na realidade aumentada e reconhecimento facial para nos apresentar os AR Emoji. Na prática, esta funcionalidade tira uma foto à nossa cara para, depois, nos transformar num emoji animado e realista. O resultado é engraçado e servirá para brincar durante a primeira semana de uso, bem como enviar a novidade aos amigos, mas de resto é uma função que será esquecida pela maioria.

O sumo extra

Algo que também gostei foi o facto do smartphone ser extremamente rápido (4G+) em aceder à Internet, notando-se melhorias em relação ao S8, e conseguindo atingir velocidades muito próximas de 1Gbps, dependendo, sempre, das zonas onde estivermos.

Em relação ao desbloqueio do smartphone, temos as opções de reconhecimento facial, reconhecimento pela íris e através do sensor de impressões digitais. Todas as opções funcionam bem, exceto em ambientes de pouca luz. Neste caso, as duas primeiras opções passam a falhar muito, pelo que acabaremos por utilizar o leitor de impressões digitais.

Finalmente, este é um equipamento com certificado IP68, o que o torna resistente aos choques e poeiras, um campo onde a Samsung tem vindo também a melhorar gradualmente ao longo dos anos.

Depois de tudo o que foi dito, resta-me concluir que este S9 é o natural sucessor do S8, muito devido às melhorias que apresenta. É uma boa evolução, mas nada que impressione verdadeiramente. Não existe ainda o factor “wow”.

Sim, o processador é excelente, o ecrã também e as câmaras estão melhores, assim como o som, mas o design é muito semelhante ao do modelo anterior, a bateria deixa muito a desejar e a Bixby ainda precisa de muito trabalho de casa.

O S9 tem um PVP recomendado de 869,99€, embora possa ser adquirido a um preço mais simpático noutras lojas, pelo que se coloca a questão: vale a pena o investimento? Bem, se for um utilizador que necessita mesmo de um dos melhores smartphones do mercado e for um fotógrafo acima da média, sim, acaba por ser uma boa compra. Já para quem tem um S8 ou um topo de gama lançado no ano passado, é um investimento que se não se justifica.

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