Análise – Samsung Galaxy A9

por David Fialho

Enquanto meio mundo anda de olhos postos na coleção mais recente primavera-verão de alta-gama da Samsung, com os seus Galaxy S10, a marca coreana conta com outras soluções mais em conta.

É verdade que os S10 são a jóia da coroa da Samsung e que nos fazem torcer o pescoço com as suas lentes múltiplas que outras marcas também utilizam nos seus topos de gama, mas foi, talvez, no Samsung Galaxy A9, que este conceito começou a chamar mais à atenção.

O Samsung Galaxy A9 destaca-se principalmente por uma coisa: os seus quatro olhos. Não dois ou três, são mesmo quatro sensores que se encontram na sua traseira.

Este é o grande destaque deste enorme dispositivo. O Samsung Galaxy A9 é um equipamento grande, largo e alto. Ostenta um ecrã de 6.3 polegadas, que, apesar da Samsung o qualificar como um ecrã infinito, conta com uma moldura inferior e superior, onde está a câmara frontal. Desta forma evita a monocelha, lentes recortadas no ecrã ou engrenagens especiais.

Construído com uma estrutura metálica, tanto a parte frontal e traseira são em vidro, ainda que, na parte traseira, o tato pareça um pouco plastificado. Apesar de bonito e reluzente, este não é daqueles equipamentos que deixa de ficar apresentável num instante, com dedadas em todo o lado.

Disponível em tons de preto rosa e azul, a nossa unidade de teste é a última, chamada Lemonade Blue, que apresenta tons de gradiente metálicos entre o azul e o verde, dando-lhe uma aparência única e sentimento muito premium.

É na traseira que vamos encontrar o tradicional sensor de impressões digitais, bem posicionado ao centro. Encostadas à esquerda temos as quatro câmaras traseiras, que, numa primeira impressão, parecem cómicas e desnecessárias, mas que existem com diferentes propósitos.

Ainda a nível físico, encontramos um botão lateral inteiramente dedicado à Bixby, e, na parte superior, um compartimento para um cartão Micro SD e dois cartões SIM. Já na parte inferior temos uma USB-C, porta áudio de 3.5mm e uma coluna de som um pouco mal posicionada, mas mais sobre isso adiante.

Infelizmente, o Samsung Galaxy A9 não inclui proteção contra poeiras e água, o que limita a sua versatilidade.

No geral, apresenta-se com uma boa qualidade de construção e é bastante bonito para um smartphone de 2018. Contudo, há uma constante sensação de fragilidade no seu manuseamento, que obriga ao uso de uma capa protetora.

O Samsung Galaxy A9, apesar de ter tido o seu lançamento em 2018, parece não ter evoluído muito desde então, mantendo-se na versão Android 8.0. É algo que desaponta considerando que estamos perante um equipamento de média-alta gama, que se coloca logo atrás da tão apetecível linha S.

Mais uma vez voltamos a contar com uma máscara Samsung Experience 9.0, que introduz algumas funções únicas, como uma loja dedicada às Galaxy Apps, temas exclusivos, compatibilidade com outros dispositivos Samsung e, claro, o suporte Bixby, a alternativa da Samsung ao Google Assistant da Google, e que ajuda a solidificar a ligação com outros dispositivos ou a ajustar o A9 às nossas atividades.

O acesso à Bixby pode ser feito através do tal botão físico no lado esquerdo do smartphone, mas, para quem não estiver interessado, pode desativá-lo.

A nível de características e começando pelo ecrã, contamos com um fantástico ecrã AMOLED Full HD de 1080×2220 pixéis, com dimensões de 6.3 polegadas (ou 6.2 se considerarmos os seus cantos arredondados).

As cores apresentam-se de forma excecional e há um brilho ótimo para que o ecrã seja visível mesmo com o sol a bater-lhe de frente. Como o A9 não inclui um LED de notificações, é a partir do modo de repouso que vamos poder ter acesso a toda a informação. Quando desligado, o utilizador pode manter informações como a hora, calendário, tempo entre outras, ativas. Todavia, há um pequeno consumo de bateria e, para alguns utilizadores, a informação constante no ecrã pode ser bastante distrativa. Felizmente é apenas uma opção.

Para o consumo multimédia, este ecrã é fantástico. Mas na parte do som a qualidade da experiência não se faz acompanhar. Com apenas uma coluna, o som surge apenas de um foco.

O posicionamento da coluna também não é o melhor, sendo facilmente tapado pela utilização, e a sua qualidade não é das mais satisfatórias. Ou seja, facilmente se ouve um som estridente quando se eleva o volume.

O desempenho do A9 é, no geral, bastante bom. A navegação entre menus e aplicações é fluida e, apesar do seu Snapdragon 660 não ser dos mais avançados, em conjunto com os 6GB de memória RAM, o A9 comporta-se bastante bem em multitarefas e, até, em jogos mais exigentes.

O Samsung Galaxy A9 é um dispositivo pouco coeso em quase todos os departamentos. Mas é na fotografia que mais se faz notar. Por um lado, apresenta-se com uma versatilidade enorme no que toca a possibilidades de captura de imagens graças às suas quatro lentes. Por outro, a qualidade delas não atinge as expetativas esperadas.

Cada lente no A9 tem um propósito. Temos uma lente de grande angular de 8MP, que permite a captura de paisagens e imagens com um campo de visão maior, fazendo lembrar o efeito olho de peixe. Depois temos uma lente dedicada ao zoom de 10MP, que, neste caso, é de 2x, o que permite capturar imagens com zoom sem perder qualidade nativa. Há ainda a lente principal, multiusos, de 20MP, e, por fim, uma lente de profundidade de 5MP para aquelas fotografias com efeitos de bokeh.

Todas elas funcionam bem e têm o seu propósito. A qualidade no geral é satisfatória, mas é quando as começamos a comparar e a analisar bem que percebemos alguns dos seus problemas.

A aplicação nativa da Samsung faz o melhor possível para tirarmos partido das capacidades fotográficas do A9. O utilizador que procura alguma margem de manobra com definições manuais vai sentir-se confortável. Já nos modos automáticos começamos a reparar nas tais inconsistências.

Cada lente parece ser única. Com resultados diferentes entre elas. Algo que seria de esperar uma vez que a imagem capturada se define pelas cores e luz que entra em cada uma. No entanto, a sua utilização dá a sensação que estamos a usar smartphones completamente diferentes.

Se há algo comum em todos os modos é a inconsistência no balanço de brancos, que ou não é correta ou altera automaticamente. Na aplicação há um exagero de cores em alguns modos, tornando-os demasiado artificiais mesmo sem o HDR ligado. E no desempenho em situações de pouca iluminação o ruído é muito e o detalhe é pouco.

Na parte frontal contamos apenas com uma lente para as selfies e videochamadas, que não conta com autofoco, e que é minimamente satisfatória. Conta com alguns extras como aplicação de filtros, emojis e até um efeito de desfoque artificial, mas falha com a falta de um flash frontal.

O Samsung Galaxy A9 consegue gravar vídeos em 4K, mas é nos 1080p onde o resultado é o melhor, com menos artefactos de compressão e com suporte de estabilização de vídeo.

Por fim temos a autonomia. O Samsung A9 conta com uma bateria de 3800mAh que se comporta bastante bem, com autonomia para um dia de uso diário mais intensivo, entre 8 a 10 horas, capaz de durar dois dias de forma mais modesta e controlada.

Conta com tecnologia fast-charging para um carregamento rápido em qualquer lado, graças à porta USB-C, mas ainda não é desta que temos wireless charging.

Para um dispositivo que ronda os 400€ e que aposta tanto nas capacidades fotográficas, o Samsung Galaxy A9 deixa um pouco a desejar quando comparado a outros equipamentos da sua gama e com menos opções.

Parece ser uma aposta de conceito por parte da Samsung, que, com os modelos mais modestos da linha S, começa a perder alguma razão de existir. Um sentimento que se faz sentir ainda mais quando a concorrência encontra modelos bem mais completos e únicos por valores semelhantes.

No entanto, não deixa de ser um interessante canivete suíço da fotografia e um smartphone bastante competente.

Este produto foi cedido para teste pela Samsung Portugal.

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