Análise – Razer Tartarus Pro

Vai uma mãozinha?

Um dos acessórios para jogadores mais interessantes da Razer não é necessariamente uma novidade, mas não deixa de transparecer esse sentimento pela aposta tão tímida de outras marcas em produtos como este. Falo do Razer Tartarus Pro, um híbrido entre comando e teclado para ser usado em conjunto com um rato em videojogos e, com alguma criatividade, na produção de conteúdos multimédia.

Esta não é a primeira aposta da Razer neste tipo de produtos. No catálogo da marca, podemos encontrar opções como o Orbweaver Chroma e o Tartarus V2, mas este Tartarus Pro foi o primeira do género a que tive acesso. E uma coisa é certa: deixou-me com impressões muito positivas durante as minhas duas semanas a jogar FPSs, RTSs e em outras experiências.

Com um design desenhado para a ergonomia, o Razer Tartarus Pro é um teclado de 20 teclas e outras 12 ações programáveis para usar com a mão esquerda, capaz de ajustar-se perfeitamente à posição mais confortável possível. Como? Graças ao seu apoio de pulso almofadado e ao perfil ondulado que coloca uma certa concavidade no teclado para tornar a acessibilidade das teclas o melhor possível. Além do teclado principal ser composto por 19 teclas mais uma vigésima para o polegar, sendo ótimo para ações da tecla de espaço, o Razer Tartarus Pro tem uma roda de scroll como o dos ratos, que, por defeito, tem exatamente a mesma função, e ainda um thumbpad de oito direções, perfeito para ações de navegação.

Neste modelo, o grande destaque vai para os switches óticos analógicos da Razer, a tecnologia que a marca cada vez mais pretende implementar em todos os seus equipamentos graças ao registo de ações ultrarrápido dos lasers internos. Esta é uma solução que torna os switches muito mais resistentes à utilização, com uma longevidade muito maior.

Mas o mais interessante neste periférico é o quão personalizável ele é e pode ser ajustado a qualquer situação. É como uma tela em branco, onde podemos fazer o que quisermos. Devo admitir que tive alguma dificuldade em configurar o Razer Tartarus Pro. Ao ligá-lo, o meu computador reconhecia, mas, por alguma razão, não parecia funcionar com os jogos. Isto acontecia porque os drivers estavam a criar conflito com drivers de um outro comando da Razer que uso casualmente. Num cenário normal, e após a limpeza dos drivers, o Razer Tartarus Pro é plug and play e inclui já três perfis pré-definidos para as nossas sessões de jogo.

Mas tudo pode ser configurado ao detalhe, ou neste caso à tecla ou botão, através do intuitivo software da Razer, que permite até configurar teclas com funções secundárias, dependendo da forma como clicamos nelas. O processo de configuração depende do tipo de utilização que queremos dar e requer, obviamente, algum estudo, apontamentos do que queremos fazer e até experimentação e habituação. A utilização do Razer Tartarus Pro é extremamente natural e orgânica. E devido ao seu tamanho e ergonomia, usá-lo em conjunto com um rato é uma experiência muito futurista, que nos coloca quase num cockpit de uma nave.

Os botões e ações nas pontas dos nossos dedos estão configuradas por defeito às ações tradicionais do teclado quando queremos usar o formato WASD. Na prática, torna muito intuitivo para os jogadores reconhecerem a posição das teclas em redor, como por exemplo onde fica o reload, o salto e o crouch num jogo de tiros, ou onde ficam os atalhos de ação num RPG ou RTS, normalmente na região numérica superior. Sem qualquer tipo de configuração, esta é uma experiência muito natural e que pode ser moldada ao gosto de cada um.

Contudo, este novo formato nas nossas mãos pode causar alguma estranheza inicial. Admito que, mesmo configurado por defeito, a minha memória muscular teimava em carregar em alguns botões errados devido à disposição do teclado um pouco mais irregular que um teclado convencional, mas nada que uma horas de treino não resolvam.

Para videojogos é um excelente acessório, com o qual me veria a usar regularmente. Mas talvez o pudesse usar para além das sessões de gaming. Devido à sua personalização, a produção de conteúdos, edição de imagem, vídeo, áudio e afins pode tornar-se muito mais interessante e flexível ao programarmos todos os atalhos e combinações favoritas às pontas dos nossos dedos, algo que é fácil de tirar partido com, por exemplo, as teclas de função dupla e a possibilidade de mudarmos de perfil apenas com um clique. As 32 teclas, ou ações, passam a duplicar ou a triplicar, tornando o Razer Tartarus Pro uma ferramenta de produção impressionante.

Outra função interessante para o Razer Tartarus Pro é dirigida a streams, se assim o quiserem, ao transformá-lo num deck de streaming, com todas as suas ações. Isto porque o Razer Tartarus Pro não substitui, em momento algum, um teclado mais convencional, sendo possível usar os dois periféricos em simultâneo, mesmo quando contam com comandos e botões de ações semelhantes.

Não posso falar dos outros modelos deste tipo que a Razer tem no seu catálogo, ou até outras marcas, uma vez que esta foi a minha introdução a este tipo de periféricos e fiquei impressionado. A ergonomia e o conforto de utilização são pontos importantes, especialmente quando estamos horas e horas em frente aos nossos computadores. Porém, o que me impressionou não foi tanto isso ou o aspeto técnico das suas características, mas sim a versatilidade e possibilidades que a sua personalização permite. Não é um periférico obrigatório para qualquer um, mas é, sem dúvida, uma solução muito interessante a considerar.

O Razer Tartarus Pro está à venda na loja online da Razer por 149,99€.

Razer Tartarus Pro
Nota: Muito Bom

Este dispositivo foi cedido para análise pela Razer.

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