Análise – Pro Evolution Soccer 2019

por Alexandre Lopes

Este foi um ano de mudanças para a Konami e o seu Pro Evolution Soccer. Perderam a licença da Liga dos Campeões e da Liga Europa – foi um terminar de uma parceria de 10 anos –, perderam o licenciamento de alguns clubes com os quais trabalhavam e continuam sem ter as ligas mais importantes. Portanto, como evoluir após tais perdas?

Com um lançamento sensivelmente um mês mais cedo que FIFA 19, Pro Evolution Soccer 2019 sai, também, bastante antes comparativamente à edição de 2018. Assim, a Konami dá ao seu título folego suficiente para respirar antes da concorrência apertadíssima de FIFA.

No que toca a licenças temos aqui, pela primeira vez, a Liga NOS totalmente licenciada, o que significa que, além dos três grandes – Benfica, Porto e Sporting – poderemos escolher equipas com o nome correto, como Rio Ave, Vitória de Setúbal, etc. Por alguma razão, a liga russa é exclusiva de PES 2019 – logo não existe em FIFA 19 – e há uma série de outras ligas licenciadas de países como Argentina, Turquia, Dinamarca, Suiça, Escócia, Bélgica, Chile, Brasil, França e Holanda, além de parcerias dedicadas a alguns clubes em específico.

Como seria de esperar, PES 2019 apresenta-se com melhorias gráficas e uma apresentação de cara lavada. Se em PES 2018 tínhamos menus quadrado e que surgiam na sua totalidade em cada aba, dispostos na vertical, em PES 2019 os menus estão mais agradáveis à vista nas suas cinco abas: Em casa, Pontapé de Saída, Online, Offline e Extras.

Cada opção diferente é apresentada numa espécie de retângulo arredondado, sendo que, agora, a navegação é feita horizontalmente para visualizar as restantes opções. Tudo parece estar mais arrumado e fácil de ler, causando um maior impacto à primeira vista. Não obstante, continuam a existir demasiadas opções, pelo que haverão diversas possibilidades que os jogadores nunca irão escolher. E isso não é bom sinal.

Enquanto não começamos uma partida ou andamos a explorar as diversas opções, somos brindados com uma banda sonora muito discutível e que parece ficar a anos luz daquela que foi recentemente anunciada para FIFA 19. Aqui contamos com temas de bandas como The Killers e AWOLNATION ou de artistas como George Fitzgerald e Kelela, entre outros. Novamente, temos uma banda sonora que não vai agradar a todos, mas, também aqui, há uma opção: basta ir ao menu opções e desativar os temas que não queremos ouvir.

Ainda no departamento sonoro, há que destacar o som ambiente e do próprio público que assiste aos jogos. Notei aqui uma clara melhoria na envolvência do público com o decorrer do jogo, ouvindo-se muito mais cada vez que a equipa da casa marca um golo ou quando o adversário é apanhado em fora de jogo, por exemplo.

Já nos comentários, e apesar continuarmos a ter as vozes de Pedro Sousa e Luís Freitas Lobo, a verdade é que não se destacam, continuando com o mesmo nível de qualidade da edição anterior, ou seja, são fracos. Nota-se claramente que estão a ler um texto – nem sequer o tentam disfarçar –, não há naturalidade e muitos dos relatos são depois ouvidos até à exaustão. Não há emoção, basicamente. Neste caso, podemos sempre baixar o volume dos comentários ou escolher outra língua.

Mas passemos ao campo de jogo, que é onde PES 2019 brilha. Se a edição do ano passado tinha deixado excelentes indicações, é com a nova versão que a Konami promete fulminar a concorrência. E percebem-se as melhorias em todo o lado.

Em PES 2019 a Konami fez um excelente trabalho com o seu Fox Engine, que proporciona os gráficos do jogo.
O campo de jogo parece autêntico – tirando um ou outro bug -, a luz está ainda mais natural, as sombras mais reais e as caras dos jogadores, pelo menos a de alguns, estão muitíssimo próximas da versão da vida real.

Além das habituais melhorias gráficas este ano, em PES 2019 nota-se bem melhor a fadiga/cansaço dos jogadores ao fim dos 90 minutos de jogo, especialmente se não substituirmos aqueles que precisam de ir para o banco, o que só demonstra o cuidado da Konami em querer dar um maior realismo ao jogo.

A jogabilidade de PES e a preferência da mesma face à competição acaba por cair num território muito subjetivo. Mas mesmo assim, é fácil perceber que houve um enorme trabalho para melhorar nesta edição.

Pode dizer-se que PES 2019 não é para os jogadores de FIFA, que neste caso apreciam um jogo de futebol mais artificial, mais rápido, menos real. O título da Konami é, sim, indicado para quem procura um verdadeiro simulador de futebol e uma experiência o mais próxima possível da realidade, isto é, um jogo que nos deixa com bastante raiva cada vez que a equipa perde uma bola ou executa mal um passe ou que nos deixa delirados cada vez que se faz determinada finta que vai acabar em golo.

A edição deste ano é também bastante mais desafiante. PES 2019 é um pouco mais rápido que PES 2018. Tem a velocidade de jogo perfeita. As equipas adversárias fazem mais pressão, os erros de cruzamentos e passes falhados são imensos e percebermos o desespero dos jogadores é incrível. Ainda que as animações não estejam perfeitas, principalmente quando se celebram os golos – muito atravessar de braços entre corpos, o habitual… -, nota-se que os jogadores executam movimentos que antes eram impensáveis, mesmo que com atrapalhação à mistura. E é nestes casos que as estatísticas dos jogadores, ou o facto de serem mais talhados para um passe de primeira ou dribles complexos, fazem toda a diferença.

Os guarda-redes também evoluíram. Estão mais atentos, saem melhor entre os postes e são enormes a defender, especialmente no que toca a remates de longa distância. As novas animações que apresentam também permitem que defendam os remates de outra forma, sendo que há uma ou outra ocasião em que dão um frango ou deixam entrar a bola com maior facilidade. Curiosamente, é na marcação de livres diretos que se deixam bater mais facilmente.

Já no que toca ao meio campo, que é onde se inicia a magia, noto que os jogadores agora já não arriscam tanto. Relegam-se muito para as suas posições, numa clara aproximação a um jogo de futebol da vida real. Claro, há sempre jogadores mais indicados para passes mortíferos, para lançamentos de longa distância ou que gostam de subir no terreno, mas, regra geral, ficam-se pelas suas posições, o que é excelente.

Em relação aos avançados, também é facil de perceber que houve aqui melhorias consideráveis. Além de percebermos os novos movimentos que apresentam, estão também mais inteligentes: são capazes de trocar as voltas ao guarda-redes, cabeceiam mais vezes quando têm essa oportunidade e aproveitam sempre que podem para um remate de primeira ou acrobático. Claro, às vezes são muito aselhas, mas, normalmente, conseguem colocar à vista as debilidades da defesa.

Algo que também é de realçar são as substituições rápidas, que servem precisamente para não quebrar o ritmo de jogo.

Mas nem tudo é perfeito. PES continua a sofrer de alguns problemas, como o facto dos jogadores ficarem parados quando a bola passa perto deles ou da inconsistência da arbitragem, que tende sempre a favor da equipa adversária. Além disso, não são muito criteriosos nas suas avaliações: ou apitam falta por tudo e por nada ou deixam o jogo seguir, mesmo que seja feito um carrinho perigoso. Não se percebe.

PES 2019 também tem de melhorar nos cruzamentos – é extremamente difícil marcar assim – e executar fintas e dribles não é propriamente tarefa fácil, uma vez que necessitam do uso dos dois analógicos. Já nos cantos é outra conversa, acaba por ser bastante fácil originar uma situação de golo.

De destacar ainda a inclusão do estádio José Alvalade, casa do Sporting, que surge aqui fielmente retratado. Pena mesmo que seja o único estádio português presente em PES 2019.

Mais uma vez são os jogadores mais conhecidos que surgem replicados com maior fidelidade em relação ao seu congénere da vida real. Porém, há outros casos, mesmo de jogadores conhecidos, em que o trabalho facial deixa a desejar, tanto que olhamos e só sabemos qual é aquele jogador devido ao nome que está na camisola. Infelizmente, este é um daqueles problemas que irá persistir, seja qual for a edição do simulador da Konami.

Mas se PES 2019 ganha pontos em campo, é fora dele que mostra as suas lacunas. Continua a ser ridículo não termos ligas de topo licenciadas. Além disso, não fica nada bem não termos uma liga espanhola licenciada e pelo meio aparecer o FC Barcelona ou na liga inglesa surgir um Liverpool FC no meio de tantos nomes inventados.

Há também uma série de menus e opções desnecessárias apresentadas ao jogador que contêm informação inútil. A própria linguagem, a qualidade dos textos apresentados deixa a desejar, o que só mostra que o foco da Konami é outro.

Em relação ao concorrente FIFA, PES 2019 perde nas opções de menu. Não há grandes novidades apresentadas nesta edição do jogo da Konami no que a este assunto diz respeito.

Destaca-se o modo MyClub – uma espécie de FIFA Ultimate Team -, em que podemos montar uma equipa demolidora, se bem que será mais fácil se estivermos dispostos a gastar o nosso dinheiro real para isso. Os jogadores são apresentados em cartões e, agora, é mais fácil descobrir jogadores novos.

Há também novidades na Master League, o modo ideal para os treinadores de bancada. Conseguirmos o interesse de outros clubes deixou de ser tão complicado e as negociações para a contratação ou venda de jogadores estão mais simples – dependendo dos casos, vá. Infelizmente, no caso dos milhões pedidos para a compra de jogadores, são valores muito deslocados da realidade.

Já o modo Rumo ao Estrelato, em que controlamos um único jogador com o objetivo de o tornar o melhor do mundo, não tem grandes novidades. Apesar de conseguirmos pedir a transferência para um clube com outras ambições, o facto de fazermos grandes jogos e marcar muitos golos pode não chegar para conquistarmos espaço na equipa principal, o que não deixa de ser estranho.

De resto, os modos de jogo são mais do mesmo. No que toca ao online, há alguns problemas. Talvez até possa ter sido da minha ligação, mas o que é certo é que, além de ser difícil encontrar logo um adversário para jogar, quando a partida está a decorrer, os jogadores falham passes, não intercetam a bola e vão para direções que não desejamos. Claro que se consegue fazer belas partidas de futebol na mesma, mas acaba por ser complicado jogar uma boa partida quando os jogadores andam às aranhas.

No final de tudo, PES 2019 é um puro simulador de futebol. Não aposta nos “bastidores” do jogo para se concentrar ao máximo na jogabilidade. E essa, é exímia.

Pro Evolution Soccer 2019 está disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Este jogo foi cedido para análise pela Ecoplay.


 

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