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Análise – Predator: Hunting Grounds

A nova aposta multijogador para a PlayStation 4 e PC é uma divertida adaptação bem fiel da premissa do filme em que se inspira, mas surge limitada por falta de conteúdos e por um desempenho que deixa um pouco a desejar.

Chegou à PlayStation 4 e ao PC uma curiosa proposta para os fãs de jogos co-op, inspirada na saga sci-fi e ação Predator, imortalizada pela famosa linha “Get to the chopper” de Arnold Schwarzenegger. Predator: Hunting Grounds não conta, contudo, com a estrela de Hollywood, mas sim com o icónico monstro titular, num jogo com uma forma de jogar que ainda tem muito para afinar.

Desenvolvido pela IllFonic, cujos trabalhos anteriores passaram por dar suporte a Evolve e pelo desenvolvimento de Friday the 13th, Predator: Hunting Grounds pega no mesmo tipo de formato assimétrico destes jogos ao colocar um grupo de jogadores a trabalharem em equipa, ao mesmo tempo que um elemento extra funciona como inimigo.

O conceito é, na teoria, muito interessante e bastante diferente dos jogos multijogador tradicionais cada vez mais competitivos. Porém, e ao virarem os jogadores um contra os outros, aumentam a frustração e raiva daqueles menos confortáveis a confrontos com outros jogadores com maior destreza.

Não sendo o maior fã de jogos multijogador pela sua vertente competitiva, mas sempre interessado em títulos que me dão a oportunidade de trabalhar em conjunto em objetivos comuns com amigos, Predator: Hunting Grounds é um jogo ideal para o efeito, ainda que sinta que há aqui algumas oportunidades perdidas.

Predator: Hunting Grounds é como um Jogo da Apanhada misturado com Jogo das Escondidas em ambiente virtual. Em cada sessão podemos fazer parte de uma equipa de até quatro mercenários, ou, então, podemos controlar diretamente um predador que lhes vai fazer a vida negra.

Ao escolhermos os mercenários, em cada sessão vamos parar a um de apenas três mapas, onde uma série de objetivos aleatórios nos são dados. Podem ser recolha de itens, informações, amostras de tecnologia alienígenas, assassinatos, entre outros, tudo enquanto nos infiltramos em diferentes áreas protegidas por soldados controlados pelo jogo. No fundo, temos aqui um jogo coop muito seguro, simples e tradicional, onde os jogadores podem dividir tarefas, ajudarem-se uns aos outros, etc.

A grande reviravolta, o fator diferenciador de Predator: Hunting Grounds, como já devem saber, é a presença do predador. Uma vez escolhido, este terá que procurar no mapa a equipa de mercenários e simplesmente eliminá-los com o seu arsenal. Do seu ponto de vista esse é o seu objetivo, mas, se parece assim tão simples, Predator: Hunting Grounds prova ser bem mais cerebral com um equilíbrio de ”poder” bastante interessante, pois os predadores não são imortais e têm fraquezas fáceis de atacar, especialmente se a equipa de mercenários jogar em equipa.

Foi nestes confrontos e na tensão de, eventualmente, cruzar-me com alguém a jogar com o predador, que Predator: Hunting Grounds me fez clique. Apesar do seu conceito básico, a tensão e o “medo” de sermos apanhados pelo predador durante as nossas missões é constante, levando-nos a conter o uso dos consumíveis como balas e seringas e obrigando-nos, de forma muito natural e orgânica, quase sem qualquer necessidade de diálogo com outros jogadores, a mantermo-nos perto uns dos outros, atentos a todas as nossas costas.

A adrenalina e energia que bate quando estamos a tentar fazer os objetivos contra o tempo à medida que vamos ouvindo o icónico som do predador ao longe é aterrorizante, porque graças às suas habilidades de auto-camo, juntamente com a sua visão térmica, quem joga como mercenário dificilmente o vê. Mas quem joga como predador vê absolutamente tudo.

É um desequilíbrio que acaba por dar a volta graças, como já disse, ao trabalho de equipa e às fraquezas do predador. Nesse papel, há que gerir muito bem a energia destas habilidades passivas, bem como a vida e não tomar como garantido a sua invisibilidade, que não é 100% eficaz, distorcendo o seu contorno e deixando um rasto de sangue florescente quando é baleado. Os confrontos entre humanos e predador podem durar um match completo graças a este jogo de gato e rato, o que torna cada match emocionante e divertido, especialmente jogado com amigos.

No geral, a jogabilidade é competente. Na primeira pessoa enquanto mercenário é um típico FPS, um pouco solto nos seus movimentos, mas tudo com controlos muito tradicionais sem grandes destaques ou problemas. Já no lado do predador correr de ramo em ramo e saltar por cima de edifícios para apanhar os oponentes de surpresa é bastante divertido… isto quando resulta, uma vez que o jogo recorrentemente atua de forma autónoma, com o predador a saltar para ramos errados ou a falhar alguns comandos.

De notar que Predator: Hunting Grounds joga-se muito melhor de comando. Na versão PC, onde o teclado e rato é comum, os controlos não parecem tão intuitivos. Por defeito, algumas teclas de atalho não são tão fáceis de alcançar, e o movimento com o rato também não parece responder de forma tão natural.

Já no departamento técnico é no PC que Predator: Hunting Grounds leva a taça. Visualmente não é dos jogos mais deslumbrantes, mas, graças a altas resoluções e framerates, o jogo responde e apresenta-se muito melhor. E, para surpresa minha, é um jogo bastante leve, sendo capaz de correr no máximo a resoluções acima dos 1080p em máquinas modestas sem grande problema.

A resolução mais elevada e o melhor tratamento de imagem são também vantagens de destaque num jogo passado em áreas de grande vegetação, onde a imagem clara é extremamente importante para ver objetos e inimigos à distância, algo que a versão PS4 deixa um pouco a desejar, especialmente na PS4 Slim.

Este é um dos exclusivos da Sony com pior desempenho de que tenho memória. Não é grave, é extremamente jogável, mas é impossível de ignorar tanto o desempenho maioritariamente abaixo dos 30FPS, como a imagem difusa e serrilhada, que lhe confere uma falta de clareza enorme. Este é um problema de destaque, especialmente quando jogamos enquanto mercenários e temos o predador na mira e este torna-se mesmo muito difícil de ver, mais do que é suposto pelo jogo, claro.

Os meus elogios a Predator: Hunting Grounds começam a partir de agora a ser menos, pois apesar do seu conceito ser ótimo para jogadores como eu e de nos dar muitas razões para nos divertirmos casualmente com os nossos amigos, este é um jogo despido de grandes incentivos para continuarmos a jogar.

Para além de uma seleção de mapas muito pequena, só há um modo de jogo, onde escolhemos quem queremos ser. Predator: Hunting Grounds conta com um sistema de progressão de personagens, onde podemos fazer os nossos loadouts com diferentes armas, aparências estéticas e habilidades que vão sendo desbloqueadas quanto mais jogarmos. Mas até aqui o jogo parece estar mais preocupado em desbloqueios estéticos do que mecânicos, com muitas skins para desbloquear através de créditos in-game e loot boxes ganhas no fim de cada match que, no início, dão acesso a muitos elementos de personalização para objetos e itens dos quais ainda não temos acesso, a menos que continuemos a jogar.

Também desapontantes são as funcionalidades multijogador no matchmaking. Os tempos de procura por um match são longos, podendo demorar tanto 30 segundos como 30 minutos sem grande explicação. Este é um problema que, durante os primeiros dois dias, foi prevalente e que só se resolvia ao entrar e sair da procura, colocando em causa a possibilidade de completar uma sessão de outros jogadores. A equipa da IllFonic diz estar atenta ao problema, mas para o seu lançamento, e mesmo depois de um patch (versão 1.5), deixa uma má impressão.

Jogar com amigos e tirar partido do crossplay entre a PlayStation 4 e o PC é relativamente fácil, estando apenas limitado pelos tempos de espera já referidos, e é curioso que as partidas privadas possam ser acedidas a solo, onde é possível fazer uma pequena batota para aumentar a experiência dos elementos da Fireteam, uma opção estranha que podia ganhar sentido se desse para adicionar bots, simulando as partidas online.

Predator: Hunting Grounds sabe o tipo de jogo que quer ser, mas infelizmente não é o tipo de jogo que se calhar todos queríamos que fosse. A ideia no papel é ótima e a sua execução é boa. Pessoalmente acho que gosto mais da experiência de Predator: Hunting Grounds do que aquela que merece. No fim do dia isso é um bom sinal, pois leva-me à selva mais uma e outra vez, pelo menos enquanto houver mercenários e predadores prontos para mais uma rodada.

Predator: Hunting Grounds já está disponível para PC (via Epic Games Store) e PlayStation 4 (onde requer subscrição PS Plus) por 39,99€.

Nota: Bom

Plataforma: PC e PlayStation 4
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela PlayStation Portugal.

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