Análise – Power Rangers: Battle for the Grid

A nostalgia é grande em Battle For The Grid, mas várias fragilidades fizeram com que o jogo falhasse neste renascer da saga Power Rangers.

Power Rangers: Battle for the Grid
- Publicidade -

Acho que quase toda a gente que tenha nascido entre 1980 e 2000 sabe o que é um Power Ranger, dado que, em Portugal, foi completamente viral, só perdendo para Dragon Ball. Eram as séries nos programas da manhã para os garotos, eram bonecos em todos os supermercados e lojas dos 300, eram mini-figures nos clássicos ovos de chocolate, disfarces de carnaval de fato completo, os velhinhos (e já esquecidos) mecanismos de água com discos, entre muitas outras coisas, numa campanha de marketing intensa e exaustiva.

Por ter vivido a era de ouro de Power Rangers, sei também que foi sol de pouca dura, pois em 1998 Pokémon tomou conta do país numa virose incrível (com Digimon um pouco atrás). Desta forma, Power Rangers ofuscou-se com tanta intensidade como chegou ao topo e, embora tenha havido algum esforço em manter a saga viva nas programações da manhã, acabou mesmo por cair no esquecimento.

Com o despontar do sucesso de sagas cinemáticas como Harry Potter, Hunger Games, Universo Marvel, Jurassic World e Star Wars, surgem agora notícias que dão conta de que a saga Power Rangers vai voltar a ser uma aposta, graças à aquisição do estúdio Entertainment One, por parte da Hasbro.

Para começar esta reconstrução, foi lançado Power Ranger: Battle for the Grid, que já conta com inúmeros DLCs de conteúdo, levando a crer que o investimento neste jogo é sério. Ainda assim, há muitos pontos a melhorar.

Começando pelo início, o modelo de jogo é idêntico aos jogos de luta arcade como Tekken, Street Fighter ou Mortal Kombat. Com a constante evolução dos videojogos, onde os open world com movimentação 3D conquistaram o mundo (sendo dos jogos mais jogados a cada ano que passa), este modelo arcade é um dinossauro nos tempos modernos, sobrevivendo muito graças à inovação gráfica, lore e diversidade de modos de jogo.

Power Rangers: Battle for the Grid

Power Rangers fica aquém nas três categorias. Nos gráficos ainda se perdoa, visto que, sendo um jogo para a Switch, nunca se pode exigir muito. Agora a nível de lore pedia-se mais, principalmente sabendo que é o jogo comemorativo dos 25 anos da saga, mas sobretudo por haver a intenção de fazer renascer a saga. Perdeu-se uma oportunidade de ouro para cativar novos fãs.

De certa forma, percebo a ideia de compilar tudo num só jogo, mas não acho que tenha funcionado muito bem, pois faltam inúmeras personagens de várias temporadas e a mistura de personagens e vilões tão distintivos num modo de história parece um fan service empurrado a pontapé onde o grafismo não encanta (sendo que a maior parte da história é em slides 2D). Falando do modo de história, que não é nada cativante, aproveito para referir a falta de diversidade de modos e complexidade dos mesmos.

Para além do modo história, existe o modo Arcade, em que é possível combinar três Rangers e um Megazord para uma demanda de sete estágios, mais o estágio final de desafios diferentes. Porém, chega-se ao fim e não se percebe bem o objetivo do mesmo.

Há também o modo Versus, que permite fazer batalhas simples contra o CPU ou amigos, bem como o Training, um dos modos mais úteis para principiantes, visto que ensina os comandos básicos do jogo. Aliás, recomendo que comecem por aqui, sendo que é bastante elucidativo face a todo o potencial que podem atingir em batalha. Resta o modo Online, onde podem jogar ranked, casual ou em lobbies.

Power Rangers: Battle for the Grid

Caso sejam mesmo fãs da franquia ao ponto de quererem alargar o leque de opções de personagens disponíveis, podem fazê-lo por via de DLCs. Se bem que considero 14,99€ por um pack de três personagens um absurdo, mas isso vai do gosto de cada um.

A jogabilidade e desempenho do jogo são bons, os comandos bastante responsivos e os load times aceitáveis. No entanto, depois de jogar outros títulos do género durante tanto tempo, noto que a diversidade de comandos em combate é muito reduzida. Combos então nem se fala. Por um lado é bom, pois é fácil dominar os comandos, mas, por outro, acaba por saturar rápido devido à monotonia dos combates.

Olhando para o jogo como um todo, entretém, mas infelizmente não por muito tempo. Enquanto os grandes fãs podem encontrar alguma satisfação vinda da nostalgia, os fãs de jogos de combate arcade vão acabar por cansar-se rapidamente.

Power Rangers: Battle for the Grid torna-se, assim, num arranque a meio gás de uma saga que vai precisar de muito mais do que um jogo tão limitado para despontar interesse nos mais novos e re-conquistar os fãs de longa data.

Nota: Satisfatorio

Plataforma: PC, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch
Este jogo (versão Nintendo Switch) foi cedido para análise pela The Amplifier Group.

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

12,401FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
653SeguidoresSeguir

Relacionados

Análise – Chronos: Before the Ashes

Da realidade virtual para as consolas – assim é a prequela de Remnant: From the Ashes.

Análise – XIII Remake

Um regresso ao passado que desvirtua a memória do jogo original para um lucro rápido da produtora.

Análise – Just Dance 2021 (PS4)

Com as novas consolas aí à porta, Just Dance 2021 chega just in time, para meter a malta a suar sem sair de casa.

Análise – Gears Tactics

A série Gears troca o caos imersivo da guerra na terceira pessoa por batalhas táticas e cerebrais numa nova perspetiva. Mas mantém todos os outros ingredientes que a definem intactos.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Horizon Zero Dawn junta-se ao PS Now

Há meia dúzia de novos jogos no serviço de streaming da PlayStation.

Control chega ao Xbox Game Pass juntamente com mais de uma dezena de jogos

Dezembro leva até à subscrição mais de uma de jogos para PC, consolas e smartphones.