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Análise – Pokémon Sword e Shield

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Sinto que sou um dos felizardos que cresceu em boa altura para testemunhar a ascensão de Pokémon, para aquela que se tornou a propriedade inteletual mais rentável da historia do entretenimento. A febre em apanhá-los todos foi, durante muito tempo, bem real, e saber de cor o nome dos primeiros 151 Pokémon era quase tão obrigatório como saber a tabuada na passagem do milénio.

Já passaram cerca de 25 anos desde que a série estreou e, em 2019, como manda a tradição, somos presenteados não por um, mas por dois novos jogos, desta vez na consola principal da Nintendo, a Nintendo Switch, com um título que podia ser muito mais arrojado do que podia.

O potencial de termos uma experiência Pokémon em Pokémon Sword e Pokémon Shield completamente nova existe nesta dupla de novos jogos, mas, a cada passo em frente, a Game Freak parece dar outro para trás.

Começando por aquilo que muitos fãs se sentiram vocalmente desiludidos, há, de facto, uma redução do número de Pokémon disponíveis no Pokedex desta nova aventura. A série, que tem incrementado uma geração de novas criaturas a cada novo jogo, resolveu, desta vez, cortar para metade, sacrificando algumas criaturas favoritas de gerações anteriores, em prol de novos designs e de versões alternativas de Pokémon já conhecidos e muitos mais, dedicados ao novo bioma da região de Galar, inspirada no Reino Unido.

Felizmente, esta arrojada decisão acaba por não ser tão preocupante como muitos temiam, pois a quantidade de criaturas novas não só continua enorme, como há um grande sentimento emocionante de descoberta pelo inesperado a cada combate ou encontro com Pokémons selvagens. É algo muito semelhante às primeiras vezes que joguei Pokémon em que não conhecia muitos mais dos que aqueles que vinham na capa do jogo ou dos apareciam na série de televisão.

Pokémon Sword e Shield segue o formato tradicional que a série adotou desde o início. Neles vamos controlar um rapaz ou uma rapariga, que iniciam uma jornada de exploração e aventura por cidades e ambientes selvagens colecionando e combatendo criaturas, treinando-as e competindo numa Liga Regional. Em Sword e Shield, esta aventura é simplificada, indo direta ao assunto e, mesmo com algumas novidades, o lado mais narrativo desta experiência perde-se em encontro com rivais e personagens secundárias com pouco impacto e sem mini-histórias ou grande exploração em zonas secretas.

Se Pokémon Sword e Shield aposta numa experiência mais imersiva e autêntica, como as lutas de ginásio agora a acontecerem em estádios lotados de pessoas e Pokémon animados a cantar e a aplaudir durante as lutas, tornando-as um pouco mais dinâmicas. Mas, por outro lado, esta imersão e envolvência, nos combates e fora deles, contam com uma estranheza enorme quando continuamos a ter personagens mudas. As conversas e interações continuam apenas em texto, mesmo com as personagens a gesticularem e a mexerem a boca. É estranho, aborrecido e, nesta altura do campeonato, a série já merecia melhor.

Outra das grandes novidades de Pokémon Sword e Shield são as novas versões de Pokémon, os Gigantamax, que transformam a aparência e os poderes das nossas criaturas durante um período limitado durante o combate, dando-nos aquela tão vantagem necessária.

Esta função substitui as mega-evoluções, mas o seu funcionamento é muito semelhante e mais espetacular, com uma seleção de criaturas a ganharem proporções enormes e aumentarem a força dos seus poderes, em batalhas que evocam as lutas de kaijus.

Pokémon Sword e Shield é também um jogo que parece que nos leva pelas mãos constantemente, com Hop, uma das personagens secundárias a acompanhar a nossa aventura e guiando-nos de X em X de tempo para o próximo objetivo.

A acessibilidade e facilidade de leitura do jogo está sempre presente, com pequenas melhorias de qualidade de vida um pouco por todo o lado. Pokémon Sword e Shield conta com alguns dos melhores menus e sistemas de gestão de itens, Pokémon e afins da série, com menus limpos, claros, cheios de estilo e, no geral, muito agradáveis de se usar.

Atalhos e acesso rápido ao vários itens e comandos existem em abundância e, para quem não jogava Pokémon há varias gerações, ver um botão dedicado para o lançamento das Pokébolas, sem recorrer a menus, é uma dádiva que nos motiva a parar para caçar.

A apresentação do jogo também é no geral fantástica, mas não é do melhor que já vimos na Nintendo Switch. Na minha opinião, Lets Go, lançado no ano passado, pareceu-me ter um registo mais autêntico e agradável do que Sword e Shield.

Agora estamos perante um jogo 3D livre com câmaras fixas e dinâmicas que se ajustam de acordo com a zona, e que, noutras, podem ser manipuladas. Enquanto que os modelos das personagens e criaturas são fantásticos, bem definidos e (salvo raras excepções) bem animados, já os cenários são mais inconsistentes, com as cidades e rotas cheias de detalhe e recheadas de objetos e a nova Wild Area, onde podemos explorar livremente, a parecer demasiado vazia e pouco detalhada, mesmo quando encontramos dezenas de Pokémon a deambular por todo o lado.

A Wild Area tem um potencial grande, especialmente no pós-jogo, onde as aventura pode ganhar mais algum brilho, mas, ao mesmo tempo, pode quebrar o ritmo da jornada principal do jogo. Esta região extensa, que liga várias cidades e vilas, é o palco de muitas batalhas e capturas, servindo também de hub social para acampar com os nosso Pokémon ou juntarmo-nos a Raids com outros jogadores.

Nela, encontramos Pokémon selvagens, que, tal como noutras zonas do jogo, apresentam-se livres no ambiente, como em Pokémon Lets Go, e onde podemos combatê-los e capturá-los ou então contorná-los e fugir (quando conseguimos). Explorar estas áreas, com várias condições climatéricas ou ciclos dia e noite, que afetam o tipo de Pokémon disponíveis, é emocionante e acrescenta uma nova camada à exploração. Mas infelizmente, o jogo oferece-nos esta área como opcional e, por vezes, a vontade de chegar ao próximo objetivo “obrigava-me” a seguir em frente, sem grandes motivações de explorar de imediato o que o jogo tinha para oferecer.

Pokémon Sword e Shield parece, por vezes, o jogo mais ambicioso da série, com momentos e funcionalidades fantásticos, onde se sente alguma progressão no sentido certo. Porém, existem tantas decisões estranhas e, por vezes, tão arcaicas, que aquela que podia ser uma experiência mágica e fantástica é só “ok”, num jogo Pokémon onde apanhá-los todos é para se fazer com calma e com alguma vontade.

Nota: Bom

Pokémon Sword e Shield

Plataformas: Nintendo Switch
Este jogo (Versão Sword) foi cedido para análise pela Nintendo Portugal.

Pokémon Sword e Shield não é a estreia da série na Nintendo Switch. É, sim, um importante passo para o seu futuro, com algumas novidades que tornam a experiência mais agradável, mas com uma filosofia demasiado agarrada ao passado. É Pokémon como sempre o conhecemos, numa nova região e com novos amigos para fazer.

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