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Análise – Planeta dos Macacos: Última Fronteira – Um conceito nobre com uma má execução

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À medida que o tempo passa, vamos tendo cada vez mais jogos que nos permitem sentar no sofá e assistir ao desenrolar da história, dando-nos a oportunidade de interagir com as personagens através das suas decisões. Isto é algo que pode resultar em ações inesperadas, tornando a experiência única e singular para diferentes jogadores.

Com a recente chegada do sistema PlayLink, surge a oportunidade de juntar vários jogadores à volta do ecrã e tomar decisões como se estivessem a jogar o “pedra, papel, tesoura”.

Planeta dos Macacos: Última Fronteira permite-nos jogar a solo ou com até quatro amigos através do nosso smartphone ou com os controlos da PlayStation 4, sendo que, ao longo do jogo, vamos ter momentos de diálogo e sequências de ação rápida que vão moldando o progresso da história, muito semelhante ao que já vimos no exclusivo Hidden Agenda.

Criado pela Imaginati Studios, do aclamado ator Andy Serkis (Ceaser do Planeta dos Macacos e Gollum do Senhor dos Anéis), Última Fronteira é um spin-off oficial da mais recente trilogia da série Planeta dos Macacos, passando-se entre Planeta dos Macacos: O Confronto e o mais recente Planeta dos Macacos: A Guerra.

Esta nova história é muito tangencial à série principal, sendo que, só o facto de se passar no mesmo mundo e a apresentação artística, é que realmente conetam os episódios.

A história é menos “global” do que é por hábito encontramos nos filmes, sendo reduzida a um conflito, entre fações humanas e de macacos, bem mais pequeno. Aqui vamos explorar um grupo de macacos seguidores de Koba (rival de Ceaser nos filmes), isolado nas montanhas, e que se vê forçado a assaltar os humanos para sobreviver devido à falta de comida.

Do outro lado temos os humanos, ameaçados pela ameaça símia, com problemas de liderança e muita desconfiança.

É uma premissa com muito espaço para explorar, com personagens que poderiam ser interessantes e momentos que poderiam ser tensos, mas que, infelizmente, raramente atingem o seu potencial. Isto deve-se ao facto de Planeta dos Macacos: Última Fronteira ser aborrecido e não ter ritmo.

O decorrer da história salta de forma emparelhada entre humanos e macacos, sem grande espaço para nos concentrarmos numa situação específica. Por vezes somos atirados para o meio de uma conversa, onde rapidamente temos que escolher linhas de diálogo sem qualquer suporte ou contexto, e isto acontece em momentos em que somos questionados sobre um ponto de situação ou o estado emocional da nossa personagem, de forma tão íntima que se torna, no mínimo, desconcertante.

Ou seja, o ritmo a que é feito a seleção das linhas de diálogo acaba por ser inconsistente, obrigando-nos a estar com atenção a todas as palavras. Noutras ocasiões, temos ainda porções de uma cinemática onde não há nada para escolher e, outras vezes, tudo o que a nossa personagem diz tem que ser escolhido.

Quando jogado em grupo, a experiência fica ainda mais estranha, tornando o jogo lento e aborrecido pelo tempo perdido a tomar decisões.

Os momentos de ações rápidas são esporádicos e surgem sem aviso prévio, resultando em alterações na narrativa das quais não temos controlo absolutamente nenhum.

O jogo também sofre com o seu sistema de checkpoints ao retroceder porções significativas do jogo, obrigando a tomar uma série de decisões de novo.

Para piorar ainda mais as coisas, há uma ausência bastante considerável de música de fundo. Última Fronteira é um jogo muito silencioso, o que em nada ajuda quando, nas sequências dos macacos, somos apresentados a personagens que usam língua gestual.

Felizmente, os visuais são bem melhores em jogo do que se pode ver em imagens ou trailers. Os macacos são as estrelas do jogo, fielmente recriados, e com uma apresentação consistente com o que vemos nos filmes. As suas animações também mostram algum cuidado e dedicação por parte do estúdio e, honestamente, não se esperava outra coisa.

No entanto, a apresentação visual é, também, inconsistente. Do lado dos humanos, por exemplo, não há o mesmo grau de cuidado. A nível global, a ambiência e tom estão equilibrados, mas existem pormenores de baixa qualidade capazes de saltar à vista, até para quem não se interessa por jogos.

Planeta dos Macacos: Última Fronteira parece um jogo experimental, tal como uma tentativa nobre de Andy Serkis em tentar misturar o cinema com os videojogos nesta sua aventura. Infelizmente, este tipo de experiências já existe em diferentes formatos, e com execuções muito melhores.

Planeta dos Macacos: Última Fronteira sofre imenso de inconsistências e desequilíbrios, o que é uma pena, já que a premissa para um novo episódio desta saga poderia ser o suficiente para agarrar o jogador ao ecrã. Mas num videojogo, é preciso mais do que isso para nos deixar investidos na história.

Planeta dos Macacos: Última Fronteira
Nota: 5/10

O jogo foi cedido para análise pela PlayStation Portugal.

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