Crítica – Our Souls At Night

por Alexandre Lopes

Estreou hoje, na Netflix, a mais recente aposta da plataforma de streaming. Our Souls At Night volta a juntar, pela quarta vez, Robert Redford, de 81 anos, e Jane Fonda, de 79 anos, na protagonização deste filme, realizado pelo indiano Ritesh Batra e adaptado ao cinema por Scott Neustadter e Michael H. Weber.

Our Souls At Night é adaptado do romance homónimo do escritor Kent Haruf e conta a história de Addie Moore (Jane Fonda) e de Louis Waters (Robert Redford), vizinhos numa pequena cidade do Colorado, nos Estados Unidos. Apesar da proximidade entre as suas casas, nunca foram muito cúmplices, algo que muda, inesperadamente, quando Addie procura Louis e lhe pergunta se quer dormir consigo, de forma a aliviar a solidão que tem vindo a sentir na sua vida. Começa assim uma história de amor entre dois idosos.

Ponto prévio: não esperem ver cenas de sexo entre este casal. Não se sabe bem porquê, mas o realizador Batra opta por não o fazer… talvez por imposição de Redford, que é também produtor do filme, e que, segundo Fonda, não é muito apologista de filmar sequências que envolvam uma cama.

Esta é uma relação que começa por ser meramente platónica, mas que acaba por resultar num verdadeiro romance. Começa pela amizade, pelo conforto, pelo companheirismo, pelas conversas noite dentro e pela partilha de segredos. Tudo isto vai ficando mais sério, e, à medida que isso acontece, também a relação do casal começa a ser tema de conversa no bairro, com comentários maldosos pelo meio, demonstrando que manter uma relação com aquela idade pode, afinal, não ser tão simples como parecia.

O grande destaque neste filme está, como não poderia deixar de ser, na performance dos protagonistas. Afinal, não é a primeira vez que os vimos juntos no ecrã. Existe ali algum pudor, mas também cumplicidade entre Jane e Robert, que, na pele das personagens, passam ao espetador a ideia que os olhares, as expressões e a emoção de amar surge naturalmente, mesmo naquela idade.

O próprio realizador sabe disso, e, nunca forçando as cenas, deixa os atores fazerem o seu melhor, numa jogada inteligente e elegante. Num tom suspenso, Ritesh Batra permite que o filme respire, filmando a forma de andar e os gestos dos dois atores, numa clara evolução de mostrar como estes frágeis corpos conseguem existir numa nova realidade.

A fotografia é outro ponto de destaque em Our Souls At Night. Stephen Goldblatt é responsável pelas belíssimas fotos com um tom que lembram o outono, como se fosse uma espécie de retrospetiva melancólica pela vida e que algo está prestes a dizer adeus. O adeus, neste caso, a estas duas figuras da Hollywood dos anos 70. Provavelmente não voltaremos a vê-los juntos.

O filme teve estreia mundial no Festival de Cinema de Veneza, evento onde Jane Fonda e Robert Redford foram homenageados com o Leão de Ouro para as respetivas carreiras. Dá a sensação de ser um filme que, por sinal dos tempos, poderia ter estreado no cinema se tivesse surgido há uns bons anos.

Our Souls At Night é um filme gracioso sobre amar, envelhecer e usufruir das segundas oportunidades que a vida oferece, mesmo em idades avançadas. Não só retrata com carinho e delicadeza o envelhecimento, como também surpreende quando mostra que é possível redescobrir os pequenos prazeres da vida.

Our Souls At Night estreou dia 29 de setembro na Netflix.

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