Análise – Microsoft Surface Pro 6

por David Fialho

Enquanto a Microsoft não nos apresenta as novidades da sua linha Surface para o final de 2019, o Surface Pro 6 é o ultra-portátil híbrido mais recente e compreensivo da tecnológica.

Sim, é verdade que temos o Surface Laptop e o “monstruoso” Surface Book, mas é no Surface Pro que encontramos a essência deste conceito que a Microsoft trouxe para o mercado, sendo este modelo um perfeito exemplar.

Ainda que seja “apenas” um tablet, não é por acaso que lhe chamam um ultraportátil híbrido. O Surface Pro 6 pode ser usado sem teclado, é verdade, mas, sem ele, o seu potencial fica aquém das expetativas e pode ser um limitador na produtividade. Para todos os propósitos, o teclado de Alcantara disponível para o Surface Pro 6 é tão essencial como os dedos que usamos no seu ecrã tátil.

Começando pelas primeiras impressões, o modelo que recebemos para teste é um modesto dispositivo com um processador Intel i5 de oitava geração (i5-8250U), processador gráfico incluído da Intel (Intel UHD Graphics 620), 8GB de memória RAM DDR3 e um disco interno SSD de 256GB. Um conjunto de componentes bastante competitivo e atual dentro deste segmento.

Na sua versão em Preto, em vez do já tradicional Cinza, o Surface Pro 6 é discreto e de aparência bem moderna, com linhas simplistas, enquanto ao mesmo tempo se apresenta com uma imagem clássica.

A sua frente é apenas ecrã, com uma moldura uniforme em todos os lados, escondendo no topo uma câmara de 5MP com suporte de captura vídeo 1080p. Com a concorrência e uma tendência dos tablets e portáteis em reduzirem cada vez mais as molduras, a do Surface Pro 6 pode não corresponder às atuais expetativas.

Ainda assim, em utilização revela-se bastante útil, pois estamos a falar de um equipamento com um ecrã de 12,3 polegadas que precisa de espaço para podermos colocar as mãos em modo tátil.

Esta moldura também se revela bastante útil para quando se usa o teclado ao criar uma pequena dobra, o que confere ao teclado uma ligeira e confortável inclinação.

Por falar em inclinação, é na traseira do Surface Pro 6 que encontramos a sua dobradiça, ou Kickstand para os amigos, que abre até mais não, expandindo o leque de opções de utilização. Ora podemos usar o Surface Pro 6 como uma moldura digital para estar a passar vídeos e fotografias, podemos usá-lo como um ultraportátil normal, podemos incliná-lo até mais não para usar em modo criativo com a Caneta especial, e, em último caso, também bastante útil em produtividade, fechar o Kickstand por completo.

A sua versatilidade é, sem dúvida, um dos grandes pontos altos do Surface Pro 6 e, sem dúvida alguma, um dos pontos a considerar para quem quer comprar um ultra-portátil ou um híbrido.

Tal como o Surface Book, existem várias soluções em que podemos colocar o teclado nas traseiras, outras soluções onde podemos destacar o teclado como aqui, mas o Kickstand e a sua robustez parece-nos ser extremamente libertador.

O seu ângulo de abertura é enorme, a sua resistência é perfeita, e em momento algum temos a sensação de estar perante um equipamento frágil prestes a partir-se.

Esta sensação de solidez também se aplica ao teclado de Alcantara, que é de toque suave e agradável, maleável o suficiente e conta com uma altura de teclas perfeita, com todas as teclas bem espaçadas e de fácil identificação.

Ainda em relação ao exterior do equipamento, é a nível de portas que o Surface Pro 6 pode parecer um pouco mais limitado. É claro que não se esperam muitas portas USB, mas seria simpático, para além da USB 3.0, ter também, num modelo de 2018, uma porta USB-C. Para compensar, a Microsoft optou por colocar uma segunda porta USB no adaptador de energia. E em vez de uma HDMI temos apenas uma Mini DisplayPort, um leitor de cartões e uma porta áudio de 3.5mm, numa posição pouco intuitiva onde não a encontrei na primeira vez em que usei o Surface Pro 6.

Também de estranhar é a porta proprietária de ligar o Surface Pro 6 à corrente. É magnética e extremamente simples de ligar e de desligar em caso de um esticão acidental. Contudo, ocupa espaço precioso com a porção do cabo a ocupar o espaço de algumas das portas na área onde é mais intuitivo colocar a caneta da Microsoft.

No que toca à aparência, qualidade de construção e potenciais usos, o Surface Pro 6 causa uma excelente primeira impressão. Felizmente, na sua utilização, o Surface Pro 6 também marca alguns pontos e corresponde às nossas expetativas.

Estamos perante um equipamento desenhado inteiramente a pensar no Windows 10 e no seu ecossistema, como é óbvio, o que torna a sua utilização prática e familiar. Em todo o caso, para os utilizadores que nunca tenham usado um computador tátil, ou não o façam com regularidade, é necessário aprender alguns truques e ajustar-se às definições automáticas de troca de modos.

Em termos de desempenho, o Surface Pro 6 é um mimo. O seu ecrã 3:2 de 2736 x1824 pixéis é brilhante e apresenta uma definição e cores excecionais, com margem de manobra para ajustar as definições de acordo com as nossas preferências de forma mais aprimorada. Não há dúvida que é um excelente ecrã para navegar na Internet, ler ficheiros, ver filmes e séries e, claro, desenhar sobre ele.

O uso da Caneta para Surface vem praticamente substituir o rato. É tão simples e tão eficaz que só muito raramente será necessário usar o trackpad. Os toques respondem de forma exata e imediata de como é esperado, tornando a utilização do Surface Pro 6 numa experiência altamente orgânica.

Os limites da sua utilização, em particular na escrita e no desenho, ficam-se apenas pelas ferramentas e aplicações que usamos, em particular o teclado do Windows 10, com a conversão de escrita para texto a funcionar de forma bastante aceitável. Todavia, a área de escrita no ecrã e a forma como se sobrepõe às aplicações que estamos a usar pode ser o suficiente para, num uso realista, voltarmos ao teclado tradicional.

Se são adeptos de desenhos e rascunhos vai ser muito difícil voltar ao tradicional bloco de notas. O Surface Pro 6 é um exemplar do caderno digital. Mais uma vez, dependendo da aplicação usada, e há muitas na Windows Store, esta forma de usar um computador é altamente futurista e orgânica.

A nível de produtividade multimédia, é com alguma satisfação que vemos o Surface Pro 6 a comportar-se bastante bem em ferramentas de edição de vídeo e imagem, como o Photoshop e Premiere, com as aplicações a abrirem bastante rápido e ajustadas aos novos sistemas táteis.

Em todo o caso, é aqui que começamos a ver algumas limitações e onde a Caneta não é uma solução única e universal, com um rato ou o teclado a serem importantes para atalhos e funções.

Para quem procura jogar num equipamento destes, as notícias não são as melhores. É possível encontrar uma seleção de jogos mais antigos que correm perfeitamente no Surface Pro 6, com imensos jogos móveis compatíveis a estarem disponíveis na Windows Store. Mas o Surface Pro 6 não é, definitivamente, uma máquina de jogos. A menos que a vossa aposta seja no streaming de Xbox ou PlayStation 4.

A nível de bateria, o Surface Pro 6 não faz milagres. Tem um tempo de vida expectável, segundo a Microsoft, de 13 horas e meia, que, com uma utilização prática sem puxar muito pela máquina, poderá ser possível. Na nossa utilização regular diária, com a bateria a 100% em desempenho máximo, em diferentes atividades ao longo do dia, o Surface Pro 6 aguentou-se bastante bem até ao final do dia, passando no teste de uma utilização realista, o que acaba por ser libertador ao não comprometer as nossas atividades.

O Surface Pro 6 é um excelente híbrido, talvez o melhor que já nos passou pelas mãos, e que levanta mesmo a questão se não será melhor que um “simples” ultra-portátil.

Com as dimensões certas, um enorme potencial e versatilidade de utilização e características bem atuais, o Surface Pro 6 é agora um dos computadores mais fáceis de recomendar para quem anda à procura de algo novo.

Este produto foi cedido para teste pela Microsoft Portugal.

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