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Análise – Metal Max Xeno

Metal Max Xeno é um produto estranho e algo perdido no tempo. Apesar de ser um RPG extremamente competente, ainda que pouco original, parece ter saído diretamente da PS2, assemelhando-se mais a uma remasterização de um título perdido do que a um jogo recente e lançado este ano. É um jogo tão condicionado pelo seu orçamento que conseguimos sentir cada um dos cêntimos investidos nos seus cenários repetitivos e no combate pouco profundo. E ainda assim, consegue ser divertido.

Esta sensação de divertimento pode não ser eficaz para todos os jogadores devido às limitações de Metal Max Xeno, mas, mesmo com a sua campanha linear e curta, demasiado limitada para um RPG, existem sistemas que dão alguma profundidade à personalização das personagens e dos seus tanques, juntamente com um ritmo constante de novos itens e equipamentos para desbloquear.

O mundo de Metal Max Xeno é muito aborrecido, levando-nos para um dos cenários pós-apocalípticos mais desinteressantes que já encontrámos nos videojogos. O deserto estende-se em todas as direções e à nossa volta só encontramos edifícios destruídos e alguns monumentos de uma civilização perdida (neste caso, a nossa), que servem também de pontos de deslocação rápida (fast travel). Mesmo as masmorras, que só podem ser exploradas a pé, são limitadas e apostam num design demasiado linear que retira qualquer vontade em explorar e em descobrir novas zonas. São os mesmos cenários repetidos, quase como um corta e corta descarado, banhados sobre uma saturação de cores quentes e de caves escuras sem detalhes.

A nossa comparação aos títulos da era PS2 é muito certeira na medida em que temos um estilo cell-shaded pouco eficaz, cenários limitados e muito curtos e uma aposta na estética anime que serve mais para evidenciar a falta de imaginação da direção de arte do que dar-lhe alguma personalidade. O único destaque positivo vai para os tanques e para o design dos robots, especialmente dos bosses, onde temos uma variedade significativa nos seus modelos e ataques. Metal Max Xeno é um jogo que pode ser nostálgico, mas pelos piores motivos.

Apesar da linearidade da campanha, que nos leva a explorar um mundo muito restrito e pouco imaginativo, encontrámos alguma profundidade na forma como construímos a nossa equipa e os seus tanques. Ao contrário do que seria de esperar num jogo tão pouco criativo, onde até os combates são por turnos, não existindo grande variedade na forma como enfrentamos cada inimigo – a não ser pela aposta na destruição de escudos para um maior dano e para a recolha de itens mais raros –, existe a possibilidade de alterarmos praticamente todos os parâmetros do nosso tanque. E é aqui que reside a alma de Metal Max Xeno.

Como a exploração é feita através dos tanques, é necessário comprar e construir constantemente novos equipamentos para melhorarmos o seu poder de ataque. Através dos combates e de itens espalhados pelo mapa, temos acesso a recursos essenciais para a construção destes novos materiais. Os parâmetros podem influenciar o ataque, mas também a defesa e os seus escudos, existindo a possibilidade de alterarmos até o motor e melhorar a sua classe, peso e performance. Se tiverem o dinheiro e os recursos necessários, podem melhorar o vosso tanque à vossa vontade.

No entanto, existe uma limitação inteligente à personalização dos tanques através da energia disponibilizada por cada motor. Para equiparmos armas mais poderosas, que podem ir de canhões poderosos a lançadores de misseis, temos de influenciar a energia do tanque, o que significa que podemos baixar a sua velocidade e, mais importante, o seu escudo.

Desta forma, não podemos simplesmente equipar as armas mais poderosas e esperar que o tanque aguente – isso não vai acontecer. Se queremos uma equipa equilibrada, devemos dividir o armamento por todos os membros e controlar a energia de cada tanque. Com os bosses a utilizarem, quase constantemente, os seus ataques mais poderosos e a obrigarem-nos a manter o foco no ataque, é necessário ter a proteção necessária para continuarmos em frente. Mesmo com as habilidades especiais, com os equipamentos e com o armamento, se não tivermos um olho para a estratégia, podemos ficar com tanques que são facilmente destruídos independentemente do seu poder.

Apesar da personalização das personagens ser muito mais limitada, existe um sistema de desafios que nos dá acesso a novos pontos de habilidades que podemos distribuir por vários atributos. Os desafios não são muito complexos, com a maioria a focar-se na progressão da campanha e na descoberta de itens, o que nos incentiva a continuar a explorar e a desbloquear novas tarefas para concluirmos. Não é o sistema mais completo que encontramos no género, mas é eficaz para um jogo tão simples como Metal Max Xeno.

Tendo em conta este foco na personalização, é uma pena termos um sistema de combate tão básico e insípido. As batalhas com os tanques são menos insuportáveis, especialmente porque temos a oportunidade de efetuar um ataque antecipado e eliminar os inimigos antes do começo dos combates, mas quando exploramos as masmorras, que são, por si só, aborrecidas, e encontramos combates aleatórios, com um rácio algo preocupante, percebemos como Metal Max Xeno é um jogo pouco profundo ou preocupado em inovações. É o mais básico que encontramos no género: ataquem, usem habilidades especiais, alguns ataques elementais e usem itens. Cada batalha é penosa e rapidamente começámos a temer as viagens pelas masmorras. Com uma aposta tão saudável na personalização, ficamos a pensar: porque não temos um sistema de combate melhor?

Outro sistema interessante, ainda que pouco desenvolvido, é o crescimento da nossa base, denominada Iron Base. Através da descoberta de sobreviventes, com alguns a fazerem parte da nossa equipa, e do melhoramento da tecnologia da base, que é feito através da descoberta de manuais espalhados pelo mundo, temos acesso a novos equipamentos e materiais essenciais para os nossos tanques. Com a história a focar-se na sobrevivência da raça humana, temos o incentivo constante de reduzir a taxa de extinção ao melhorarmos a base. No entanto, pedia-se mais deste sistema e adorávamos ver um foco maior na construção da base e na sua personalização do que na manutenção de uma barra de progresso. Metal Max Xeno é um jogo com boas ideias, mas sem ambição.

Como se trata de um jogo curto, Metal Max Xeno consegue-nos agarrar, especialmente durante as primeiras horas, mesmo com a sua jogabilidade limitada. O ritmo de exploração, de recolha de itens e a sensação de progressão tanto na construção dos tanques como no melhoramento da base, cria um entusiasmo nos jogadores que infelizmente não é alimentado durante as horas seguintes. É um jogo divertido quando nos mentalizamos que não é mais do que um RPG básico com ideias interessantes, mas é igualmente frustrante pelas mesmas razões. Para um RPG que parece ter saído do catálogo da PS2, podia ter aprendido muito com a era que parece tentar emular.

Metal Max Xeno
Nota: 5/10

Este jogo foi cedido para análise pela NIS America.

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