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Análise – Metal Gear Survive – Um jogo Desinspirado e Oportunista

Metal Gear Surive é meio sequela, meio spin-off de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, o último jogo de Hideo Kojima antes de abandonar os estúdios da Konami.

Este é um título envolto em drama e conspirações e que é visto pela indústria dos videojogos, mas especialmente pelos fãs da saga, como um produto que se aproveitou de uma propriedade inteletual reconhecida e que se apresenta torcido numa tentativa de arrecadar dinheiro para a Konami.

Portanto, a questão que se levanta é: será que Metal Gear Survive merece a nossa atenção?

Convém referir que Metal Gear Survive não faz parte do cânone da icónica saga. No entanto, há um enorme esforço deste jogo em tentar ligar eventos e elementos de jogos anteriores.

As primeiras horas de jogo podem mesmo ser vistas como um teste à nossa paciência. Pela nossa frente vamos encontrar cinemáticas longas, cheias de exposição, e que se dividem entre cinemáticas tradicionais e em diálogos de texto. Esta apresentação acaba por refletir-se ao longo do jogo, onde muitos dos acontecimentos que dão progressão à campanha acontecem fora do ecrã e são resumidas em longos trechos de diálogo escrito. As personagens que vamos encontrando não têm profundidade e servem quase só para encher o ambiente do jogo, sem grande impato narrativo.

Metal Gear Survive foi criado com base em The Phantom Pain, título onde vai buscar o motor de jogo, objetos, locais, modelos de personagens e muito mais. Outro elemento que também empresta é a jogabilidade. Em The Phantom Pain, a dita cuja era fantástica: uma personagem fácil de movimentar, muitos equipamentos para usar e muitas oportunidades de abordar situações de maneiras diferentes, ao ponto de as missões nunca acontecerem da mesma maneira quando repetidas. Já em Survive, a jogabilidade sobre uma enorme limitação que se ajusta a um jogo de sobrevivência, com novas formas de jogar e sem a liberdade do seu predecessor.

Survive está focado numa jogabilidade direcionada a encontros corpo-a-corpo, com recurso a paus, lanças, espadas e arcos e flechas, dando menos importância a armas de disparo de médio ou longo alcance. É, também, um jogo que dá especial atenção à saúde do jogador, obrigando-o a estar atento ao nível de fome, sede e de oxigénio, e, embora ainda tenha elementos de stealth, é algo que fica um pouco para a desejar.

As primeiras missões de Survive querem que o jogador conheça basicamente tudo o que temos disponível. Estamos a falar de tutoriais, sim. É aqui, no entanto, que também começamos a ver os podres do jogo. A comunicação entre o jogo e o jogador é quase ofensiva, dando-nos palmadinhas nas costas por sabermos carregar num botão, ou convidando-nos a pagar por elementos que já deveriam estar ao nosso dispor.

Microtransações em videojogos não são propriamente novidade. Ultimamente temos visto jogos a apresentarem modelos de negócio, aproveitando-se da ideia de que videojogos são serviços. E a indústria tem olhado para este fenómeno quase como uma competição para ver quem é mais ganancioso.

Aqui, a Konami leva o prémio. Não só se aproveita de uma série já estabelecida e acarinhada pelos fãs ao apresentar um produto, no máximo, medíocre, como barra o acesso a funções de jogo básicas através do pagamento com dinheiro real.

Metal Gear Survive

Se o jogador quiser criar um novo perfil no jogo, ou paga cerca de 10€, ou elimina o seu perfil, podendo atirar horas de jogo e progresso fora. As implicações desta limitação também interferem em situações em que os dois utilizadores querem usar o mesmo jogo e se vêem obrigados a pagar para que outro jogador possa partilhar o mesmo jogo… na mesma plataforma.

Outros elementos pagos também apresentam um impacto direto na experiência de jogo, com pacotes de recursos de sobrevivência que duram mais durante pequenos períodos de tempo, e que só podem ser usados durante alguns dias após a compra. Outra opção é pagar para usar mecânicas de produção e arrecadamento de recursos, que dão itens aleatórios, e raros, a troco de moedas.

Temos também que falar da apresentação. Metal Gear Survive não é um jogo feio, mas é bastante aborrecido, apresentando uma paleta de cores mudas e com pouca variedade de ambientes que se divide em corredores interiores escuros e cinzentos e num deserto pouco interessante. As animações da nossa personagem também são um pouco estranhas, nomeadamente nos novos movimentos com as novas armas. Os inimigos mais comuns, as hordas de zombies, também pouco variam, mas, numa nota mais positiva, os bosses são estranhos, variados e interessantes, fazendo lembrar os monstros saídos da mente de Stephen King ou Lovecraft.

Também temos um modo cooperativo, que estranhamente ficou reduzido a modos simples de “tower defense” onde, em conjunto com mais três jogadores, temos que criar perímetros e defender objetivos de vagas de inimigos que se atiram a nós.

Apesar de não fazer parte da campanha, estes modos utilizam os recursos colecionados no modo a solo, portanto preparem-se para terem uma boa equipa para não perderem nada de valioso.

Se procuram um jogo de sobrevivência que vos entretenha umas horas, é algo que aqui vão encontrar, mas, infelizmente, Metal Gear Survive tem mais de negativo do que de positivo. É um jogo mediano e difícil de levar a sério pelo que é e que sofre por tabela pela sua produção desinspirada e oportunista.

Metal Gear Survive
Nota: 6/10

O jogo (versão PC) foi cedido para análise pela EcoPlay.

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