Análise – Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order

por David Fialho

Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order é um dos grandes exclusivos a chegar este verão à Nintendo Switch, uma ode aos super-heróis da Marvel, cuja série começou na geração da PS2 e Xbox original. Agora, em exclusivo para a híbrida da Nintendo, é um jogo que pode muito bem servir de novo ponto de partida ou de reboot da série.

Com o clássico conceito de ação, com elementos beat em up e de RPG, The Black Order é produzido agora pela Team Ninja (NiOH, Dead or Alive), que faz questão de largar o lado mais cinemático e “realista” de jogos anteriores para apostar num look cartoon e colorido inspirado tanto no Universo Cinemático da Marvel como nas bandas desenhadas.

The Black Order surge numa altura perfeita, com o hype e a adoração de todas as coisas da Marvel. Depois de a comunidade crescer exponencialmente graças ao sucesso dos filmes e da promessas das próximas adaptações, os fãs encontram aqui imensas caras familiares, num jogo que faz um crossover tão ou mais ambicioso do que aqueles que encontramos nas bandas desenhadas.

Inspirado na Infinity Saga, das bandas desenhadas, Thanos está de volta com o plano que já todos nós conhecemos. Adquirir as seis pedras do infinito, estalar os dedos e controlar o universo. Ao seu lado conta com a Black Order, que dá nome ao jogo, e que o ajuda nesse maquiavélico plano.

Felizmente, o que não faltam são heróis, anti-heróis, vilões e outras tantas personagens com habilidades fantásticas para travarem o Mad Titan e que fazem parte do leque de personagens disponíveis para controlar.

Há muito para gostar em Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order, mas se procuram uma história ao nível do encontrado noutros meios, não é aqui que a vão encontrar. Com a premissa principal em cima da mesa, esta serve apenas de justificação para, ao longo do jogo, viajarmos entre mundos e dimensões e encontrarmos as diferentes personagens do universo Marvel que vamos recrutando depois de combatermos os seus devidos vilões.

O jogo começa com os Guardiões da Galáxia contra as forças Kree de Ronan the Accuser, mas rapidamente passamos para a prisão Raft onde encontramos Spider-Man e os seus vilões. Entretanto temos os Avengers, Defenders, X-Men, InHumans e muitos outros, com os seus pequenos episódios. Entre estas aventuras, temos cinemáticas muito breves que servem de ponte e pouco mais.

As interações entre personagens são feitas em batalha, ou em momentos mais relaxados, em que podemos falar com elas, perceber quem são e qual é a sua causa. Estas breves interações estáticas, reminiscentes de RPGs mais tradicionais, são desprovidas de qualquer tipo de escolhas, mas primam pelo uso das vozes do elenco e de uma escrita cheia de charme e piadas bem inesperadas, como por exemplo o Starlord a fazer referências à sua cultura musical com citações de Bon Jovi.

A jogabilidade de Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order é o seu ponto alto e a progressão das personagens são as razões que nos vão fazer pegar na Nintendo Switch em sessões que podem durar minutos ou horas.

Semelhante aos títulos anteriores, aqui escolhemos uma equipa de quatro heróis num sistema de jogo ao estilo beat em up e hack and slash. Cada membro tem ataques leves e pesados, podendo ainda acumular até quatro ataques especiais que recorrem à energia concentrada ao combatermos contra os inimigos.

O sistema de combate torna-se rapidamente complexo com a possibilidade de podermos trocar para outra personagem apenas com um botão e usar as suas habilidades únicas.

Além disso, há o trabalho de equipa que permite emparelhar habilidades com outras personagens em campo ou usar uma espécie de “Assemble”, com os quatro heróis a explodirem com quase todos os inimigos no ecrã.

Durante os confrontos, vamos encontrar uma variedade tão vasta de inimigos como a que temos de heróis, que requerem abordagens e prioridades diferentes, tornando cada secção dos diferentes níveis bem diferente da anterior.

Eventualmente também temos bosses, com alguns dos vilões mais icónicos da Marvel. Estes contam com segmentos mais memoráveis, onde temos que usar estratégias de ataque e escolher as personagens mais eficazes para os derrotar.

Infelizmente, apesar da diversão nos controlos e da variedade que aqui encontramos, o modo de derrotar os vilões pode tornar-se entediante, com confrontos longos de várias fases que requerem a quebra dos seus escudos antes de lhes infligir dano.

Mais variedade é encontrada entre personagens, com um sistema de progressão bem profundo: cada personagem sobe de nível consoante a sua prestação em campo e dependendo do uso; depois podem evoluir as suas quatros habilidades para ficarem mais fortes; e é ainda possível associar elementos que fortalecem as suas características de ataques ou defesa.

As personagens podem dividir-se numa panóplia de grupos associados aos seus tipos ou às suas origens nas bandas desenhadas. Temos personagens que voam, outras dedicadas ao combate corpo a corpo ou a armas, poderes mágicos, etc. Podemos também fazer equipas apenas de Avengers, X-Men, só de heroínas, só de personagens-aranha e muitas outras combinações que nos dão vantagens em campo e que permitem, por vezes, o acesso a áreas secretas nos níveis.

De alguma forma, a gestão das nossas personagens lembra um pouco a gestão de criaturas em jogos Pokémon. As equipas são limitadas, com níveis associados e há uma progressão de acordo com a sua utilização, onde podemos até usar itens para evoluir níveis, um pouco à semelhança dos Rare Candies.

Contudo, esta profundidade do jogo nem sempre é executada da melhor maneira. Alguns dos itens que permitem evoluir personagens menos usadas não aparecem com a devida frequência, o que faz com que seja difícil de trocar para as personagens que queremos, obrigando ao uso das mesmas ao longo da história, ou apenas das personagens introduzidas, com os níveis recomendados para aquela parte.

Aqui surge a necessidade de treinar o nosso elenco. Esse treino pode ser feito através da repetição de níveis ou através dos Rifts, um conjunto de desafios de jogo que podem ser batalhas com bosses, eliminação de inimigos dentro de um espaço de tempo, utilização de determinados poderes e habilidades, entre outros, que nos premeiam com itens, skins e experiência. Mas até estes desafios podem afastar o jogador pela sua exigência de jogo elevada.

Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order está desenhado para ser jogado a solo e em multijogador. Tanto num modo como no outro, o jogo é divertido sem revelar grandes compromissos. Exceto nos modos multijogador online, onde nas partidas testadas apenas nos davam oportunidade de jogar com um dos quatro elementos das personagens escolhidas.

Visualmente, Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order tem uma forte apresentação, com uma arte animada muito sólida e bem conseguida. As cinemáticas são de altíssima qualidade e bem dirigidas e, em jogo, é muito fácil de seguir a ação, ainda que requeira alguma habituação no meio de tanto caos.

Quer na TV ou no modo portátil, Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order joga-se bastante bem, apesar de se notar alguma flutuação de fluidez ou de diminuição da resolução dinâmica em cenas mais intensas, mas é menos frequente do que seria de esperar.

Todas as personagens surgem com vozes e personalidades bem fortes, e até o Spider-Man da PlayStation 4 faz uma espécie de cameo, com Yuri Lowenthal a dar a voz a esta versão do Homem-Aranha.

Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order é muito divertido e recheado de charme. O leque de personagens e o modo mais cerebral com que temos que gerir todas as suas evoluções e habilidades tornam o ritmo de jogo bastante bem conseguido e diferente de outros títulos de ação que se passam em meia dúzia de horas. E aqui não é o caso.

Há claramente uma tentativa de dar valor ao tempo gasto em Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order e a Team Ninja cumpre o objetivo. Experimentar as diferentes personagens de situação para situação é sempre interessante e misturar poderes entre as nossas personagens favoritas é igualmente um deleito. Mesmo que não falem entre si durante as batalhas, há sempre aquele pequeno sentimento de alegria, da mesma forma que vemos o Thor e o Captain America a interagir nos filmes.

Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order sabe bem o que quer ser, uma verdadeira ode aos super-heróis clássico, com um uso de combinações entre as suas habilidades muito bem pensadas e com uma justificação bastante simples para os colocar todos em batalha. Esta não é a Guerra do Infinito, nem tão pouco quer ser. É sim um jogo divertido para jogar a solo ou com companhia de amigos na pele dos nossos heróis favoritos.

Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order já está disponível para a Nintendo Switch.

Este jogo foi cedido para análise pela Nintendo Portugal.

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