Análise – Mario & Luigi: Bowser’s Inside Story + Bowser JR’s Journey

por Carlos Duarte

Um dos maiores clichês de 2018 falava da consola portátil da Nintendo. Não, não é a Nintendo Switch. Falo da Nintendo 3DS – lembram-se dela? É difícil não? Visto ter uma das melhores bibliotecas de jogos atualmente.

O clichê, esse, considerava-a morta, com o aparecimento da irmã mais nova, elegante e poderosa. Jogos como Mario & Luigi: Bowser’s Inside Story + Bowser JR’s Journey (iça, que o nome é gigantesco!) ajudam a desmistificar isto. Ok, poderão algumas vozes clamar: sim, mas isso é um remaster dum jogo que já existia na Nintendo DS.

Certo, mas esta nova roupagem só melhora o que já era um excelente RPG, acrescentando ainda um extra com a jogabilidade do Bowser JR. Mas vamos lá então ao que interessa.

Mario e Luigi – Super JRPG Bros

Caso nunca tenham jogado um RPG com o canalizador italiano mais conhecido dos videojogos, preparem-se para uma experiência em tudo diferente daquilo que um Dragon Quest ou Final Fantasy oferece.

O jogo principal, Mario & Luigi: Bowser’s Inside Story, segue as pisadas inicialmente trilhadas por Super Mario Paper, na velhinha Nintendo 64. Utilizando sempre como pano de fundo o reino dos Cogumelos (em inglês, Mushroom Kingdom), a saga Mario & Luigi coloca os dois irmãos num mundo onde os combates por turnos são a norma.

Porém, desenganem-se se acharem que as plataformas e os saltos bem temporizados desapareceram de todo. As raízes de Mario estão bem estabelecidas nos combates, onde a estratégia para a vitória está mais assente numa série de botões bem pressionados que nas estatísticas do equipamento usado.

Como assim? Explicando de forma simples: o combate – e a jogabilidade – alternam entre duas perspetivas, a de Mario & Luigi e a de Bowser. Durante os combates, atacamos através de saltos, marteladas, murros ou chamas, todas coordenadas através da precisão com que obedecemos às instruções no ecrã.

Para além disso, as várias habilidades partilhadas pelos protagonistas dependem muito do timing com que processamos as várias ações. Podemos ter que carregar no A, repetidamente. Alvejar vários Goombas com a stylus. E o mesmo se pode dizer da defesa contra os inimigos. Isto porque cada monstro tem um padrão diferente de ataque e, por conseguinte, um timing diferente para nos esquivarmos e contra-atacar.

O jogo brilha de forma mais intensa aqui, porque, ao contrário de um JRPG tradicional, cada combate necessita da máxima atenção da nossa parte. Não basta apenas carregar no botão de ação para derrotar os inimigos. E isso é bom, tira muita da potencial monotonia do jogo.

Bowser, o sugador de reinos

No entanto, tudo se desencadeia desta forma porque o enredo do jogo passa pela tentativa de conquista do Reinado dos Cogumelos por Fawful, um vilão com um inglês semelhante ao do nosso Jorge Jesus.

Primeiro com um epidemia de cogumelos venenosos, que incham os vários Toads, depois com um cogumelo com o poder de sugar tudo o que está à vista que Bowser prontamente devorou e, de seguida, utilizou para sugar todo o recheio do castelo da Princesa Peach. Com a própria, súbditos e Mario & Luigi incluídos.

Assim, o jogo passa sempre pela troca entre a perspetiva de Bowser, no mundo externo, e dos irmãos, dentro do corpo do dragão, para solucionar os vários puzzles e tentar travar Fawful de… bom… tentar conquistar o mundo?

Os puzzles envolvem o corpo de Bowser e o desbloquear das suas capacidades para ultrapassar os vários obstáculos que o jogo nos vai colocando. E, se leram as linhas acima e pensaram “epá, que parvoíce de jogo”, tenho um conselho: façam como Mario & Luigi e não se levem demasiado a sério.

Porque se há coisa que Mario & Luigi: Bowser’s Inside Story faz é não se levar a sério. De todo. O humor é servido em bandejas muito largas e constantes e, neste enredo, o nonsense total é constante. Se não gostarem de humor menos… refinado, estejam preparados para torcer o nariz.

Contudo, este que vos escreve não só se riu, como ainda sorriu com os vários trocadilhos, piadolas e, principalmente, com a personalidade que o jogo tem.

O tamanho da Personalidade conta!

É que um dos elementos mais importantes naquilo que é a qualidade geral de um videojogo é o seu carácter. Por carácter, entenda-se a capacidade de criar uma experiência dentro de um mundo virtual, onde as escolhas, visuais, sons e enredo combinem todas segundo o mesmo conceito.

E aqui, a personalidade dos vários jogos de Super Mario está extremamente vincada. Desde as algarviadas que Mario e Luigi dizem para substituir o italiano, até às one-liners de Bowser que, a dada altura da aventura, descobrimos ser um especialista em… massagens.

Tudo casa com a excelente banda-sonora de uma das maiores compositoras de videojogos do planeta, Yoko Shimomura. Se não conhecerem, basta saberem que compõs a banda-sonora de Street Fighter II, a franquia toda de Kingdom Hearts e Final Fantasy XV.

A música casa muito bem com os gráficos extremamente coloridos e, nesta versão, melhorados. O ambiente em 2.5D não belisca em nada o original, ganhando até animações muito mais pormenorizadas. É uma delícia ver a forma como as personagens se movimentam e garanto-vos que, em momento algum, parece datado.

A dificuldade… bom, não nos podemos esquecer que não é suposto ser um desafio para jogadores hardcore de JRPGs, portanto olhem para Mario & Luigi: Bowser’s Inside Story como uma alternativa leve a jogos mais intensos. Ou, para iniciantes no género, um excelente ponto de partida para se habituarem aos pontos principais de um JRPG.

E o Bowser Jr?

Não, não me esqueci do outro jogo. Ou, talvez deva dizer, o outro modo. É que a aventura de Bowser Jr. ocorre em paralelo com a aventura principal e coloca-nos num simulador de estratégia em tempo real. O objetivo é liderar várias tropas contra ondas de inimigos, utilizando, em algumas instâncias, os poderes de Bowser Jr para levar a campanha a bom porto.

O estilo, linguagem e design são os mesmos do jogo principal e, na verdade, serve como uma distração positiva e um elemento complementar ao pacote completo.

Pacote, esse, que torna Mario & Luigi: Bowser’s Inside Story um jogo praticamente obrigatório para todos os fãs de Mario, RPGs e da marca de humor tão própria da Nintendo. Then again, se possuem uma Nintendo 3DS, provavelmente já estão mais do que habituados a isso, não é? Não falhem esta pérola.

Este jogo foi cedido para análise pela Nintendo Portugal.

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