Análise – Little Nightmares: Complete Edition

Se o seu primeiro ano for uma indicação do que o futuro lhe reserva, a Nintendo Switch será a consola com mais edições completas de jogos de todo o mercado. Desde 2017, e em especial durante o início deste ano, que a consola da Nintendo tem vindo a encurtar a distância que a separa das suas rivais diretas no que toca ao lançamento de novos jogos. Apesar de ainda estar longe de receber alguns dos títulos mais graficamente exigentes, a verdade é que a Switch é um enorme e bem-sucedido pedido de desculpas que tanto os fãs como os estúdios precisavam de ouvir.

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Little Nightmares: Complete Edition é o mais recente relançamento a chegar à Nintendo Switch. Distribuído pela Bandai Namco e produzido pela Tarsier Studios, o jogo de terror e aventura apresenta-se na sua versão definitiva, contando com a campanha principal e DLC de história que oferece novas zonas e um novo protagonista. Para os amantes do género, Little Nightmares poderá ser a melhor aposta que têm de momento na Switch.

Seguindo um molde muito próximo de jogos como Limbo e Inside, ambos produzidos pela Playdead, Little Nightmares leva-nos numa viagem por um mundo assustador e surreal, onde teremos de navegar por vários níveis repletos de perigos, plataformas, puzzles e inimigos que não podem ser derrotados. Com a exploração a fazer-se através de cenários pouco iluminados e deturpados, como se fossem de uma realidade não muito diferente da nossa – só que mais grotesca e animalesca –, existe uma tensão palpável durante toda a curta viagem. Existe um enorme equilíbrio entre o desconhecido e o incompreensível que dá a Little Nightmares um tom de horror vitoriano que devia ser mais predominante em jogos deste género.

Os modelos e design das personagens estão em grande destaque e sublinham a forte componente visual de Little Nightmares. Os monstros que vão encontrando apresentam formas desproporcionais, alguns com longos braços que parecem ser capazes de vos agarrar a qualquer momento, e outros com deformações corporais, onde a gordura, por exemplo, é utilizada para evidenciar o surrealismo do mundo em si. Little Nightmares caminha sobre uma linha ténue entre o irreal, o exagero, a deformidade e a simplicidade, realismo e sensação de paz que os cenários transmitem. O design de Six, a personagem principal, com a sua simples e banal capa amarela, contrasta com as monstruosidades que a rodeiam.

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Apesar de ser visualmente marcante e de nos fascinar com o seu jogo entre sombras e luz, nomeadamente na sua importância para alguns dos momentos mais assustadores do jogo, Little Nightmares é pouco surpreendente no que toca às suas mecânicas e progressão. Podem saltar, agarrar objectos, correr, andar mais devagar e subir por plataformas – é este o limite das habilidades. O jogo tem também o mau hábito de repetir os objetivos entre níveis, forçando os jogadores a encontrar constantemente um item escondido enquanto fogem de um dos inimigos indestrutíveis. Esta progressão acaba por tornar momentos que deviam ser tensos em aborrecidos déjà-vu.

Little Nightmares sofre também de um terrível equilíbrio entre tentativa e erro, apostando em situações onde o objetivo não se torna evidente até serem apanhados ou caírem de uma das plataformas. Há uma falta de dicas visuais ou de mecânicas intuitivas em certos momentos da história – sendo um deles uma fuga dentro de condutas de ar – que vos obrigam a parar apenas porque não tiveram qualquer explicação sobre o objetivo do puzzle ou da sequência de ação. Quando a resolução é pouco ou nada intuitiva, vão sentir rapidamente que foram retirados do jogo e começarão a questionar algumas das decisões de design que vão encontrando ao longo da campanha.

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O jogo sofre também de alguns problemas na sua perspetiva e na profundidade dos seus cenários. Como se tratam de ambientes em 3D, os saltos acabam por ficar condicionados devido ao posicionamento da câmara, não existindo uma grande noção de distância e espaço entre plataformas. Os movimentos de Six são também muito lentos, o que dificulta ainda mais os saltos quando estes já são limitados por perigos ambientais. Se aliarmos esta falta de noção espacial com a tentativa e erro que promulga na maioria das sequências de perseguição – e com alguns problemas de performance, especialmente na versão portátil –, percebem como Little Nightmares pode ser um verdadeiro caos.

Apesar das nossas críticas, sentimos que Little Nightmares é um jogo que merece a vossa atenção, ainda mais se forem donos de uma Switch. Como se trata de um título com um ambiente tão forte e bem concebido, é difícil de não olhar para as suas falhas e sentir o quanto denigrem uma experiência que é, na sua base, bastante coesa no que toca à progressão da campanha e à sua narrativa minimalista. A verdade é que é um bom jogo de terror e plataformas, uma experiência incomum que é capaz de vos agarrar do princípio ao fim. Tem os seus problemas, mas vemos as suas potencialidades sempre que jogamos.

Little Nightmares: Complete Edition
Nota: 7/10

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