Análise – Life is Strange: Before the Storm Complete Season – Uma prequela melancólica

Life is Strange: Before the Storm recebeu recentemente um relançamento muito especial num pacote com todos os episódios, que pode ser adquirido numa Edição Limitada com interessantes extras.

Before the Storm teve o seu lançamento original em agosto do ano passado com o seu primeiro episódio. Este é um formato adotado por títulos deste género, que se focam essencialmente na narrativa e simulam a experiência de uma série televisiva, mexendo com os jogadores e com a comunidade de uma forma que seria menos eficaz num único lançamento.

Para quem prefere esperar pela “temporada” completa, esta reedição é perfeita, uma vez que nos poupa de esperas de dois meses entre episódios, tal como aconteceu com este jogo.

Before the Storm é a prequela de Life Is Strange, lançado em 2015. Produzido por uma nova equipa de produção, a Deck Nine Games, havia aqui uma fasquia muito alta, e, até, estranha de alcançar.

Life Is Strange foi um jogo muito singular, não só devido às mecânicas de manipulação de tempo centradas na sua personagem principal, mas também com um mundo construído com imensas personagens com perfis bastante definidos.

Em Before the Storm, a personagem que controlávamos no primeiro jogo, Max, é apenas um nome que existe naquele mundo e, aqui, acabamos por controlar a sua melhor amiga, Chloe.

Life is Strange: Before the Storm

É muito interessante ver como é que esta personagem lidou com a ausência de Max antes dos eventos do primeiro jogo, e como a morte do seu pai influenciou as suas perigosas decisões, mas acima de tudo, perceber como foi a relação com a miss perfeição que era Amber. Tudo isto era representado em forma de diálogos ou memorias no primeiro jogo, aqui controlamos e testemunhamos tudo em primeira mão.

Interessante também é encontrar caras familiares, amigos, rivais e personagens de fundo que têm um papel fulcral para o desenvolvimento da nossa personagem principal.

Em suma, Before the Storm faz tudo aquilo que uma prequela deverá fazer: enriquecer um mundo.

O elemento sobrenatural do primeiro jogo desaparece aqui, sendo substituído por uma mecânica de argumentos durante alguns diálogos, que podem resultar em diferentes caminhos narrativos longo de um episódio. Felizmente, as consequências de uma má escolha não nos terminam o jogo, mas dirigem-nos noutro caminho, poupando, assim, potenciais frustrações de ter um ecrã de Game Over.

Esse elemento sobrenatural no primeiro jogo estava diretamente ligado com a ameaça que pairava sob a cidade de Arcadia Bay, com uma forte inspiração na teoria do caos, em que, na teoria, as pequenas ações do jogador, poderiam de alguma forma ter contornos devastadores para o mundo. Aqui tudo é muito mais contido, não é o destino do mundo que está nas mãos da nossa personagem, é simplesmente o seu destino. Até porque já conhecemos o desfecho desta história.

O facto de sabermos o que vem a seguir para a vida destas personagens é o que dá  força a Before The Storm. O jogo provoca uma curiosidade mórbida no jogador em saber o que vem a seguir, sempre com uma nuvenzinha negra a pairar por cima de nós, tornando todos os momentos de felicidade das nossas personagens em momentos extremamente melancólicos e amargos.

É no departamento visual que Before The Storm perde pontos. Não é um jogo feio, de todo, e a sua direção artística é bastante coesa, com um aspeto cartonesco que simula uma tela pintada. No entanto, apresenta-se um pouco deslavado, com muita falta de detalhes quando comparado com o jogo original, e com poucos planos memoráveis, naquele que é um jogo basicamente composto por cinemáticas interativas.

As animações também são, na sua maioria, pouco fluidas e cuidadas, lembrando, por vezes, o modo como os bonecos do The Sims se movem. Isto também tem implicações na própria jogabilidade, que não me caiu muito bem nos primeiros momentos, isto é, a personagem move-se de modo pesado e parece que embala.

O som é, sem dúvida, a melhor parte deste jogo. As vozes das personagens assentam que nem uma luva nos seus perfis, especialmente a voz de Chloe, o que é irónico, uma vez que, para Before the Storm, Chloe tem uma nova voz. Felizmente é tão parecida com a original e a direção é tão boa que é fácil sentir e criar empatia com a personagem.

A música que acompanha o jogo é, também ela, fenomenal. A música era um dos elementos mais importantes do primeiro jogo, pois ajudava a estabelecer um tom e mostrava-se como um reflexo da personalidade da personagem principal. Aqui, a banda sonora é mais limitada nos géneros e nos artistas presentes, mas ajusta-se bastante bem à personalidade da Chloe.

Life is Strange: Before the Storm

É difícil falar de Before the Storm sem compararmos ao primeiro, ou pelo menos referi-lo em extensão do seu mundo. A verdade é que nestes três episódios (mais um bónus), Before the Storm não atinge a qualidade do primeiro, e, no fim, quase que serve como um produto standalone.

Já para quem jogou o primeiro jogo e gostou, Before the Storm não é um jogo essencial a ter em conta, mas torna-se melhor do que o que realmente é. E claro, é difícil terminar sem continuar com uma revisitação a Life is Strange.

Life is Strange: Before the Storm, encontra-se disponível na sua versão completa para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Life is Strange: Before the Storm Complete Season
Nota: 7/10

O jogo foi cedido para análise pela Ecoplay.

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