Análise – Immortals: Fenyx Rising (PlayStation 5)

A nova aposta em “mundos abertos” da Ubisoft é a melhor alternativa de um The Legend of Zelda: Breath of the Wild fora da Nintendo Switch.

Immortals: Fenyx Rising
- Publicidade -

Num mundo saturado de jogos de mundo aberto, muito por culpa do catálogo exaustivo da Ubisoft dentro do género, é a mesma produtora que, no final de um atribulado ano de 2020, nos entrega mais um jogo de mundo aberto, mas bem divertido de se explorar, com Immortals: Fenyx Rising.

Secretismos, atrasos e até algumas dúvidas sobre a identidade deste jogo que, inicialmente, foi revelado como Gods & Monsters, resultaram num título bastante seguro daquilo que quer ser, uma homenagem a um dos melhores jogos do seu género lançados durante esta geração, mas agarrando nas ferramentas, tecnologias e mecânicas com as quais o estúdio da Ubisoft Quebec já se sente bem à vontade.

Immortals: Fenyx Rising é um híbrido entre a série Assassin’s Creed e alguns dos alicerces que tornaram The Legend of Zelda: Breath of the Wild um jogo tão acarinhado pelos fãs, onde pelo caminho não só homenageia o produto em que se inspira, como tenta tornar o que não resultou tão bem em oportunidades.

Com foco na aventura de Fenyx, controlamos um ou uma guerreira (dependendo da escolha do jogador) cuja missão principal é viajar por um mundo inspirado na mitologia Grega, salvando e resgatando Deuses das forças demoníacas de Typhon, uma das entidades mais poderosas de toda a existência. É uma fasquia elevada, mas ajustada a um tom alegre e cartonesco, cheio de humor acessível para todas as idades, num jogo que podia muito bem ser a adaptação de uma série animada das manhãs de sábado.

Immortals: Fenyx Rising

É um jogo com filtro e com uma identidade muito única, mas que usa todo este lado mais infantil de forma a cativar até os jogadores mais sérios, com um mundo detalhado, saturado e absolutamente belo. Apesar da ambiência, estética e atmosfera inspirada na mitologia grega, as comparações com o aclamado jogo para a Nintendo Switch são, sem dúvida, o que saltam à vista. Isso nota-se logo desde o início do jogo, com uma apresentação onde os campos verdes e vastos tocam no céu azul, onde podemos alcançar tudo o que vemos no horizonte, tudo o que existe pode ser escalado e a sensação de liberdade e escolha faz parte das nossas jornadas.

Além do seu aspeto, a pouco e pouco são cada vez mais as semelhanças com Breath of the Wild, especialmente a nível mecânico e de navegação pelo mundo. É, sem dúvida, um mundo mais pequeno e, por isso, muito mais bem realizado e coeso, mas as ferramentas ao nosso dispor para o explorar são muito semelhantes: asas em vez de gliders, dungeons com quebra cabeças para descobrir, cofres e puzzles ambientais para desbloquear, animais para acalmar e montar e, até, eventos aleatórios de x em x de tempo, onde o ambiente se enche de fagulhas, como se por momentos fossemos ao inferno.

Chega ao ponto de se aproximar mais de uma cópia do que de uma homenagem. Felizmente, é nas diferenças que Immortals: Fenyx Rising se torna num jogo coma sua própria identidade e digno de ser jogado pelos fãs do género e até fãs de Breath of the Wild.

As armas não quebram, há uma gestão de itens e armaduras mais simplificada e, acima de tudo, há uma maior sensação de direção da história, com personagens vivas, carismáticas, interessantes de interagir e que nos motivam a fazer os objetivos seguintes. Mas tudo isto sem nos dar muito a mão, permitindo a exploração de todos os recantos do mapa e a leitura do ambiente em redor para a resolução de problemas, dando-nos um sentimento de satisfação ao abrir um cofre ou ao encontrar um segredo a caminho dos objetivos principais.

Algo que também difere das suas inspirações, e de uma forma bem inesperada divertida e profunda, é a jogabilidade durante o combate. Inicialmente é muito superficial, com os tradicionais ataques leves e pesados, onde o ritmo e cautela nos confrontos são chave para o sucesso, num registo muito semelhante ao que encontramos na saga Assassin’s Creed. Mas as habilidades que vamos desbloqueado, bem como as misturas com combos possíveis com mais de uma meia dúzia de habilidades extra, tornam Immortals: Fenyx Rising num viciante e desafiante jogo de ação, que até nos convida a levantar a dificuldade para podermos experimentar mais com as nossas habilidades. Nenhum confronto é aborrecido por isso, sendo extremamente motivante partir à aventura à procura de mais inimigos para derrotar.

Continuando com as comparações, que, honestamente, são difíceis de ignorar, a única coisa que Immortals: Fenyx Rising não faz tão bem como a sua fonte de inspiração principal é a oportunidade de experimentação e interação com o mundo. Mas nem aqui se pode dizer que é um ponto menos positivo, pois só enaltece o foco de design e progresso que o jogo nos consegue dar.

Da mesma forma como muitos jogos tentaram emular a fórmula Souls dos jogos da From Software, foram muitos outros que tentaram o mesmo com a fórmula de The Legend of Zelda, por vezes até misturando estes dois conceitos em jogos desastrosos.

Felizmente, Immortals: Fenyx Rising não só é o melhor exemplo de um jogo que soube tirar notas, como consegue melhorar alguns aspetos. É, no entanto, um jogo seguro, que não inova muito, mas que se revela uma excelente alternativa para plataformas fora da Nintendo Switch. Immortals: Fenyx Rising é, sem dúvida alguma, uma grande surpresa que chega um pouco nas sombras neste final de ano já bem composto para o mundo dos videojogos.

Nota: Muito Bom - Recomendado

Disponível para: PC, Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e Google Stadia
Jogado na PlayStation 5
Cópia para análise cedida pela Ubisoft.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Parceiros

Relacionados

Jett: The Far Shore – Do outro lado das estrelas

Uma viagem emocionante pela fé e a condição humana num dos títulos mais peculiares e marcantes de 2021.

Análises de videojogos: Adeus Notas

Porque opiniões são mais do que notas e números.

Análise – Life is Strange: True Colors (PlayStation 5)

Life is Strange: True Colors não mostra todas as cores que seriam de esperar de um jogo da série, mas a sua escala menor e mais intima, aliada à atmosfera e ao tipo de escrita que a define, tornam o jogo uma delicia para qualquer fã.

Análise – Ultra Age (PlayStation 4)

O equivalente aos bonecos de Dragon Ball Z que comprávamos nas papelarias, mas mais divertido.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Festival de Francesinhas chega ao Seixal pela primeira vez

De carro, de barco, de comboio, de bicicleta... Todos os caminhos vão dar ao Seixal entre os dias 4 e 14 de novembro.

Governo vai reduzir o imposto sobre os combustíveis

E vai também fazer uma monitorização permanente da evolução dos preços.

Passatempo O Último Duelo – Temos 10 convites duplos para as antestreias em Lisboa e Matosinhos

O Último Duelo chega aos cinemas nacionais a 28 de outubro.