Análise – Fitness Boxing

por David Fialho

O início do novo ano faz-se com muitas novas resoluções para os próximos 12 meses. Uma delas, das mais populares, é a ideia de querer fazer mais exercício, perder peso ou mantermo-nos saudáveis, mas é também daquelas resoluções mais fáceis de “esquecer”.

Os jogadores da Nintendo Switch abrem o ano com uma ajuda para a memória e para o físico. Lançando na primeira semana de janeiro, Fitness Boxing é o primeiro jogo de exercícios da Nintendo para a sua consola híbrida.

Num jogo que é uma sequela espiritual da série Wii Fit, Fitness Boxing, como o nome indica, foca-se na modalidade do boxe. E numa primeira impressão parece trocar o tom limpo e relaxante de Wii Fit, afigurando-se um jogo com mais movimento e suor, parecendo quase uma aula de Zumba.

Os mais céticos poderão dizer que é só um jogo, mas bastam alguns minutos (transformados em horas) para perceber que Fitness Boxing é apelativo e, até, viciante.

Fitness Boxing é um título simples. Aqui não temos periféricos extra e é possível experimentar todo os exercícios propostos apenas com os Joy Cons da Nintendo Switch.

Este é um dos poucos jogos que, a menos que se tenha um par de Joy Cons extra, só é possível jogá-lo com os pequenos controlos desligados do ecrã. Pode ser jogado em modo portátil, mas é na TV onde a experiência é melhor, recomendado-se essa opção.

Existem três modos de jogo em Fitness Boxing: o Basic Training onde podemos aprender as bases do jogo, o Free Training onde podemos personalizar uma sessão de jogo ou jogar em multijogador com mais uma pessoa, e o Daily Workout, que é onde a maioria dos jogadores mais dedicados irão perder tempo diariamente.

Em Fitness Boxing, o objetivo é criar uma rotina através de sessões diárias que podem durar até 40 minutos, dependendo das preferências do jogador.

É-nos também atribuído um personal trainer, que pode ser personalizado (escolhendo o seu género e itens de vestuário que vão sendo desbloqueados ao longo do jogo), e podemos (devemos) inserir alguns dados, como a altura, o peso e o que pretendemos trabalhar. Depois o jogo faz uns cálculos mágicos e, a partir daí, é-nos dada uma lista de exercícios.

Tirando toda esta preparação e personalização, Fitness Boxing não oferece uma grande profundidade nas suas mecânicas, mantendo-se sempre com a mesma jogabilidade e tipos de exercícios.

Em cada sessão, o jogo propõe-nos alongamentos e aquecimentos, bastante úteis (e até recomendáveis) que não parecem ser influenciados pelos nossos comandos. O nosso personal trainer demonstra como se fazem, mas não responde a possíveis repetições ou explicações. É quase como se fosse uma gravação.

Já no jogo em si, a coisa muda um pouco de figura. À semelhança de outros jogos rítmicos, temos uma música de fundo com uma batida constante que corresponde aos indicadores que temos que esmurrar no ar com os nossos Joy Cons.

Aqui, a resposta dos nossos movimentos funciona na perfeição e o efeito é amplificado com a excelente vibração dos comandos, especialmente se seguirmos as instruções e fizemos os movimentos da forma proposta, seja um murro para a frente, de lado ou por baixo.

As sessões são compostas por períodos cronometrados onde mudamos de posição do corpo várias vezes e somos introduzidos a vários padrões de murros, ao mesmo tempo que o nosso personal trainer nos motiva e vai dando dicas.

É particularmente útil quando ele faz a contagem dos murros ou sons para seguirmos. Tudo isto culmina em momentos de combos onde é importante acertar em todos os movimentos para melhorar a nossa pontuação.

Contudo, é fácil contornar o jogo. Movimentos simples e desmotivados funcionam e respondem às ações, por vezes tão bem como se tivéssemos na postura proposta. Outras vezes movimentos falsos são também registados, resultando em hits falhados.

Fitness Boxing resulta e é mais satisfatório quando queremos mesmo exercitar os braços e o corpo, entrando no espírito do jogo e deixarmo-nos levar pela imersão.

Durante as nossas sessões, temos um conjunto de músicas instrumentais, numa playlist que inclui temas que podem não ser do agrado de todos, mas que, felizmente, resultam no contexto do jogo. Na lista, encontramos “Party Rock Anthem” dos LMFAO, “Bad Romance” de Lady Gaga e até “Call me Maybe” de Carly Rae Jensen, entre muitas outras, com diferentes velocidades de ritmo.

Felizmente, para aqueles que não suportam alguns dos artistas, estas músicas não incluem vocais, servindo apenas de base rítmica para os exercícios ao darem espaço para as indicações do personal trainer.

No final, quando se desliga a consola depois de uma sessão, fica no ar a questão: Será que Fitness Boxing resulta? É agora que vamos perder peso com a Nintendo Switch? Da mesma forma que a leitura e análise dos dados colocados no jogo são várias vezes indicados como aproximações, o exercício feito neste jogo não substitui uma ida a um ginásio, exercício ao ar livre ou os murros num saco de boxe a sério.

Parece, no entanto, um bom complemento e excelente motivador para quem ainda não fez o clique de começar a fazer exercício à séria.

Apesar de não ser possível verificar grandes resultados nesta última semana de exercícios passados no jogo, é possível sentir músculos doridos e o corpo a responder de formas bastante satisfatórias. Em suma, faz-nos sentir bem.

Fitness Boxing é muito simples. Pela sua maneira de jogar, na oferta de desafios e, particularmente, na apresentação (com visuais que parecem saídos de um jogo móvel). Em todo o caso, é eficaz e viciante o suficiente para que, todos os dias, os jogadores sintam vontade e motivação para perder uns minutinhos a dar murros em frente à televisão.

Fitness Boxing já está disponível em exclusivo para a Nintendo Switch e conta com uma demonstração na eShop para os mais curiosos poderem experimentar.

Deixar uma resposta

Também pode interessar

O Echo Boomer utiliza cookies para dar a melhor experiência possível aos nossos leitores. Aceitar Ler mais

%d bloggers like this: