Análise – Dragon Quest Builders 2

por David Fialho

Imaginem um jogo que mistura o lado criativo e de sobrevivência de Minecraft, misturado num jogo RPG, com um aspeto muito parecido com a série de animação Dragon Ball.

Esta é uma das muitas descrições que podemos fazer para o mais recente spin-off de Dragon Quest, desenvolvido pela Omega Force para PlayStation 4 e Nintendo Switch.

Dragon Quest Builders 2 é uma sequela com um “S” grande, ao pegar no conceito do jogo original, de 2016, para a PlayStation 3 (e que chegou, ainda este ano, também à Nintendo Switch), e ao torna-la numa versão mais pessoal, mais divertida, profunda e com muitas novidades.

Apesar do seu mundo aos cubos e das suas mecânicas de gestão de recursos e de criação de ferramentas, edifícios e afins, Dragon Quest Builders 2 não esconde, logo de início, a sua ambição de ser, em primeiro lugar, um jogo narrativo na linha de um RPG de ação tradicional, com níveis de progressão, missões opcionais, segredos para revelar e vários mundos para explorar.

Dragon Quest Builders 2 é claro nas suas influências positivas de outros jogos e de tendências atuais. Nesta aventura, podemos dar o nosso toque pessoal com a criação de uma personagem, escolhendo o género e as cores da pele e do cabelo. Apesar de limitado, é sempre bem-vinda a possibilidade de criarmos o nosso avatar.

Há também componentes sociais, como um simples modo de fotografia, para capturar as nossas caras durante momentos de ação ou de plantação que podem ser partilhadas com outros jogadores, também estão presentes. E há uma clara influência das redes sociais dentro das mecânicas de jogo, com a progressão e aceitação das personagens deste mundo a aumentar ou diminuir, com um sistema de “likes”, que, neste caso, são, literalmente, corações.

A história de Dragon Quest Builders 2 acontece pouco depois dos eventos do já muito antigo Dragon Quest II, mas, felizmente, o jogo não requer uma compreensão dos eventos passados, quer da série principal, quer do título anterior, apresentando uma aventura muito singular, apesar de ser construído, obviamente, a partir de um mundo reconhecido pelos fãs.

A história tem início depois de um naufrágio numa misteriosa ilha, onde conhecemos uma personagem com amnésia que nos acompanha o resto do jogo e nos ajuda durante os combates e progressão. A partir daqui, somos levados por uma série de missões mais ou menos lineares, até que possamos explorar o mundo cúbico de Builders 2 à vontade.

Apesar de uma introdução extensa que revela um dos maiores problemas deste jogo – o excesso de conversas bastante longas, que facilmente nos obrigam a tentar saltar o mais depressa possível -, Dragon Quest Builders 2 tenta dar-nos a mão ao ensinar-nos a todas as mecânicas básicas de gestão de recursos, criação de itens, combate, entre outros conhecimentos que precisamos para o decorrer da nossa aventura.

Apesar das possibilidades intimidantes que o jogo apresenta, com uma lista extensa de receitas e itens para apanhar e usar em diferentes situações, o título faz um excelente trabalho ao simplificar estas mecânicas, com um ritmo cuidado e uma progressão que, lentamente, nos vai dando mais materiais e receitas, com espaço para respirarmos e aprendermos a usar o que está para trás.

Esta progressão aliada à historia do jogo e às adoráveis personagens que vamos conhecendo são elementos que rapidamente nos prendem e tornam sessões de 10 minutos em tardes bem passadas a tentar construir uma vila à nossa maneira.

O equilíbrio entre a jogabilidade de um RPG de ação e os modos mais “criativos” de gestão, é constante ao longo do jogo, pelo que podemos facilmente decidir o que vamos fazer a seguir: se explorar uma nova área, se lutar contra adoráveis monstros, se procurar segredos com puzzles reminiscentes de Breath of the Wild, ou se queremos, simplesmente, apanhar recursos para missões e objetivos pessoais. As opções são imensas.

A jogabilidade de Dragon Quest Builders 2 tem diferentes dimensões devido à mistura de géneros que apresenta, sendo as duas primárias a construção e a ação. Em ambos os lados, porém, tudo podia ser um pouco mais bem trabalhado.

A jogabilidade é, por vezes, demasiado simples, com os combates a resumirem-se ao clique de um botão de ataque, independentemente da arma que possamos ter. Isto torna os confrontos pouco interessantes e não muito diferentes da busca de recursos. A única diferença é que os inimigos nos causam dano se não sairmos da sua frente. Este aspeto torna-se, por vezes, frustrante com inimigos maiores, que apresentam variedades de ataques, bastante mais interessantes que as nossas, e com os quais temos que fugir e estudar bem os seus padrões para não levar mais dano.

Na construção, para além o período de aprendizagem de todos os comandos e da navegação de menus, a colocação de blocos pode ser, por vezes, lentas demais e propícia a pequenos erros, devido a alguns botões ou à orientação da câmara. Felizmente, Dragon Quest Builders 2 conta com um modo na primeira pessoa para tornar o processo mais interessante.

Tal como as suas mecânicas, a apresentação de Dragon Quest Builders 2 divide-se em dois. O mundo cúbico, onde tudo é geométrico e arrumadinho, é o lugar onde habitam os monstros e personagens desenhadas por Akira Toriyama, o artista responsável pelo look de alguns dos nossos heróis favoritos de infância em Dragon Ball.

A arte mantém-se absolutamente deliciosa e, neste jogo, tudo é reduzido a um formato adorável, com personagens baixas de cabeças exageradas e olhos gigantes. É extremamente animado, redondo, rechonchudo e adorável. E, curiosamente, estes estilos casam bastante bem e encaixam na perfeição no registo que o jogo quer ter.

Se estão na dúvida que versão comprar, entre a PlayStation 4 ou Nintendo Switch, essa decisão pode ser complicada, porque ambas as versões não são só praticamente as mesmas, como o seu desempenho é ótimo. Com visuais sólidos, cheios de cor e muito limpos e uma fluidez de jogo impecável.

Na Nintendo Switch há, obviamente, a vantagem de se poder jogar em qualquer lado, o que pode ser um “perigo” (no bom sentido) para estas férias de verão, comportando-se tão bem neste modo como na televisão, sem qualquer compromisso.

As nossas aventuras podem ser partilhadas a partir de um ponto inicial na história, onde podemos ter a companhia de mais três jogadores, quer no sofá, quer online. Esta é uma função que estava fora do primeiro jogo e que, aqui, é muito bem-vinda, especialmente se tiverem mais alguém em casa para se juntar a estas aventuras e que queira ajudar a desvendar mistérios e a resolver puzzles. Ou simplesmente para acelerar a apanha de recursos.

Mesmo com as suas pequenas irritações, Dragon Quest Builders 2 é viciante e um dos raros casos em que queremos jogar mais à medida que avançamos. Seja na exploração, no resgate de personagens, na resolução de desafios, no cultivo da nossa horta ou na criação de áreas onde as nossas personagens possam viver até ao fim das suas vidas, Dragon Quest Builders 2 é um “mundo”.

Cheio de segredos e objetivos, sempre bastante claros, que nos vão fazer perder deliciosas horas sem darmos conta disso, Dragon Quest Builders 2 é mais do que um de muitos clones de Minecraft que surgiram com o seu sucesso. É um jogo de aventuras único, cheio de razões para se visitar.

Dragon Quest Builders 2 já está disponível para PlayStation 4 e Nintendo Switch.

Este jogo foi cedido para análise pela EcoPlay (PlayStation 4) e Nintendo Portugal (Nintendo Switch).

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