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Análise – Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory – De volta ao mundo digital

Desde que surgiu, a franquia Digimon sempre foi comparada a Pokémon pelas suas semelhanças, e sempre pelos piores motivos. Ora diziam que os visuais eram fracos, ora que os monstros digitais, vulgos Digimon, eram meros clones dos monstros que andam dentro de pokébolas.

Não obstante, o desenrolar da história Digimon encarregou-se de mostrar que a narrativa era totalmente diferente e que captava bastante à atenção, muito por culpa das sucessivas digievoluções de cada monstro digital.

Depois de várias séries de TV e muitos videojogos, bastante diversos entre si, chegou, em 2016, a todo o mundo, Digimon Story: Cyber Sleuth, título da PS4 e PS Vita que, desde logo, agradou a fãs e não fãs deste mundo pelo facto de conter uma história complexa e a possibilidade de treinar e cuidar de vários digimon.

Já em fevereiro deste ano surgiu o novíssimo Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory, o qual tivemos oportunidade de analisar.

Desde logo importa referir que esta não é uma sequela, mas sim um jogo com uma história que tem lugar durante os eventos do título anterior. Ou seja, aconselho-vos a que joguem primeiro Digimon Story: Cyber Sleuth e, só depois, saltarem para este novo jogo. Basicamente, é uma nova perspetiva de abordar os acontecimentos do jogo anterior através de um novo personagem.

Neste título de 2018, não temos opção de escolher a nossa personagem. Somos logo obrigados a iniciar a aventura com o protagonista Keisuke Amazawa, que vê a sua conta de EDEN ser roubada por um ataque hacker. EDEN é, digamos, um mundo cibernético onde o jogador entra para que possa conviver com pessoas de outros países e com os digimon, criando-os e levando-os a combater em várias batalhas.

Numa realidade de um Japão futurista, o nosso protagonista, além de ter ficado sem conta EDEN, vê-se acusado de ter cometido um crime grave. Sem mais saídas, vemo-nos obrigados a integrar uma equipa de hackers, conhecida como Hudie, para que, de alguma forma, consigamos rever a nossa situação.

Esta é a base para o desenrolar de todo o jogo. Contudo, para quem não tiver jogado o primeiro jogo e quiser aventurar-se logo neste “capítulo alternativo”, vai sentir-se como se tivesse caído de para-quedas nesta história. As explicações não são muitas e não são dadas muitas pistas ao jogador. O próprio protagonista causa-nos algumas dúvidas. Por exemplo, conta-se que é um jovem popular, mas não parece muito social; tem conta no EDEN, mas não sabe o que são digimon. Estranho, no mínimo.

Para evoluir no jogo, vamos andar constantemente a alternar entre o mundo real e o mundo virtual. Basicamente, há investigações que temos de fazer para evoluir no jogo. Começamos no mundo real, onde iremos correr por diversos cenários para que possamos reunir pistas e falar com diversos personagens que vão confidenciar-nos alguns segredos que somente podem ser descobertos no mundo virtual. Aí, o que temos de fazer é ir a um café, entrar num PC, fazer login no EDEN e entrar no mundo virtual para concluir a investigação.

Esta vertente é bastante engraçada e acaba por agarrar o jogador à consola, mesmo para fazer tarefas alternativas.

Claro, acaba-se por evoluir na história com a ajuda dos digimon, que vão ficando mais poderosos à medida que vamos fazendo mais batalhas. Ao início, temos somente três digimon à escolha, ao bom estilo Pokémon: Gotsumon, Betamon e Tentamon, este último sendo um dos digimon iniciais que vimos na primeira série da franquia a ser exibida na TV.

No jogo, além de termos encontros aleatórios com digimon mais ou menos poderosos, existirão partes em que somente será possível evoluir na história se ultrapassarmos determinados inimigos. Para isso, devemos melhorar os nossos monstros digitais e digivoluir os dito cujos sempre que possível.

Para os tornarmos mais poderosos, temos a opção de ir a torneios, onde, ronda a ronda, temos de ir eliminando os digimon que aparecem pela frente, o que ajuda sempre a ganhar pontos de experiência, ou de evoluirmos nesses encontros random.

A mecânica das batalhas é a mesma que no jogo anterior, existindo um sistema de turnos com quatro opções: atacar, usar um item ou trocar o nosso digimon. Neste caso em específico, podemos ter, no máximo três digimon ao mesmo tempo no campo de batalha.

Apesar de não existirem novidades neste campo, quem gostar do já sobejamente conhecido sistema de turnos proveniente dos jogos RPG clássicos irá sentir-se à vontade com este sistema. Porém, nota-se claramente que, ao final de algum tempo, derrotamos os inimigos com bastante facilidade, bastando escolher o ataque em questão que causa mais dano a determinado digimon. Contudo, também a própria inteligência artificial do jogo sabe quais os ataques a usar contra este ou aquele monstro digital, o que aumenta a adrenalina.

Existem neste Hacker’s Memory um total de 327 digimon, um acréscimo considerável tendo em conta os 240 monstros digitais presentes em relação a Cyber Sleuth. Para obtermos vários digimon, e até para não ficarmos somente com o nosso inicial, é obrigatório que encontremos determinado estes monstros algumas vezes para que a “Scan Rate” seja superior a 100%. Quando isso acontece, basta irmos ao DigiLab, que também existia no jogo anterior, e criar o monstro em questão. Contudo, podemos sempre aumentar esse scan rate para 200%, por exemplo, para criar um monstro digital ainda mais poderoso.

Para digivoluir, a coisa também parece complicada, mas não é. Os fãs da série Digimon sabem que as digievoluções em determinados níveis são coisas meramente temporárias; já aqui somos nós que temos essa decisão, podendo definir se deixamos um digimon como está ou se o desejamos levar para um novo nível.

Por exemplo, se tivermos um digimon em nível rookie que tem um nível máximo de 20 e, para o digievoluir, precisamos de atingir o nível 25, a solução passa por de-digivoluir o digimon para um nível abaixo. Ao fazermos isto, ele terá um novo nível máximo, pelo que basta treiná-lo até atingir o nível necessário. Só assim é possível garantir novos digimon.

Claro, há sempre a opção de os deixarem no DigiFarm, também de regresso, que acaba por ser uma espécie de quinta onde os digimon aumentam de nível. Basicamente é alguém a fazer o trabalho chato por nós.

Novidade mesmo são as Dominion Battles, que quase podemos chamar de batalhas de xadrez. Por exemplo, quando enfrentamos um grupo de hackers, surge uma área onde apenas podemos mover o protagonista de dois em dois blocos. Vão-se pisando blocos até que nós, ou os inimigos, comecemos a entrar nos campos adversários. E é aí que começa o combate. Os objetivos podem passar por eliminar os digimon adversários, sendo que, em cada turno, somente um monstro digital pode atacar, ou reunir um determinado número de pontos.

Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker's Memory

No que toca ao grafismo, e tendo em conta que, na sua essência, Hacker’s Memory é uma versão mais aprimorada de Cyber Sleuth, que surgiu inicialmente na PS Vita, este é um jogo que não é extraordinário a nível visual. Os digimon estão bem conseguidos e fielmente recriados, mas tudo o resto no que toca a cenários, personagens, cores, etc, acaba por ser pouco desinspirado.

No departamento do áudio, as diferenças em relação ao anterior título são poucas, pelo que há músicas repetidas e estreantes, sempre com techno e eletrónica espacial à mistura.

Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory é um jogo que acaba por pecar por não apresentar nada de realmente inovador em relação a Cyber Sleuth. O desenrolar da história é feito muito à base do texto, o que acaba por ser maçador, e não há aqui nada que cause espanto ao jogador.

Contudo, com tanto digimon para capturar, e tendo em conta o sucesso do título anterior, é bem provável que os veteranos, assim como os novatos – que, apesar de tudo, podem sentir-se algo confusos com a história -, sintam aqui um desafio à altura até poderem dizer que já colecionaram todos os monstros digitais.

Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory
Nota: 8/10

O jogo (versão PS4) foi cedido para análise pela Bandai Namco.

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