Deathloop – Diversão num “best of” de jogos de ação modernos

Os estúdios responsáveis pela saga Dishonored e o mais recente Prey trazem-nos um dos jogos conceptualmente mais complexos do ano, mas que se torna simples através da exploração e investigação, acompanhado com uma divertida dose de ação.

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Para ser completamente honesto, não estava à espera de gostar tanto de Deathloop como agora. Deste o seu anúncio em 2019 que segui o desenvolvimento desta aposta da Arkane Studios e, tirando a sua direção artística e estilo, a forma como o jogo foi divulgado, juntamente com o meu preconceito pessoal face a géneros em que se inspira, deixaram-me desinteressado. Mesmo com a crítica e outros jogadores a elevaram Deathloop aos céus, eu estava cético.

Este ceticismo deixou-me, no entanto, mais atento para o jogo, em busca de uma razão para compreender o que tinha de especial. E mesmo durante as primeiras horas não foi muito claro, assim como o próprio objetivo do jogo.

As razões para este sentimento de dúvida e afastamento são ironicamente as razões pelas quais agora adoro Deathloop. É, de facto, um jogo complexo e complicado. Complicado de explicar o seu conceito, complexo nas suas mecânicas e na sua estrutura narrativa que me arrisco a dizer “inovadora”. Mas tal como um puzzle, tudo começa a fazer sentido quanto mais jogamos.

É fácil cair em comparações a uma miríade de jogos e géneros, mas posso enumerar alguns. Como, é meio rogue-like, meio semi-open-world, é um pouco de Dark Souls e um pouco de Wolfenstein. É até um pouco de Metal Gear Solid V. É muitas coisas juntas, mas que resulta numa remistura perfeita do melhor que os jogos de ação nos podem oferecer, ao mesmo tempo que é extremamente divertido.

Em Deathloop temos uma premissa sci-fi, num ambiente retro-futurista aos olhos da década de 70, onde somos atirados para a ilha de Blackreef na pele de Colt, completamente despidos. Metaforicamente falando. Despidos de habilidades e de armas e despidos de informação. Com um pouco de magia expositiva, percebemos rapidamente que estamos trancados num loop temporal e que temos que o quebrar eliminando os 8 Visionários, ou bosses do jogo. O Twist? É que temos que o fazer num único loop.

Este twist abre-nos as portas para a investigação. Com o loop dividido em quatro partes do dia e em quatro mapas dinâmicos (que mudam de ambiente dependendo da hora em que o visitamos), somos convidados a repetir loops atrás de loop, em busca de informações para começarmos a delinear um plano de eliminar os nossos alvos.

Somos assim atirados para uma demanda de investigação, que num filme ou numa série nos faria puxar de um novelo de linhas e um quadro branco, onde iríamos expor todos os dados informativos com pins. Felizmente, Deathloop faz tudo isso por nós ao desbloquear objetivos e ao indicar-nos o que podemos fazer a seguir.

No fundo, Deathloop oferece-nos uma narrativa dinâmica e de forma livre, onde fica a ideia que um jogador que comece o save a limpo e saiba como eliminar os inimigos, em poucos loops pode terminar o jogo. E mal posso esperar para ver esse tipo de speedruns.

Contudo, a busca das pistas e dos assassinatos criativos é feita com o auxílio de um arsenal diverso de armas e habilidades, chamadas Slabs, extremamente divertidas de se usar. Armas essas que contam com variantes especiais espalhadas e escondidas no mapa e Slabs com aumentos importantíssimos (roubados aos Visionários) que requerem a nossa atenção para cumprir eficazmente os objetivos propostos, até mesmo para aceder a zonas secretas dos mapas.

Nada nos é dado de forma garantida e em quantidade. Deathloop estabelece as suas regras e limites, como o limite de levarmos para cada mapa apenas duas Slabs e três armas, que devem ser escolhidas de acordo com as nossas preferências ou necessidades. Este sentimento de falta de garantia também nos assombra com os recursos que temos que gastar nas armas e nas habilidades para ficarmos com elas para sempre através do Residuum, encontrado em objetos temporalmente instáveis e que podemos acumular, um pouco como as “souls” dos jogos desse género. Este toque torna completamente obrigatória a exploração pausada dos mapas, ao mesmo tempo que nos cria uma pequena ansiedade.

E por falar em pequenas ansiedades, em Deathloop, se queremos quebrar o loop, há uma entidade que nos quer impedir. Julianna é uma agente destacada para eliminar Colt e, a cada missão, ela pode aparecer para nos matar. Julianna pode ser controlada pela própria inteligência artificial, ou por outros jogadores, com o lado multijogador de Deathloop, tornando cada missão uma surpresa pela imprevisibilidade que esta mecânica propõe. Felizmente para Colt, Julianna só tem uma vida, ao contrário do jogador, que tem pelo menos duas oportunidades de respawn antes de perder o loop completo e todo o progresso que nele acumulou.

O modo multijogador é bastante interessante, apesar de não ser propriamente inovador. Através dele controlamos Julianna, como referia antes, mas exclusivamente em modo online. O que significa que não podemos conhecer o seu lado da história a solo, mas apenas jogado contra outros jogadores em random matches ou contra amigos da nossa lista. Por um lado, abrem-se portas bastante interessantes, sendo que estamos constantemente com o coração nas mãos, pois morrendo perdemos logo, e o conceito de podermos invadir amigos que estão naquele momento a jogar, sem que eles saibam, é absolutamente delicioso.

No entanto, apesar de divertido e de ser mecanicamente fantástico, Deathloop não suporta partidas entre as duas plataformas em que o jogo está disponível – PC e PlayStation 5 -, isolando assim duas possíveis comunidades de uma população relativamente reduzida, já que o multijogador, no geral, é um extra facultativo. Na minha experiência, foram frequentes as vezes em que não encontrei jogadores e amigos para assustar. São poucos e não consegui corresponder os nossos horários para uma partida.

Talvez o que mais me deixou apaixonado com Deahtloop foi o facto de ser um jogo fácil. E quando digo fácil digo-o no sentido em que nos deixa brincar com todas as ferramentas ao nosso dispor e não é imperdoável ao retirar-nos tudo, pois mesmo quando perdemos, avançamos com conhecimento. É verdade que a inteligência artificial de Deathloop não é a mais brilhante e que é fácil eliminarmos os Visionários ou a Julianna com pouco esforço, mas as falhas são possíveis onde menos esperamos, seja com falta de atenção da vida, ou ao pisar uma armadilha. Há muito para nos fazer sofrer, mas a diversão, aliada à forma como podemos explorar o mapa e brincar com os inimigos, sobrepõe todas as críticas neste departamento.

O fim da minha investigação ainda está longe. Já sei onde os alvos se encontram e para onde vão, já tenho até a minha personagem bem preparada para os maiores desafios, mas a vontade de terminar e descobrir os segredos de Blackreef, de explorar uma zona secreta ou procurar códigos para mais uma porta, tem ocupado o meu tempo, enquanto limpo o mapa de todos os seus inimigos patetas. Entrei num buraco negro, num loop, digamos. Um loop de morte umas vezes para Colt, outras vezes para os visionários, mas que, a cada dia que passa, se torna cada vez mais divertido.

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Cópia para análise (PlayStation 5) cedida pela Ecoplay

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