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Análise – Dark Souls Remastered

Lançado originalmente em 2011, Dark Souls não foi o primeiro jogo da From Software a definir aquela geração ou um “novo género” que todos os jogos de aventura e RPG que surgiram depois quiseram, de alguma forma, imitar.

Os jogos atuais conhecidos como “Souls-Like” surgiram com Demon’s Souls para a PlayStation 3, mas foi a sua sequela espiritual, de nome Dark Souls, que fez chegar a brutalidade e impiedade de um jogo só para fortes, aos jogadores de outras plataformas.

Agora, em 2018, Dark Souls regressa com a mesma intenção, num formato remasterizado que promete a experiência de jogo do original, enquanto abre os braços a novos jogadores e fãs de longa data.

Em vez de uma recriação de modelos, animações e de outros elementos que poderiam aproximar Dark Souls Remastered de uma reconstrução completa como vimos em Shadow of the Colossus, esta nova versão do jogo da From Software opta por manter a visão de Hidetaka Miyazaki relativamente intocável ao tornar Dark Souls adaptado aos ecrãs contemporâneos.

A promessa desta remasterização é de aumentar o número de píxeis, dos 720p da versão 360 e PS para os 1080 na Xbox One e na PS4 e, também, para resoluções 4K.

O efeito da resolução nas novas consolas é claro e faz-se acompanhar por pequenas e subtis mudanças visuais que colocam Dark Souls mais próximo do que é expectável de um jogo atual.

A iluminação das diferentes áreas está aprimorada, há novos efeitos de pós-processamento em jogo, como o bloom, o motion blur e profundidade de campo trabalhados, e os limites e arestas dos modelos e dos ambientes estão ainda mais perfeitos, fazendo jus às altas resoluções, resultando numa imagem com uma excelente qualidade de imagem.

Dark Souls Remastered também se faz acompanhar de menus melhorados e ajustado a estas resoluções, com a adição, muito bem-vinda, de um slider de escala do tamanho dos elementos de interface, algo que se demonstra extremamente útil para limpar o ecrã ou deixá-lo menos preenchido em ecrãs de grandes dimensões.

Contudo, o jogo mostra algumas rugas em certos aspetos visuais, que são difíceis de contornar numa remasterização. Por vezes, algumas texturas destacam-se pelos piores motivos, a geometria de modelos e elementos do ambiente ainda se apresentam como blocos e, devido ao sistema de iluminação, algumas zonas escuras tornam-se difíceis de navegar.

Ainda no departamento visual, temos agora um jogo a correr a 60fps constantes, algo que influencia, para melhor, não só o aspeto do jogo em movimento, como o torna muito mais agradável de jogar (e não necessariamente mais fácil).

Enquanto que na versão PC de Dark Souls original já era possível encontrar muitas destas melhorias, os jogadores na Xbox 360 e PlayStation 3 teriam uma experiência substancialmente mais frustrante, com uma fluidez inconstante e abaixo do minimamente aceitável.

Se Dark Souls era um jogo perfeito aos olhos de muitos jogadores, era no departamento técnico que era impossível de não apontar o dedo, pois algumas áreas tornavam-se quase injogáveis quando todos os frames são oportunidades de reação.

Felizmente, Dark Souls Remastered tem um desempenho extremamente sólido e fluido, retirando essas frustrações de parte e colocando o jogador mais focado nos inimigos.

Esta fluidez também torna o jogo mais bonito e vivo, aproveitando as excelentes animações de todas as personagens, dando-lhes mais vida e personalidade, com momentos em que é delicioso ver um boss a andar numa área antes de nos fazermos a ele.

O modo como o jogo opera é, também, uma excelente oportunidade de mostrar aos novos jogadores, ou até àqueles que sentiam receio de jogar o original, o que Dark Souls é capaz de oferecer: uma jogabilidade e mecânicas que se mantêm intocáveis, mas com uma curva de aprendizagem e um ritmo de jogo muito mais apetecível e interessante.

Nesta versão, podemos ainda contar com um remapeamento dos botões, ou seja, o jogador pode configurar os comandos como bem entender, algo que se mostra bastante útil para quem joga com comandos de competição que incluem botões e atalhos extra.

Outro pormenor bastante bem-vindo a nível de jogabilidade, que foi alterado do original, é também a capacidade de apanharmos itens sem ficarem associados ao menu rápido, tornando, assim, menos frustrante a eventualidade do nosso setup mudar ao apanharmos certos itens.

Dark Souls Remastered, como muitos outros relançamentos, faz-se acompanhar do conteúdo extra do original, neste caso o DLC Astorias of the Abyss, anteriormente também presente na Prepare to Die Edition.

Há ainda outras adições e alterações que tornam o jogo mais polido e atual, como o aumento de jogadores online por sessão, que passa de quatro para seis, seja em PvE ou PvP, o modo como fazemos as sessões via password é agora semelhante ao de Dark Souls 3, e temos, finalmente, servidores dedicados para tornar a experiência online mais sólida.

Dark Souls Remastered é a versão definitiva de Dark Souls. Tem tudo o que o original oferece, com pequenas melhorias bem-vindas e uma cara lavada para a nova geração.

Provavelmente pode não oferecer tanto como muitos fãs poderiam querer, não apresentando surpresas significativas, mas é um testamento que, melhor que isto, talvez só um remake feito de raiz.

Contudo, os visuais melhorados são um estranho caso de ver para querer, que mostram como a identidade e a direção artística do original se mantêm extremamente atual quando a tecnologia assim o permite. É, também, uma boa desculpa para revisitar Lordran, ou trazer novos jogadores a este mundo. E claro, enquanto um Demon’s Souls não surge nesta geração, é agora possível ter a trilogia Dark Souls com versões adaptadas à geração corrente, sem emulações ou retrocompatibilidades.

Dark Souls Remastered
Nota: 8/10

Este jogo foi cedido para análise pela Ecoplay.

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