Análise – Cuphead

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Conheçam Cuphead e Mughead, duas personagens com cabeças em forma de chávena que, depois de perderem as suas almas para o Diabo, precisam de percorrer o mundo e fazer trabalho sujo em nome do mal para as recuperarem.

Acrescentem a esta história muita cor, personagens adoráveis e uma animação reminiscente das curtas da Disney e da Warner Bros. durante os anos 30.

A animação dos anos 30 foi um dos grandes pilares de Cuphead, um jogo da Studio MDHR, que, apesar de ter sido apresentado em 2014 durante o evento da Microsoft na E3, estava em desenvolvimento desde 2010 quando dois irmãos, Chad e Jared Moldenhauer, começaram a trabalhar no jogo a partir de casa.

O longo processo de desenvolvimento de Cuphead pode parecer exagerado, mas revela-se justificável quando temos um jogo em que todas as animações são perfeitas e fundem-se na perfeição com os fundos e com a sua excelente banda sonora de jazz.

É um jogo de correr e disparar, tem alguns momentos de plataformas e muitas lutas com bosses. Não há momentos mortos em Cuphead. A destreza e rapidez são chave para fugir de todos os obstáculos e objetos que voam pelo ecrã.

Pelo mundo vamos encontrando outras personagens que nos dão dicas sobre como usar certas habilidades, lojas onde podemos adquirir novos poderes e onde, obviamente, encontramos os diferentes níveis que podemos ir escolhendo.

Apesar da sua excelente apresentação visual capaz de captar a atenção de qualquer pessoa, Cuphead não é um jogo para fracos. É difícil e obriga a repetir os níveis, vezes e vezes sem conta.

Num outro jogo podia ser um problema, mas Cuphead foi desenhado para “rebentar a nossa cabeça” e surpreender com o que aparece ao virar da esquina ou com a próxima transformação do boss com que estamos a lutar. É a adrenalina e a emoção que nos deixa agarrados ao ecrã e aos comandos.

Nas batalhas com bosses, podemos escolher uma de duas dificuldades, “Simple” e “Regular”, traduzindo para português, Normal e Difícil. Apesar de ser um jogo feito para a dificuldade, os mais tímidos podem começar por jogar em “Simple”, para que, de alguma forma, consigam ambientar-se aos controlos e aos padrões dos inimigos. Os mais corajosos deverão jogar em “Regular”, sendo que a destreza é a chave para ultrapassar a imprevisibilidade de alguns inimigos.

Mas Cuphead não se joga sozinho. Se tiverem amigos e controlos que se queiram aventurar convosco, um segundo jogador pode aparecer instantaneamente no ecrã com o premir de um botão, passando a controlar o Mughead.

O segundo jogador apresenta-se automaticamente com as mesmas capacidades do primeiro jogador. E pode ser uma ajuda enorme em alguns níveis, especialmente quanto se perde todas as vidas e o toque mágico do nosso companheiro pode ser a chave para recuperar mais uma.

Por outro lado, o caos aumenta com mais um personagem no ecrã a disparar projéteis para todo o lado. É fácil perder a atenção do nosso boneco.

Mas este não é, de todo, um pormenor negativo. É no jogo cooperativo que o título da Studio MDHR ganha uma nova dimensão: a social. Cuphead é um jogo perfeito para jogar em grupo por turnos. Ver quem é que sobrevive mais tempo, quem chega mais longe nos objetivos e quem é o herói da noite que se aguenta até derrotar o grande boss acaba por se gratificante.

Cuphead é um jogo difícil. Mas divertido. E conta com uma apresentação absurdamente espetacular acompanhada por efeitos analógicos e uma banda sonora de jazz que lhe assenta que nem uma luva.

Apesar de ser linear, como muitos jogos de plataformas 2D antigos, é um jogo que demora e obriga a muita repetição.

Cuphead é um dos melhores jogos deste ano e merece toda a nossa atenção. É tudo aquilo que um jogo deve ser. Agradável à vista e divertido de jogar, será, certamente, assunto de conversa com os nossos amigos.

Cuphead está disponível na Xbox One, Windows 10, Steam e GOG.

O jogo cedido para análise pela Microsoft.

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