Análise – Crysis Remastered

Crysis corre de novo nas consolas, mas cansado.

Crysis Remastered

Com o fim da atual geração de consolas no horizonte, Crysis recebe uma nova conversão com a sua primeira remasterização no PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Depois de uma conversão tecnicamente impressionante para a Nintendo Switch, mas longe de ser perfeita, esta versão para PC e restantes consolas mostra-se um jogo um pouco diferente também a nível tecnológico, tirando partido dos pulmões extra destas máquinas que, nas versões “premium” (PlayStation 4 Pro, Xbox One X e PC’s de ultima geração), contam com suporte para resoluções melhoradas, vários modos de jogo e até o suporte de Ray-Tracing, uma função inédita nesta geração de consolas.

Com opções tão ambiciosas para o jogo mais usado para testes de configurações de PC desde o seu lançamento em 2007, a questão “Será que corre Crysis?” é novamente feita… e novamente respondida. Para esta opinião, tive a oportunidade de jogar Crysis Remastered na Xbox One X, uma das plataformas premium onde o título deveria de oferecer a melhor experiência, isto se ignorarmos os PC’s bem apetrechados. Contudo, o gosto é muito amargo.

O jogo é praticamente o mesmo que o original e, desta vez, contamos com algumas das missões mais exigentes que ficaram de fora das conversões da PlayStation 3, Xbox 360 e da consola híbrida da Nintendo. É a experiência Crysis completa, com um novo look adaptado às plataformas modernas.

O que salta à vista são, obviamente, os visuais. Crysis Remastered é um jogo bem bonito e surpreendentemente atual quando apresentado em toda a sua glória, com uma qualidade de imagem clara e precisa que deixa que, com ou sem HDR, revela cores vivas e bonitas na ilha paradisíaca onde se passa a ação do jogo. A iluminação é muito mais natural que em edições passadas, as texturas são de alta qualidade e há uma série de efeitos de pós-processamento que ajudam a criar ambientes mais realistas.

Crysis Remastered

No entanto, esta é apenas uma remasterização e não um remake, e, como tal, o teste do tempo acentua-se com modelos geométricos antigos que gritam “videojogo” e outros elementos que não parecem tão naturais e realistas, como placas, caixas, adereços e até a iluminação e decoração de zonas interiores, que é muito básica.

Como dizia, Crysis Remastered tem vários modos de escolha que afetam os visuais e o desempenho do jogo, uma decisão que permite que os jogadores possam decidir de que forma querem experienciar este clássico e que, dado os resultados neste jogo, me fizeram viajar no tempo até uma era em que sabia que não tinha um computador para Crysis, mas tentava ao máximo tirar partido de todas as opções disponíveis.

Resumidamente, nenhuma das opções disponíveis em Crysis Remastered oferece uma experiência ótima, pelo menos no momento de escrita deste texto, com todos elas a revelarem compromissos que podem retirar-nos completamente do jogo.

O modo de destaque vai para o Ray-Tracing. Para conseguirmos usar esta função, o jogo reduz a resolução para os tradicionais 1080p, oferecendo uma imagem muito suave e por vezes difusa, afetando a apresentação geral em si, com alguns elementos a apresentarem uma resolução menor, incluindo até o HUD. Em termos de desempenho, o título também se cola nos 30fps, resultando numa jogabilidade um pouco mais pesada para o meu gosto, naquele que é um jogo tático mas que, ao mesmo tempo, pede alguma ação mais rápida em momentos caóticos e complicados.

Em troca, temos uma apresentação que tira partido de uma iluminação global, apresentando sombras mais realistas e detalhadas, contactos entre objetos também mais realistas, efeitos de água melhorados e alguns reflexos com comportamento real. A questão é que é tudo tão subtil que muito raramente se destaca em relação aos restantes modos. É, em alguns momentos, melhor, mas não o suficiente para aceitar o sacrifício na resolução e desempenho.

Crysis Remastered

No modo de desempenho, Performance, as coisas melhoram um pouco. O ray-tracing desaparece, mas sem mudar muito a apresentação do jogo, que se mantém com a mesma resolução. Neste modo temos a vantagem de jogar com uma fluidez inconstante acima dos 30fps, tornando a ação muito mais fluida e orgânica, exceto quando somos confrontados com muitas explosões e caos no ecrã. Esta é, provavelmente, a melhor opção de jogar Crysis, mas o sacrifício na qualidade de imagem é muito notório e é regular em alguns elementos distantes, como montanhas a não carregarem totalmente, parecendo elementos saídos de um jogo do ano 2000.

Por fim, o modo de qualidade, ou Quality, que puxa pelas capacidades da nossa máquina, apresentando o jogo a correr com a melhor resolução possível. Visualmente impecável, voltamos a não ter o suporte do Ray-Tracing, mas também ficamos com a fluidez de jogo limitada nos 30fps. Os sacrifícios para ter uma apresentação mais definida são, infelizmente, muito grandes. O lado mais old-school revela-se, com elementos geométricos datados a destacarem-se com mais regularidade e o desempenho do jogo a ficar muito aquém do ideal, com a sua fluidez a alternar constantemente abaixo do limite dos 30fps e com soluções recorrentes que tornam a jogabilidade pesada e frustrante.

A Crytek está, aparentemente, a tratar de futuros patches, mas infelizmente o desempenho do jogo, atualmente não é o ideal em nenhum dos modos fornecidos.

Mais uma vez, tal como a conversão da Nintendo Switch, Crysis Remastered impressiona em alguns aspetos e não apenas pelo facto de poder ser jogado basicamente em todo o lado. Porém, continua a não estar à altura das expectativas, especialmente quando hoje em dia já temos jogos com campanhas mais divertidas, visuais bem mais bonitos e um desempenho muito mais satisfatório.

É um jogo old-school, uma janela para uma era em que as produtoras queriam mesmo fazer os jogos do futuro, mas esse futuro já passou. E Crysis Remastered já podia oferecer uma experiência muito melhor.

Crysis Remastered está disponível no PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Nota: Satisfatorio

Plataforma: PC, PlayStation 4 e Xbox One
Este jogo (versão Xbox One) foi cedido para análise pela Crytek.

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