ANA terá de justificar opção por um único terminal no novo aeroporto de Lisboa

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O Governo pede à ANA vários cenários de procura e uma estratégia de expansão para garantir a capacidade futura do novo aeroporto.

O Governo considera que o projeto do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), previsto para o Aeroporto Luís de Camões, registou avanços significativos, mas entende que ainda existem matérias que precisam de ser esclarecidas e aprofundadas antes da apresentação da candidatura completa. As questões foram transmitidas à ANA – Aeroportos de Portugal, enquanto concessionária, numa resposta conjunta do Ministério das Finanças e do Ministério das Infraestruturas e Habitação ao relatório técnico entregue a 16 de julho.

Uma das áreas destacadas pelo Governo diz respeito às projeções de tráfego. Na resposta enviada à concessionária, o Executivo regista positivamente o facto de a ANA ter reconhecido que as previsões inicialmente apresentadas estavam desajustadas. No entanto, considera necessário que o projeto passe a incluir diferentes cenários de evolução da procura, de forma a avaliar a robustez do dimensionamento previsto para o NAL.

A apresentação de vários cenários deverá também permitir antecipar as necessidades de adaptação da infraestrutura durante o período da concessão. Para o Governo, esta análise é necessária para perceber de que forma o aeroporto poderá responder a diferentes níveis de procura e para avaliar a capacidade de expansão da infraestrutura ao longo do tempo.

O Executivo levanta igualmente questões sobre a componente técnica do projeto, sobretudo no que diz respeito às infraestruturas do lado ar. Entre os aspetos que considera carecerem de maior demonstração e clarificação estão a configuração das pistas e da rede de caminhos de circulação, assim como a compatibilidade dessas soluções com a operação de aeronaves de Código F.

A capacidade e a flexibilidade operacional do aeroporto são outras das matérias identificadas na resposta à ANA. O Governo pretende que a concessionária apresente elementos adicionais que permitam avaliar de forma mais detalhada o funcionamento previsto da infraestrutura e a sua capacidade para acomodar diferentes exigências operacionais.

Também a configuração das infraestruturas do lado terra, em particular do terminal de passageiros, deverá ser aprofundada. O relatório técnico apresentado pela ANA prevê a construção de um único terminal e já não inclui, ao contrário da solução apresentada no relatório inicial, a necessidade de construir um Terminal 2 ou um terminal satélite.

Perante esta alteração, o Governo considera necessário que a concessionária justifique a opção por um terminal único e apresente uma estratégia clara para a expansão faseada do aeroporto. Essa estratégia deverá abranger as próprias infraestruturas, bem como as pré-instalações necessárias para permitir futuras ampliações.

A ANA deverá também definir os critérios que irão determinar a passagem entre as diferentes fases de desenvolvimento do aeroporto. O Governo pretende, assim, que fique claro em que condições será necessário avançar para novas etapas de expansão e de que forma essas decisões estarão relacionadas com a evolução da procura e da operação aeroportuária.

O próximo marco do processo de candidatura está previsto para 16 de janeiro de 2027, data em que deverá ser entregue o Relatório Financeiro. Com essa entrega, ficarão concluídos os quatro relatórios intercalares que integram a candidatura ao NAL.

A candidatura completa, que terá de incluir as versões finais de todos os relatórios, deverá ser entregue, no máximo, até 16 de janeiro de 2028.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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