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Alice, Nova Iorque e Outras Histórias podia ter menos histórias

Um filme que foi feito demasiado cedo.

Opinar sobre Alice, Nova Iorque e Outras Histórias, realizado por Tiago Durão, faz-me sentir no meio duma encruzilhada sem saber para onde ir. Por um lado, identifico-lhe demasiadas falhas para dizer que é bom. Por outro lado, reconheço-lhe algum potencial. Por isso, resumi-lo a um mau filme parece-me injusto. Em boa verdade, acho que é um filme que merece uma oportunidade. O problema agora é saber por onde começar.

Bem, o argumento é ambivalente. Às vezes é interessante e os atores fazem uma interpretação demasiado unidimensional para o texto conseguir revelar-se, outras vezes os atores simplesmente não têm timing e o que podia ter sido uma cena engraçada fica ali a marinar sem ir para lado nenhum. E depois ainda há aqueles momentos em que o texto só foi escrito para fazer de ponte entre cenas e os atores fazem o melhor que podem para justificar aquela perda de tempo.

Quanto às personagens, algumas são simplesmente desnecessárias. Exemplos disso são Frank, o escritor narcisista, e Paloma, cuja função pareceu-me ser apenas a da rapariga muito atraente que serve para mostrar o quão sacana o Frank consegue ser. Ou seja, não acrescentam nada ao filme. 

Existe um excesso de personagens… ou pelo menos existe um excesso de foco em várias personagens. A dinâmica do casal que se odeia, a miúda que tem um caso com o professor e os pais da miúda eram suficientes para tornar o filme cativante. A própria Alice, embora seja o cataclismo que dá início à história, é um pouco previsível e desinteressante.

Além do mais, o início do filme dá a entender que ela vai ser o fio condutor da história, mas, ao longo desta, acaba por ser uma promessa infundada, porque mesmo quando é o elemento que justifica o cruzamento de personagens, o motivo é quase sempre fútil. E isso não seria um problema se o desenrolar dos acontecimentos fosse relevante… mas muitas vezes é um beco sem saída. 

Outra questão que também fragiliza o filme são os cenários. A casa de Victor e de Rita, que compõe o casal que mencionei anteriormente, não reflete a maneira como eles se comportam. Eles falam e apresentam-se como se tivessem alguma afluência, mas a casa deles contradiz este facto. No entanto, consigo perceber que isto é uma questão de orçamento e, dado o tipo de filme que é, tiveram que se fazer algumas concessões. Aliás, acho que é este o grande problema do filme: a ambição do filme é maior do que aquela que o orçamento para o fazer consegue suportar. 

Personagens excêntricas e humorísticas exigem atores que consigam usar várias camadas de complexidade e o texto nunca pode falhar, caso contrário, os personagens acabam por morrer e os atores não conseguem resgatá-los. E isto aconteceu várias vezes ao longo de Alice, Nova Iorque e Outras Histórias. A ideia, o estilo e a personalidade do filme estão lá, mas não existe consistência e a maneira como foi filmado também deixa a desejar. Certos planos e diálogos tinham aquela essência típica de comédia romântica à Woody Allen e tal é uma inspiração assumida no filme, mas haviam ocasiões em que a maneira como as cenas eram filmadas era só confusa. 

De forma geral, penso que Alice, Nova Iorque e Outras Histórias foi feito demasiado cedo. Se tivesse ficado a amadurecer durante mais algum tempo, muito provavelmente teria chegado a um resultado final mais coeso, até porque os ingredientes para um filme promissor estão lá, mas ainda estão em estado muito bruto. 

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