ACP propõe proibição de trotinetes em Lisboa, mas operadores rejeitam medida

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Operadores de trotinetes defendem reforço de fiscalização e geofencing em alternativa à proibição. Setor propõe medidas dirigidas às verdadeiras causas de risco rodoviário.

Os operadores de trotinetes partilhadas em Lisboa reagiram à proposta apresentada pelo ACP (Automóvel Clube de Portugal) que defende a proibição destes veículos na capital. A medida surge no contexto de um debate público sobre segurança rodoviária e mobilidade urbana em Lisboa, onde os lisboetas têm exigido ruas mais seguras e passeios desimpedidos.

A proposta do ACP associa a insegurança rodoviária às trotinetes partilhadas, mas os operadores contestam esta ligação. Argumentam que a solução apresentada é errada para um problema real, uma vez que deixa por resolver as verdadeiras causas da insegurança rodoviária, como a condução perigosa, as deficiências da infraestrutura e a necessidade de uma fiscalização mais eficaz.

De acordo com dados da PSP, foram registados 623 acidentes envolvendo bicicletas e trotinetes elétricas nas áreas de atuação da PSP durante os primeiros quatro meses de 2025. Este número representa apenas 3,6% dos 17.538 acidentes registados nesse período, sem qualquer vítima mortal. Os operadores salientam que estes dados agregam bicicletas e trotinetes elétricas, veículos privados e partilhados, bem como informação de âmbito nacional, sem qualquer desagregação específica para Lisboa ou para os operadores de mobilidade partilhada. Ainda assim, consideram que são suficientes para demonstrar que as principais causas da sinistralidade rodoviária estão longe de se encontrar na micromobilidade partilhada.

O setor de trotinetes partilhadas opera sob autorizações, requisitos de seguro, limites de velocidade, regras de estacionamento e mecanismos de controlo através de geofencing. Em contraste, as trotinetes elétricas privadas não estão sujeitas aos mesmos mecanismos de controlo aplicáveis aos operadores de partilha, como a gestão centralizada da frota, zonas de estacionamento obrigatórias, geofencing ou responsabilização direta do operador. A frota privada continua a crescer sem estar sujeita a qualquer um destes mecanismos: não existe obrigação de seguro, não há limites de velocidade efetivamente aplicados nem um operador responsável.

Os operadores sustentam que uma proibição eliminaria precisamente os veículos mais regulados, deixando intocados os que não estão sujeitos a esse enquadramento. E defendem que os lisboetas não devem ser obrigados a escolher entre manter a situação atual ou avançar para uma proibição generalizada que atua sobre a causa errada do problema.

Os operadores afirmam estar preparados para ir mais longe, reforçando a fiscalização, investindo em infraestrutura de estacionamento dedicada, expandindo zonas de velocidade reduzida através de geofencing e definindo limites de frota em articulação com o município.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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