Abarth 124 GT – Um fim-de-semana de puro veneno

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Mais um fim-de-semana, mais um ensaio. Desta vez, tive à minha disposição o Abarth 124 GT, e devo confessar que me senti invadido pelo veneno do Escorpião assim que liguei o motor.

O som emitido pelo sistema de escape Record Monza, com o seu sistema Dual Mode e quatro terminais, fazem com que, automaticamente, qualquer amante destes veículos a combustão esqueça a presença do sistema multimédia, ainda que se tenha à disposição um excelente sistema Plus Bose, com colunas embutidas nos próprios bancos e que transmitem toda a alta fidelidade pelo habitáculo do 124GT mesmo com as janelas abertas.

Mas, como já disse, devo confessar que pouco o usei, exceto em autoestrada, porque, de resto, a primazia foi ter os vidros abertos e escutar o lindo “cantar” do 1.4 Turbo MultiAir que equipa o Abarth 124GT e que debita 170cv às 5500rpm. Tudo isto num peso a seco de 1080Kg. Dispara dos 0 aos 100km/h em 6.8 segundos e tem uma velocidade máxima de 229 Km/h.

Este Abarth 124GT, porém, é muito mais do que especificações ou benchmarks. É um carro para verdadeiros apreciadores da condução. É “tail happy”, ou seja, facilmente se sente a sua tração traseira a puxar para a brincadeira, sendo que corrige sempre que necessário os mais principiantes ou alguma manobra já a roçar o limite das suas capacidades. Isto se mantivermos o controlo de tração ativo, obviamente.

Outro “pormenor” que confere segurança é saber que, se for necessário, contamos com o sistema de travagem da Brembo em alumínio e com quatro pistons e discos ventilados à frente e pinça flutuante atrás. Os amortecedores são Abarth by Bilstein e o diferencial é também da Abarth com autoblocante mecânico.

Começando de fora para dentro, a configuração das cores, embora um pouco escura neste modelo que testei, é tudo menos monótona. E chama à atenção. Confesso que não esperava que um carro tão pequeno como o Abarth 124 GT chamasse tanto à atenção quando parado, uma vez que, em andamento, é impossível não olhar para identificar de onde vem aquele rugido rouco.

No interior, temos as belíssimas baquets, com o logo da Abarth, e vários pormenores de enorme qualidade. Alguns dirão que faltam locais de armazenamento interior, pois este modelo nem conta com porta-luvas, mas, sinceramente, acho que o público-alvo para este carro pouco se importa com trazer coisas e mais coisinhas para dentro dele.

Por falar em estar dentro do Abarth 124 GT, a posição de entrada e saída não é a mais fácil para os menos exercitados ou com dimensões mais avantajadas. Em todo o caso, já dentro do veículo, a sensação é de que se está num Kart, e isso dá ainda mais confiança para tirar todo o partido desta bela máquina.

A versão que ensaiei foi a de caixa automática Esseesse de seis velocidades, contando com as patilhas no volante. Não desgostei. Aliás, até posso dizer que gostei, mas creio que teria adorado também a versão manual, porque convenhamos, neste motor de 170Cv com apenas 1400cc, nota-se, sobretudo nas reduções, a caixa um pouco à procura do melhor timing. Mas atenção, isto em nada estraga o prazer de condução.

Uma das coisas que caracterizam esta versão 124GT da Abarth é o seu hardtop em carbono. Pesa apenas 16kg, mas confere outra rigidez à estrutura do mesmo, sendo amovível com a retirada de apenas dois parafusos, e contém por baixo a clássica capota de lona. Julgo que o hardtop é a melhor escolha para viagens longas, ou tempo de Inverno, e ainda se ganha visibilidade para a traseira.

É caso para dizer que, neste Abarth 124 GT, pode-se escolher o melhor de dois mundos. Com hardtop e as vantagens que isso traz, ou então de cabelo ao vento em modo cabrio, tendo sempre a capota de lona caso o S. Pedro resolva pregar uma partida inesperada.

Em resumo, posso dizer que considero este Abarth 124GT um carro para condutores que podem tão depressa andar a apreciar o tempo solarengo de capota aberta com aquele som rouco a ser emanado mesmo a baixas rotações, ou colocar o capacete e ir para o Autódromo desfrutar de todas as especificações mais desportivas deste modelo. Está longe de ter uma condução confortável, ou até macia, mas está muito perto de deixar um sorriso permanente na cara de quem o conduz.

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